O uso correto do álcool em gel evita acidentes domésticos

É o álcool em gel 70º, e não o álcool hidratado 92,8°, o correto para higienização (Foto: Claudinho Coradii/JP)

Com a pandemia do coronavírus, o uso do álcool em gel tem sido recomendado por médicos e pelo Ministério da Saúde. A medida é um complemento ao lavar as mãos e permanecer em casa, como formas de prevenção.

Para o médico Ivanilson Raniéri, responsável técnico pelo Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) é importante destacar os cuidados quanto ao uso eficiente do álcool em gel, seja para garantir a prevenção ao Covid-19, quanto para evitar acidentes.

“É necessário estar atento ao uso do produto, principalmente em ambientes como a cozinha, devido ao fogão, pois é uma substância inflamável, sobretudo o álcool em gel, pois ele demora a se dissipar nas mãos devido a sua consistência. O recomendado é que, após a aplicação, a pessoa espere secar completamente, e aguarde um tempo de 15 a 20 minutos, para que seja mais seguro fazer atividades que envolvam qualquer fonte de calor”, orienta.

As queimaduras são classificadas por especialistas em 1º, 2º e 3º grau. De acordo com o médico, o álcool em gel proporciona uma queimadura que pode variar de 2º grau superficial até 2º grau profundo, e em casos raros, queimaduras de 3º grau. Uma queimadura que não só causa bolhas ou chamuscamento da pele, mas danos mais profundos, o que leva a uma cicatrização mais demorada. Por isso, o cuidado precisa ser redobrado.

Raniéri adverte, também, para o manuseio do álcool líquido em casa, na higienização de ambientes, desinfecção de superfícies e objetos, e formas de armazenamento. “O uso de álcool em líquido comum pode ser utilizado na limpeza, pois evapora mais rápido”.

Quanto ao uso do álcool em gel para combater o vírus para higiene das mãos, seguindo os cuidados, a médica Silvia Luthemeier destaca que, para que seja eficaz, a substância deve ser usado quando as mãos não estiverem visivelmente sujas, garantindo que o produto possa eliminar qualquer de contaminação.

“Caso você não possua álcool em gel, lave as mãos com água e sabão que tem a mesma eficácia. No caso do uso do álcool em gel, a melhor escolha para a assepsia das mãos é o produto com concentração de 70% de álcool etílico. O álcool líquido não é indicado para higiene das mãos, pois evapora rápido demais e também ocasiona ressecamento excessivo das mãos”, afirma.

O ÁLCOOL CORRETO
Apesar de a concentração ser menor, é mesmo o álcool em gel 70º, e não o álcool hidratado 92,8°, que é o correto para se usar na higienização de mãos e antebraço neste momento em que se pede a conscientização da população contra o contágio da Covid-19.

O álcool 92,8° pode ser utilizado como veículo em formulações cosméticas e outras, como solvente para a fabricação de outros produtos, e como limpador geral para assistência à saúde. Já o álcool 70% possui concentração para o efeito bactericida devido a sua composição e a forma de fabricação ser mais eficientemente, pois facilita a entrada do álcool para dentro da bactéria e também retarda a volatilização do álcool, permitindo maior tempo de contato

Antônio Ribeiro, médico que atual pelo Pró-Saúde, reforça a utilização do álcool correto e efeitos nocivos no uso de outras concentrações. “Devemos estar atentos que é a forma 70% em gel que confere esse efeito de ação contra o vírus. Os outros tipos de álcool não são desenvolvidos para utilização nas mãos e podem ressacar a pele, com possibilidade de até corrosão. Vale lembrar que todos os tipos de álcool são inflamáveis”, afirma Ribeiro.

USAR COM CUIDADO
A perita criminal da Polícia Federal Civil do Distrito Federal, Camila Guesine, gravou um vídeo em que demonstra como o álcool em gel deve ser manuseado para se evitar acidentes domésticos. A produção está disponível no Instagram @semmakeoficial, uma mídia social de cinco mulheres policiais que tratam sobre segurança pública e, em especial, desafios enfrentados pelas mulheres no cotidiano.

No vídeo, Camila fala um pouco sobre o grau de inflamabilidade do álcool em gel 70ª. “Este álcool em gel que estamos utilizando tem a concentração de 70% para cima, é muito alta e muito inflamável. Em contato com alguma coisa que ‘start’ (comece) uma chama, como isqueiro ou fósforo, ele vai pegar fogo”.

Ela mostra um frasco de álcool em gel, coloca um pouco da substância em cima de um recipiente, um copo, e acende uma chama. Aparentemente, a chama não aparece, no entanto, ao colocar um papel em cima de onde a perita passou o álcool e ascendeu o fogo, o papel imediatamente começa a pegar fogo. “Se colocar a mão em cima, não precisa nem aproximar muito, você já sente o calor”, destaca.

Camila também faz o mesmo processo com um pouco de álcool em gel 92ª e a chama aparece imediatamente. “É importante: álcool em gel somente quando você não tiver água e sabão disponível. Imagina se for à cozinha e ascender um fogão logo após passar álcool em gel na mão e ante braço, pode pegar fogo”.

No fim, a perita deixa um recado para lares com crianças. “Para você que é papai e mamãe, tome cuidado onde armazena álcool em gel na sua casa, principalmente se for com cheirinho, que é atrativo para as crianças. Porque além da inflamabilidade, ela pode ingerir. Os sintomas serão de uma pessoa que está alcoolizada. O álcool em gel está aqui para nos ajudar, e não para nos acidentar”, ela finaliza.

Erick Tedesco

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