Pacheco sobre ameaças de Bolsonaro: quem defender retrocesso será ‘inimigo da nação’

(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Sobre a possível adoção do voto impresso, defendida por Bolsonaro, Pacheco disse que essa questão será definida pelo Congresso

Diante da escalada nas ameaças do presidente Jair Bolsonaro às eleições do ano que vem, o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), reagiu nesta sexta-feira, 9, com um duro recado ao chefe do Executivo. Pacheco disse que não aceitará ataques à democracia. “Todo aquele que pretender algum retrocesso ao estado democrático de direito, esteja certo, será apontado pelo povo brasileiro e pela história como inimigo da nação”, afirmou, em referência ao que chamou de “especulações sobre 2022”.

Sobre a possível adoção do voto impresso, defendida por Bolsonaro, Pacheco disse que essa questão será definida pelo Congresso, e não pelo Executivo e nem pela Justiça. Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema está em discussão na Câmara.

“Sem ataques a pessoas, mas com discussões de ideias. A decisão que houver por parte do Congresso, primeiro pela Câmara e depois pelo Senado, haverá de ser respeitada por todos no Brasil”, afirmou Pacheco.

Pacheco foi enfático ao defender a independência e as prerrogativas dos parlamentares e ao dizer que “não podemos admitir qualquer fala ou ato que seja atentatório à democracia”. “Eleições são realidade no Brasil e são inegociáveis”, disse. “Frustração das eleições é algo que o Congresso não concorda e repudia”, completou.

Pela manhã, em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, Bolsonaro fez um ataque ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, que é contrário ao voto impresso. “Um imbecil”, disse Bolsonaro em referência a Barroso. “Lamento falar isso de uma autoridade do Supremo Tribunal Federal. Um cara desse tinha que estar em casa”, disparou.

Aos apoiadores, o presidente fez uma ameaça de que as eleições do ano que vem podem não ocorrer caso a medida não seja adotada. Ele atribuiu a Barroso articulações políticas junto ao Legislativo para barrar a aprovação da PEC do Voto Impresso, de autoria da deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF). A votação da proposta na Comissão Especial da Câmara, que analisa o assunto, estava prevista para ontem, mas foi adiada para o próximo dia 15.

“Não tenho medo de eleições, entrego a faixa para quem ganhar, no voto auditável e confiável. Dessa forma, corremos o risco de não ter eleições no ano que vem, porque o futuro de vocês que está em jogo”, disse.

Independência dos parlamentares

Rodrigo Pacheco também afirmou que o Congresso não vai admitir nenhum atentado à independência e à prerrogativa dos parlamentares. O comentário, em coletiva de imprensa, foi feito em reação ao presidente Jair Bolsonaro, que xingou senadores em meio às investigações da CPI da Covid.

“Quero aqui afirmar a independência do Parlamento brasileiro, a independência do Congresso Nacional, composto pelas duas Casas, o Senado Federal e a Câmara dos Deputados, que não admitirá qualquer atento à esta sua independência e sobretudo às prerrogativas dos parlamentares”, afirmou o presidente do Senado.

Na coletiva, ele reforçou a separação e a independência dos Poderes, no momento em que Bolsonaro desafia o sistema eleitoral e critica parlamentares que têm adotado uma postura crítica à condução da pandemia do novo coronavírus. Na fala, o presidente do Senado reforçou a importância da preservação do Estado Democrático de Direito, enfatizando que não admite “qualquer fala ou ato que seja atentatório à democracia.”

Agência Brasil

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