ONGs e Canil orientam sobre adoção consciente durante a quarentena

Muitas vezes, por estarem mais tempo em casa, as pessoas adotam no calor da emoção (Foto: Claudinho Coradini/JP)

O isolamento social imposto para conter a disseminação da Covid-19 (novo coronavírus) por Piracicaba, por um lado, mantém tutores mais tempo ao lado dos pets, no entanto, o momento é delicado e requer diversos cuidados especiais para a adoção de algum animalzinho, mesmo que a companhia de um bichinho possa amenizar e alegrar os dias desta quarentenar. A recomendação é tanto do Canil Municipal, por meio do médio veterinário Paulo Lara, quanto de ONGs locais, que trabalham com resgates, sociabilização e adoção consciente de pets.

Desde que a quarentena foi imposta no Estado de São Paulo, o Canil Municipal manteve o número de pessoas que se deslocam até o local para visitar os cães e gatos disponíveis para a adoção, conta Paulo Lara. “São cerca de 5 pessoas, em média, que vêm semanalmente ao Canil, mas nem sempre levam o pet para casa”. De acordo com o veterinário, o local, mantido pela Prefeitura, está com o estoque de ração em dia e, hoje, funciona com a lotação máxima, com cerca de 68 cães e 35 gatos.

A recomendação de Lara é que as pessoas interessadas em adorar um pet do Canil é, primeiro, ver os cães e gatos disponíveis, por meio do Facebook do lugar (facebook.com/canildepiracicaba). “Lá estão todos os pets abrigados, são postagens diárias, e a pessoa vai amadurecendo a ideia. É uma forma da pessoa respeitar a quarentena, evitar de sair de casa, e vir até o Canil com a certeza de que fará a adoção”, afirma o veterinário.

O momento, entretanto, pondera Lara, requer muita consciência. No entendimento do veterinário do Canil, as incertezas da pandemia da Covid-19 no que diz respeito ao cenário social e econômico devem ler levados em consideração. “Por um lado, quem adota neste período terá mais tempo ao lado do pet, ficará mais junto para a adaptação, mas tem que pensar também no depois, quando retomar a rotina de trabalho, fora de casa, ele ficará muito tempo sozinho? Terá tempo de cuidar do animalzinho?”.

A preocupação de Lara é, principalmente, contra o abandono de animais pelas ruas de Piracicaba. “Não queremos que o número de abandonos cresça e isso é propícios em momentos de crise”, ele justifica.

A ONG Vira Lata Vira Vida também está preocupada com o aumento do abandono de animais na cidade neste período da disseminação da Covid-19. “São falsas informações quanto contaminação de pessoas por meio de seus pets, eles não contraem a doença”, conta Cássia Angelo, presidente da entidade.

Sobre adoções, Cássia destaca que são raras na Vira Lata Vira Vida, porque a maioria dos pets abrigados são idosos ou portadores de doenças crônicas, em decorrência de maus tratos. “Mas oferecemos adoção à distância e também podemos receber que queiram adorar os animais. Tem quem goste de cães idosos, acham mais fácil o manejo”, completa. A ONG, aliás, aceita doações por meio do site.

Ela também frisa que a entidade trabalho no limite e, portanto, não tem condições de fazer mais resgates. “Demandaria custos além do que as finanças da entidade suportam. O que fazemos às vezes é intermediar resgates junto ao Poder Público, com auxílio da OAB, mas não recolhemos mais há alguns anos”.

Outra ONG da cidade, a Tutor com Amor, por meio da voluntária Aneli Pansieira, afirma que a quarentena em Piracicaba é um fator determinante para diminuir a adoção de pets no atual momento. “Estamos hoje com dois cães em adaptação ainda não efetuadas, além de outros 30 para adoção no nosso abrigo. São cães adultos”, ela conta. A adaptação a um novo lar, completa Aneli, geralmente demanda um tempo e este processo requer dedicação redobrada do futuro tutor.

Erick Tedesco