O pioneirismo de Nicole Pircio nos Jogos Olímpicos de Tóquio

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A piracicabana Nicole Pircio, atleta da Ginástica Rítmica da Seleção Brasileira, em Tóquio - divulgação/atleta

A ginasta Nicole Pircio Nunes Duarte foi convocada para representar o Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio e, antes mesmo de chegar ao Japão, ela já fazia história como a primeira piracicabana a integrar a Seleção Brasileira Adulta de Ginástica Rítmica, numa edição das Olimpíadas.

A jovem, que comemorou o aniversário de 19 anos na Terra do Sol Nascente é atleta da equipe brasileira da modalidade e vive atualmente na capital de Sergipe, Aracaju, onde está localizado o Centro Nacional de Treinamento de Ginástica Rítmica.

Mesmo à distância, a jovem ginasta concedeu entrevista ao Persona e, fez questão de falar de suas raízes e do início esportivo em Piracicaba. Nesse bate-papo, fala de família, carreira e de seu futuro na modalidade, após a participação na maior competição esportiva do planeta.

Como foi sua infância em Piracicaba? Você pensava em ser ginasta ou os caminhos do esporte foram sendo encontrados por acaso?

Eu era daquelas crianças que não conseguia ficar parada e os esportes sempre chamaram a minha atenção. O primeiro contato com o mundo esportivo deu-se através do Jiu-Jitsu, com incentivo de um amigo. Minha mãe e irmã começaram a praticar Muay Thai e assim, migrei de uma arte marcial para outra.  

A Ginástica veio um pouco depois, aos 10 anos, quando comecei a frequentar a Academia Pira Olímpica, do professor Daniel Biscalchin. Nessa época, eu também fazia Ginástica Rítmica no Colégio Tales de Mileto e foi quando eu li uma reportagem do Jornal de Piracicaba sobre uma seletiva para compor a equipe piracicabana da modalidade. Essa matéria transformou a minha vida, porque fui buscar um sonho que começou a se tornar realidade e assim, percebi que estava pronta para ser atleta da Ginástica Rítmica.

Apesar dos compromissos e viagens com a Seleção Brasileira, você consegue vir a Piracicaba para visitar sua família?

Eu nasci em Piracicaba em 24 de julho de 2002 e meus familiares continuam vivendo na cidade. Sempre que posso volto à Noiva da Colina, geralmente nas férias de final de ano.

As professoras, Helena Macchi e Mariana Winterstein foram responsáveis pelos seus primeiros contatos com a Ginástica Rítmica. O que dizer desse aprendizado que foi fundamental para o sucesso em sua carreira?

Eu serei sempre muito grata a elas que foram as minhas primeiras técnicas e as responsáveis por me mostrar o caminho das coreografias e dos movimentos.  Estive ao lado delas por três temporadas e vou carregar no coração todas as lembranças incríveis desse tempo em que participava das competições, defendendo a cidade de Piracicaba. Essa base em Piracicaba foi muito importante. Sem ela, eu não teria alcançado a seleção brasileira.

Nas reportagens publicadas pelo JP durante os Jogos Olímpicos de Tóquio, a torcida piracicabana, em especial do Colégio Tales de Mileto, sempre esteve atenta e orgulhosa por ver sua representante nessa importante competição. Gostaria de agradecer esse apoio? 

A diretoria Iza Vitti e todas as pessoas do colégio foram essenciais no processo de aprendizado como aluna e atleta. Sou grata pelo suporte, pela bolsa de estudos e pela compreensão durante os períodos em que era necessária a conciliação dos compromissos com o colégio, os treinos e as viagens. Tenho só agradecimentos!

Que a carreira esportiva não é fácil, a gente sabe. Quais os obstáculos para uma jovem de 19 anos na rotina da ginástica de alto rendimento?

Não falo em obstáculos, mas penso que algumas dessas dificuldades fazem parte do processo da vida de um atleta de alto rendimento. É preciso ter disciplina e abdicar de muitas coisas como festas, aniversários e vários outros momentos de lazer com os amigos e a família.

Vejo tudo isso como uma fase onde o atleta fica mais forte e resiliente para encarar desafios maiores. O atleta de alto rendimento escolheu essa profissão para representar o nosso Brasil e isso vale a pena!

Em alguns desses momentos de dificuldades você pensou em desistir?

Passei por momentos difíceis na carreira, mas sempre que passava pela minha cabeça um sentimento como esse eu sabia que era preciso continuar. Desistir nunca foi uma opção para mim.

Você é uma atleta jovem, com um currículo brilhante na Ginástica Rítmica e que certamente é referência para muitas meninas. A Nicole tem ídolos no esporte?

Eu tenho como inspiração duas personalidades de grande importância para a história da Ginástica Rítmica brasileira; a catarinense Jéssica Maier, que conquistou duas medalhas de ouro e uma de prata nos Jogos Pan-Americanos de Toronto/2015, no Canadá, e que também participou do conjunto da Seleção Brasileira nos Jogos Olímpicos do Rio/2016.

A técnica da Seleção Brasileira de Ginástica Rítmica, a paranaense Camila ferezin, é exemplo para todas as atletas, porque participou de quatro das cinco medalhas de ouro conquistadas pelo Brasil nos Jogos Pan-Americanos, de duas Olimpíadas, uma como técnica e outra como assistente e agora, comandou o conjunto brasileiro nos Jogos Olímpicos de Tóquio/2020.

Após o ciclo como atleta de alto rendimento, qual a profissão que gostaria de seguir?

Eu estou cursando o segundo semestre da faculdade de Educação Física, na Estácio de Sá, em Aracaju.

O quanto a vida esportiva com seus desafios, a vida longe da família e a rotina de treinamentos e de competições, contribuiu na transformação da atleta Nicole Pircio?

O esporte muda nossa vida por completo e proporciona oportunidades inesquecíveis. É um ambiente saudável e que nos ajuda no crescimento pessoal para sermos mais fortes, corajosas e resilientes.

Se tivesse a chance de falar com meninas mais novas, que desejam seguir o seu caminho, o que diria a elas?

É preciso seguir os sonhos de corpo e alma para se entregar ao esporte e dar o seu melhor todos os dias, mesmo com acertos e erros, pois tudo isso é um aprendizado para que possamos levantar a cabeça, tentar novamente e nunca desistir. Nunca pare, quando encontrar um obstáculo, passe por cima dele com muita fé e dedicação, porque no final, o que vale é fazer o que ama e escolher seguir um caminho certo para sua vida.

Qual a rotina para uma atleta de alto rendimento da Seleção Brasileira Adulta?

Os treinos são intensos com dedicação de 8 a 12 horas em quatro dias da semana e com treinos em meio período às quartas-feiras e aos sábados. Nessa rotina estão inclusas as atividades com preparação física, sessões de fisioterapia, massoterapia, atendimento psicológico e os estudos.

Para viver o sonho de atleta integralmente foi preciso mudar para a capital de Sergipe. Quais as dificuldades encontradas nessa adaptação?

O mais difícil nessa história é ficar longe da família. A saudade é imensa, mas graças às novas tecnologias, os contatos e as ligações acontecem praticamente todos os dias.

Por outro lado, a vida aqui em Aracaju é muito boa, porque a CBG (Confederação Brasileira de Ginástica) e os nossos patrocinadores nos permitem um suporte incrível e uma boa qualidade de vida.

E quais as principais competições e os títulos que você destaca em sua carreira?

No ano de 2018 conquistei títulos importantes, como as medalhas de ouro nos Jogos Sul-Americanos e no Pan-Americano, além de participar do Campeonato Mundial na Bulgária.

Na temporada de 2019 participei do Campeonato Mundial em Baku, a capital do Azerbaijão.  Nesse ano, conquistei o título do Sul-Americano e a medalha no Pan-Americano de Lima, no Peru. Em 2020, fui finalista no Grand Prix de Moscou, na Rússia e convocada para os Jogos Olímpicos de Tóquio, na edição 2020, que por motivos da pandemia, foram realizados nesse ano.

A participação nos Jogos Olímpicos é desejo de qualquer esportista do mundo e você teve a chance de representar seu país bem jovem. Como descrever essa experiência?

O ambiente dos Jogos Olímpicos é mágico e foi exatamente como imaginei! A sensação de estar perto dos melhores atletas do mundo é incrível, porque sabia que estava lá, representando o meu país ao lado deles. Essa experiência me fez crescer, amadurecer e retornar para casa ainda mais experiente e com vontade de evoluir para chegar cada vez mais próximo do nível técnico desses campeões.

E se os Jogos Olímpicos são o topo da carreira de uma ginasta, quais os planos para o futuro?

A meta é continuar trabalhando para representar o Brasil cada vez melhor. É treinar com toda essa experiência adquirida para lutar por uma vaga às Olimpíadas de Paris/2024 para, se Deus quiser, trazer uma medalha!

Gostaria de complementar essa entrevista com uma mensagem para alguém especial em sua vida?

Quero dizer o quanto a minha família tem sido importante em todas as fases de minha vida. O apoio incondicional de meu pai, de minha mãe e de minha irmã tendo sido fundamental para as conquistas do passado, do presente e certamente, do futuro, porque eles estão sempre ao meu lado na realização de meus sonhos. Esse é um agradecimento especial a vocês!

Edilson Morais

[email protected]

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