Os exilados

Foto: Pexels

Adolpho Queiroz é Secretário de Ação Cultural

Minha homenagem e gratidão hoje vai para o amigo e um dos grandes nomes da literatura local, Ésio Pezzato, sobre quem tive a dolorosa tarefa esta semana de assinar a sua aposentadoria do serviço público municipal. Colaborador ativo da Ação Cultural por muitos anos, com sua criatividade e irreverência, acabou exilado por 16 anos na sua própria terra, sem eira, nem beira, do que fazer naquela pasta. Desrespeitado, humilhado, mas sempre altivo, participando com habilidade nas palavras, declamando Castro Alves e quem mais lhe aprouvesse nos eventos literários da cidade. Participando de forma competente na Academia Piracicabana de Letras, cronista semanal do confrade Gazeta de Piracicaba, membro ativo de várias associações culturais e benemerentes de nossa cidade.

Fui seu ombro amigo, em dias de exílio, dividindo comigo as contradições das suas atividades profissionais das quais foi afastado de forma arbitrária, como era perfil do governo anterior de nossa cidade. Que além dele, exilou a funcionária pública Melysse Martim, para uma biblioteca de bairro, frequentada anualmente por dois solitários visitantes. Hoje ela ocupa o honroso cargo de diretora da nossa biblioteca. A vida, o mundo dão voltas e o exílio para eles acabou.

Certamente com suas presenças no cenário do funcionalismo e da vida pública, a cidade de Piracicaba terá muito o que ganhar e o isolacionismo a que foram submetidos, aos berros, será recompensado daqui por diante com o respeito que lhes trago publicamente por suas atitudes, ideias e contribuições que podem continuar dando à vida cultural de nossa cidade.

Ao autoritarismo de antanho, as urnas de 29 de novembro de 2020 deram um recado importante, sincero e legitimo. Que deve ser respeitado, inclusive pelos que perderam as eleições e mantém uma postura antidemocrática de desrespeito ao voto popular e legitimo da sociedade que os empurrou para fora do poder em nossa cidade. A impetração semanal de ações no Ministério Público para desviar minha atenção não me faz cócegas. Enchem a paciência minha e, certamente dos senhores promotores, dos nossos funcionários, submetidos quase que diariamente a telefonemas, cobranças, assedio nas redes sociais, etc. Insanidade. Mas vou fazendo minha lição de casa, tirando o lixo e os entulhos que recebi como herança, com apoio do prefeito, dos amigos secretários, dos nossos funcionários e,certamente, de grande parte dos fazedores da cultura com os quais tenho tido permanente e respeitoso diálogo.

O projeto do Engenho da Cultura caminha a passos largos para ser uma das maiores marcas da vida cultural da nossa cidade e ninguém vai impedi-lo de prosseguir no seu planejamento para dar novos contornos à vida cultural da terra onde nasci e cresci. Meus pais enterraram o meu umbigo na rua do Porto, quando nasci. E colocarei minha experiência de vida profissional, minhas convicções políticas e minha paciência, em especial, a serviço da minha cidade. Entrei no serviço publico com a marca de um cidadão honesto, trabalhador e sairei dele com a mesma imagem.

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