Oito em cada dez adultos de SP têm anticorpos contra covid-19

Foto: Alessandro Maschio/JP

Estudo foi feito de 9 a 20 de setembro; em pesquisa anterior, feita em abril a quantidade era de 33,3%

Oito em cada dez adultos da cidade de São Paulo, ou 81,8% da população com 18 anos ou mais, possuem anticorpos neutralizantes do coronavírus, diz estudo divulgado nesta terça-feira, 9. Os dados foram coletados dos dias 9 a 20 de setembro. No ciclo anterior do estudo, cujas informações foram levantadas de 22 de abril a 1º de maio, o mesmo índice era de 33,3%. A quantidade de adultos com anticorpos, portanto, mais que dobrou na capital – reflexo dos altos índices de contágio e do avanço da vacinação.

“Esses dados (do estudo) sugerem que os números de casos graves e mortes devem continuar a diminuir”, indicam pesquisadores do SoroEpi MSP. Responsável pela condução do monitoramento de soroprevalência, o projeto reúne cientistas como da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e tem como financiadores o Instituto Semeia, o Laboratório Fleury, o Ipec (antigo Ibope) e o Instituto Todos pela Saúde (ITpS).

Para medir a soroprevalência no município, foram analisadas no último ciclo do estudo 1.055 amostras de sangue coletadas em 160 setores censitários da cidade. Os níveis de anticorpos anti SARS-CoV-2 (IgG e IgM) foram medidos usando um método de quimioluminescência, da farmacêutica Abbott, e um segundo teste de eletroquimioluminescência, da também farmacêutica Roche.

O biólogo Fernando Reinach, que participa da pesquisa, explica que a equipe que conduziu a última fase do estudo foi surpreendida pela quantidade de pessoas com anticorpos neutralizantes. Ainda assim, ele ressalta que o número está associado ao avanço da cobertura vacinal e reforça que os adultos que atualmente possuem anticorpos podem ser até mais que 81,8% – uma vez que a cobertura vacinal aumentou ao longo das últimas semanas.

Segundo o último vacinômetro divulgado pela Prefeitura, a cidade tem atualmente 95,7% dos adultos vacinados com duas doses ou dose única contra o coronavírus. Em 20 de setembro, data em que a coleta do último estudo foi finalizada, o índice era de 70%. Quando o primeiro vacinômetro foi divulgado, em 21 de junho, o mesmo indicador era de 18,3%. Para que haja a chamada imunização completa, porém, é necessário esperar 14 dias após receber a segunda dose ou a dose de aplicação única.

Como efeitos da vacinação, o País tem apresentado quedas consistentes no número de casos e mortes pela covid-19. Nesta segunda-feira, 8, por exemplo, todo o Estado de São Paulo não registrou nenhuma morte pela doença. “A vacinação garante que uma parte das pessoas não vai contrair o vírus. Quando contraem, elas transmitem menos. E quando apresentam sintomas, eles costumam ser mais leves”, explica Reinach. “Tudo isso sugere que, se a gente não tiver novas variantes, a pandemia está chegando ao fim.”

O levantamento do SoroEpi MSP aponta ainda que 52,8% da população adulta da capital paulista – o que corresponderia a 4 887.251 habitantes – possui anticorpos contra a nucleoproteína do Sars-CoV-2, ante 41,6% no último ciclo.

Por esses anticorpos serem produzidos principalmente após a infecção pelo coronavírus, os pesquisadores indicam, com isso, que pode haver uma subnotificação expressiva de diagnósticos positivos. Ainda assim, não dá para precisar de quanto seria a subnotificação, uma vez que algumas pessoas vacinadas com a Coronovac, que é feita a partir de vírus inativado, também podem produzir anticorpos contra a nucleoproteína do Sars-Cov-2 em alguns casos. Pesquisador líder do projeto, o infectologista e diretor clínico do Grupo Fleury, Celso Granato, pondera que, por outro lado, as vacinas da Pfizer, da AstraZeneca e da Janssen produzem exclusivamente os anticorpos neutralizantes. Desse modo, eles estariam mais atrelados à vacinação.

Da Redação

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