O pioneirismo da iluminação elétrica: iniciativa de Luiz de Queiroz

Foto: IHGP/Divulgação

Maquinário da usina usado na fábrica possibilitou iniciativa inédita de iluminação

Precursor do agronegócio, Luís Vicente de Sousa Queirós, acumulou o papel de fomentador da pesquisa científica e de pioneiro ímpar do ensino superior, como idealizador da Esalq. Há mais de um século, ele aproveitou as águas do salto do rio Piracicaba para acionar os teares da tecelagem da Fábrica de Tecidos Santa Francisca, nome dado em homenagem à sua mãe, hoje conhecida popularmente como Boyes, como potencial hidráulico para mover suas máquinas. Com 50 teares importados, a fábrica, logo de início, empregava 70 operários, tendo a capacidade produtiva de 2.400 metros de tecido por dia. O maquinário da usina gerava energia para a fábrica e possibilitou a iniciativa, até então inédita, de iluminação elétrica.

Piracicaba foi a segunda cidade do País com a implementação da energia elétrica, tendo se concretizado em 6 de setembro de 1893, antes mesmo da capital, São Paulo, a tê-la. Apenas Campos dos Goytacazes, no Estado do Rio de Janeiro, nos antecedeu, em 1881.

Antes disso, quanto à iluminação pública, algumas ruas de Piracicaba eram a base de querosene desde 1873, com postes nas principais esquinas do Centro. Com o término do contrato deste serviço, a Câmara de Vereadores decidiu não o renovar e abrir concorrência para iluminação pública movida à eletricidade. Quatro propostas foram apresentadas em novembro de 1885 para a implantação do sistema. Em maio de 1890, a Intendência Municipal encarregou os vereadores Paulo Pinto e Dr. Paulo de Moraes de estudar o projeto de Luiz de Queiroz, contendo 48 cláusulas e duração de 35 anos, cujo contrato foi assinado no mesmo ano.

O projeto, disponível no acervo do Departamento de Documentação e Arquivo da Câmara, consta que “a área de iluminação, tanto pública quanto particular, compreenderia não só a cidade em todo o seu perímetro atual ou futuro, como também todos os seus subúrbios”.

O documento ainda estabelece as especificações das lâmpadas incandescentes, e que o preço da iluminação pública seria de sete mil reais mensais por, no mínimo, cem lâmpadas que se conservariam acessas todas as noites, “[…] desde o escurecer até o clarear do dia”.

O empresário ainda teria a obrigação de iluminar gratuitamente o hospital Santa Casa de Misericórdia. O consumo da eletricidade era medido em cada domicílio por um aparelho, facultado ao particular a comprá-lo ou fazer o aluguel, com pagamento anual. Luís de Queirós ainda fornecia gratuitamente manual de instruções para a leitura dos aparelhos medidores.

Em 31 de março de 1891, em sessão extraordinária, Luís Vicente de Sousa Queirós apresentou requerimento na Câmara, em que pedia a intendência “concessão de um terreno que a municipalidade possui nas margens do Salto, para aqui o suplicante montar uma estação central, destinada à produção de eletricidade para iluminação pública”. A área, na margem esquerda do Rio Piracicaba, entre a Fábrica de Tecidos e a Companhia Hidráulica, só foi demarcada, em quarenta e cinco metros de quadra, na data de 08 de junho de 1891, com funcionamento oficial dois anos depois.

Laís Seguin
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