O momento não é para radicalismo

Um ano de mudanças. Um ano de adaptações. Um ano enfrentando o desconhecido.
A pandemia do Coronavírus vem assolando o planeta e, se a vida já não andava muito fácil, parece que tudo ficou um pouco mais complicado.

A sociedade brasileira vive o desmantelamento das relações sociais que já estavam desgastadas, aflorando os já exaltados ânimos das pessoas. As posições extremistas chegam a comprometer o aparecimento de soluções eficientes para a contenção da Covid-19. Estamos diante de uma questão altamente complexa. E tenho certeza de que se todos estivessem na mesma mesa, em sintonia, debatendo ideias e buscando soluções, os caminhos se desenhariam com maior facilidade. Parece que todo mundo, em todas as situações, está agindo no limite da radicalidade.

O agravamento do extremismo entre as diversas camadas sociais, e, para piorar, concentrada em dois lados contrários que se tratam como inimigos coloca em risco muitos avanços. A polarização não colabora com a construção de um debate saudável de ideias, de opiniões, de sugestões. Em vão, a luta pelo ponto de vista perfeito se sobrepõe ao objetivo superior, que é compartilhar alternativas, buscar opções, dividir experiências positivas.

São nas ocasiões excepcionais e de grandes dificuldades que deveríamos manter o espírito colaborativo. Infelizmente, não é o que vem acontecendo no Brasil. Essa síndrome respiratória aguda grave é um exemplo de como as variáveis humanas são diversas e como a necessidade de sermos resilientes nos diz respeito neste momento em que as relações, não apenas com nossos pares, mas com todos aqueles que nos cercam, são necessárias e devem ser estabelecidas ou reestabelecidas.

Bem como os sintomas de Covid-19 são altamente mutáveis, variando de um quadro estável para altos riscos de morte, essa doença abre diversas possibilidades para planejarmos estratégias de ações de combate, refletirmos sobre alternativas e corrigir os rumos enquanto ainda há tempo.

E por que não isso ainda não está ocorrendo? Entendo que não há convergência onde existe algum tipo de extremismo. A intolerância contribui para aumentar ainda mais as divergências. Portanto, esse é o momento em que devemos discutir soluções de forma saudável, preferencialmente inovadoras e comprometidas com as principais questões sociais ligadas ao respeito aos cidadãos, principalmente, aos mais carentes e afetados por essa situação mundial.

Discordar é saudável, bem como debater e tentar apresentar nossas ideias e posições mas, indubitavelmente, não podemos não respeitar a posição dos outros, mesmo não concordando com o pensamento contrário.

De tudo o que venho acompanhando, me parece que o assunto não está sendo tratado da maneira mais serena como deveria. O momento atual é extremamente complexo e há muito a se fazer. Temos um senso de urgência que compete com o individualismo, impedindo um olhar sensato. Sem contar a infinidade de desinformação que prejudica demais o andamento desta situação já tão complexa.

Não é possível ignorar a dimensão de um problema tão grave e que afeta diretamente a vida de todas as pessoas de forma brutal, abruta e repentina.

Devemos – e precisamos urgentemente – criar alternativas à polarização. As vicissitudes que fogem às apresentadas acabam sendo invalidadas e isso já vimos que não tem funcionado. Precisamos gerar consensos entre todas as partes. Só assim caminharemos em direção a soluções.

E para que isso aconteça o grande desafio hoje é conviver harmoniosamente e respeitando a posição dos outros indivíduos. Não quero dizer que temos que pensar igual e nem aceitar esses posicionamentos. Mas temos a obrigação tácita de respeitar.

As questões e posturas político-sociais são elementos formadores da sociedade e que devem ser considerados no contexto pandêmico no qual vivemos. Onde houver exagero e radicalismo, com certeza, as chances de sucesso serão menores. Vamos nos unir para pensar comunitariamente, olhar o próximo e entender o que é possível para somar nesta luta pela vida.

  • Alex de Madureira é deputado estadual e representa a região de Piracicaba na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp)

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