Os pontos fortes da mulher empreendedora

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Foto: Pexels

O ato de empreender é mais do que apenas abrir um negócio, pois consiste em identificar uma oportunidade de atuação e de lucro. Desse modo, caminha junto com a criatividade, o planejamento e a disciplina. Nesse concorrido cenário, as mulheres empreendedoras ganham destaque, em virtude de sua capacidade de liderança, de organização e de obter sucesso nos empreendimentos. De acordo com a pesquisa internacional Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2018, o Brasil é um dos países com mais mulheres empreendedoras do mundo, e isso indica que a população feminina cada vez mais se empodera e busca seu espaço no mundo dos negócios. As brasileiras se destacam na prestação de serviço liderando pequenas e médias empresas. É preciso ressaltar que, segundo esse estudo, elas representam 51,5% das pessoas que iniciam um novo negócio. No entanto, entre os empreendedores consolidados, ainda são minoria, ou seja, 42,7% em comparação aos 57,3% de homens. A maioria dessas mulheres estão à frente de MEIs ou como sócias de micro e pequenas empresas, representando 98,5% da atuação feminina no mundo dos negócios, de acordo com a Serasa Experian. Nesse sentido, o fato de apenas 0,2% das empreendedoras brasileiras serem sócias de grandes empresas é um indicativo que a discriminação ainda está presente. Isso demonstra os muitos desafios enfrentados pelas mulheres empreendedoras em busca de espaço num ambiente predominantemente masculino.

Um deles é vencer a barreira cultural, visto que a sociedade não incentiva o sexo feminino a assumir posições de liderança e risco. Entre os motivos que levam as mulheres a empreender estão trabalhar com o que gosta, ter maior flexibilidade de horário e conseguir uma renda melhor. Além disso, também buscam inspirar outras mulheres a se aventurarem a abrir o próprio negócio. De maneira geral, as mulheres “possuem como característica natural maior sensibilidade, maior empatia, comprometimento, vontade de ajudar”, aponta a referida pesquisa, o que facilita o relacionamento com clientes, parceiros, comunidade, entre outros. O empreendedorismo feminino renova o cenário empresarial com peculiaridades que impactam positivamente o dia a dia dos negócios, por exemplo, com o estímulo à equiparação de direitos entre os sexos. Ademais, causa também um impacto positivo econômico e social nas comunidades em que se insere. Ao verificar qual o perfil das mulheres empreendedoras, observa-se que, conforme pesquisa realizada pela Rede Mulher Empreendedora (RME) 2018: três em cada dez negócios comandados por mulheres representam o sustento único da família; a maior concentração está no setor de serviços (69%), seguido de comércio (25%); 32% dessas mulheres são MEIs, 23% são microempresárias e 19% ainda estão na informalidade; quanto ao faturamento, apenas 45% dessa população tem rendimentos acima de R$ 50 mil e 46% faturam até 5 mil; 60% não têm sócios e 37% empregam apenas mulheres; 37% iniciaram seu empreendimento sem capital inicial e não procuraram empréstimos bancários; 86% das empreendedoras não fizeram um planejamento antes de iniciar um negócio.

Entre as muitas mulheres empreendedoras inspiradoras, não posso deixar de mencionar três que, no meu entender, buscam inovação nos setores em que atuam. A primeira delas é Heloísa Helena Assis, conhecida como Zica. De atendente do McDonald’s, veio a liderar o instituto de beleza que há mais de duas décadas forma filas na porta. Com a intenção de desenvolver produtos de qualidade voltados para cabelos crespos, cacheados e ondulados, Zica fez um curso de cabeleireira e usava esse espaço para testar os produtos que mais geravam resultados nesses tipos de cabelo. Percebendo a falta de produtos adequados no mercado e o interesse das conhecidas, em 1993, uniu-se a três amigas para abrir um salão especializado em cabelos crespos e ondulados, o Instituto Beleza Natural. Além do atendimento, o empreendimento também foca a formulação de produtos próprios para esse nicho de mercado. Zica foi reconhecida como uma das dez empresárias mais poderosas do País, de acordo com a Forbes. Outro destaque é Sônia Hess, da Dudalina, maior exportadora de camisas do Brasil. Única mulher entre 12 irmãos, assumiu os negócios da família iniciados em 1957. A empresa começou quando Seu Duda, o pai, comprou tecido em excesso para a venda, o que representaria um prejuízo se não fosse Dona Lina, que, demonstrando empreendedorismo ao ver uma oportunidade numa situação difícil e aparentemente sem solução, usou as sobras para fazer novas camisas, que começaram a ser vendidas rapidamente no negócio da família. Por último, cito um dos maiores exemplos de empreendedorismo e de empresas lideradas por mulheres no Brasil: Luiza Helena Trajano, presidente da Magazine Luiza, loja que teve início no interior de São Paulo com os tios da empresária. Ao assumir a loja na década de 1990, fez com que o negócio se expandisse nacionalmente. Os bens financeiros de Luiza ultrapassam R$ 1 bilhão, motivo pelo qual foi incluída em uma seleta lista de empreendedores de sucesso bilionário. Além de referência como empresária, ela se destaca pelas políticas de inclusão e incentivo ao empreendedorismo feminino, e isso empodera outras mulheres. O que há em comum entre essas marcantes empreendedoras? Certamente, há muito em comum, sendo destacados seus pontos fortes na liderança, no fortalecimento da diversidade, na criatividade e na inovação, os quais são atualmente fatores essenciais para os negócios se manterem competitivos.

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