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Já não é mais novidade que vivemos em um mundo cada vez mais conectado por dispositivos tecnológicos. São computadores, smartwatches, tablets, smartphones e, até mesmo, equipamentos que lançam mão de sistemas de inteligência artificial para melhor entender os gostos e preferências de cada usuário.

De fato, não podemos negar que tais dispositivos nos oferecem possibilidades de comunicação, sociabilidade e entretenimento que, até então, faziam parte apenas dos nossos mais férteis devaneios.Diante de um mundo conectado cuja informação, em tese, estaria disponível de modo igualitário para todos aqueles que têm acesso à internet, poderíamos, então, dizer que somos livres para escolher o que, quando e como queremos consumir?

Lamento desapontar, mas acredito que não, e vou explicar o porquê. Embora possamos reconhecer que, por meio da internet, temos mais possibilidades de escolha, uma vez que acessamos informações que antes estavam demasiadamente distantes de nós, por outro lado, é preciso admitir que os conteúdos que consumimos não são resultados apenas da nossa simples vontade, mas também de uma análise criteriosa e constante, por parte das plataformas digitais, as quais passam a monitorar as escolhas que fazemos, as amizades que preferimos, bem como os tipos de conteúdos que mais consumimos.

Na prática, o ambiente digital se tornou foco privilegiado de monitoramento por diversos setores, desde entretenimento até para fins comerciais e publicitários. Quem de nós nunca fez uma rápida busca por um produto na internet e, logo em seguida, começou a receber ofertas sobre aquele mesmo produto? Seria mágica ou, talvez, coincidência? Nenhuma das duas. Tal fato é possível por causa dos já conhecidos algoritmos.

São sistemas que operam em meio a plataformas como Google, Facebook, Instagram, YouTube e outras tantas, rastreando constantemente os nossos modos de consumo e, por consequência, elencando os conteúdos que mais possam nos interessar.

Com o auxílio dos algoritmos e Big Data, o consumidor passou a ser categorizado de modo mais refinado. Ou seja, para além da constituição de grandes segmentos de mercado cuja classificação se baseia em dados mais amplos e genéricos – idade, classe social, profissão, região em que vive etc. -, no ambiente digital busca-se apreender aspectos mais apurados e de toda ordem.

Tipo de esporte preferido, páginas em que navega, links em que clica, buscas realizadas, mensagens que são lidas, formatos de entretenimento prediletos, são alguns exemplos de informações relacionadas à nossa vida cotidiana que, por sua vez, ajudam a alimentar essa complexa estrutura de dados, classificando nossas práticas de consumo em segmentos cada vez mais personalizados.

Portanto, da próxima vez que estiver navegando pela rede, vale lembrar que, mesmo sem nos darmos conta, deixamos informações que certamente serão rastreadas, tratadas, armazenadas e organizadas em segmentos cada vez mais homogêneos de acordo com nossas preferências. É por causa desse cruzamento de dados que recebemos em nossas telas informações que sempre parecem nos interessar. É por isso também que acredito não sermos tão livres assim, pois nossas escolhas são realizadas a partir de uma gama de opções pré-selecionadas de acordo com o perfil de cada usuário.

Além disso, não podemos ignorar as implicações dessa nova ambiência digital. Saber para quais fins, por quem e de quais modos nossas informações serão coletadas e utilizadas, se revelam inquietações que devem ser discutidas e problematizadas pela sociedade contemporânea. Por enquanto, o que está claro é que, na prática, o fato de não pagarmos monetariamente para utilizarmos os sites de redes sociais não significa, em absoluto, que este serviço seja gratuito.

Neste caso, se não há nenhuma cobrança, significa em última instância que o produto é você!

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