Pacientes graves de covid-19: a difícil e demorada recuperação

Benedita e seus filhos foram infectados da forma mais grave. (Foto: Amanda Vieira/JP)

A batalha pela vida que cada paciente diagnosticado com a covid-19 trava ao apresentar complicações da doença envolve um longo processo de recuperação para ter de volta o fôlego e a força perdidos, além do bem-estar psicológico pelo medo de transmitir o vírus a pessoas amadas.


Andrea Natalia de Toledo Magrini, 25, assessora comercial; Benedita Fátima de Toledo, 60, técnica de enfermagem (filha e mãe); e Ricardo Barriquelo, 45, motorista autônomo, têm em comum nas últimas semanas exercícios diários de respiração, mesmo com complicações diferentes pela covid-19. Elas precisaram ser intubadas e passaram cerca de um mês na Santa Casa de Piracicaba. Ele ficou internado por pouco mais de uma semana com oxigênio no Hospital Regional. “Mesmo depois de uma semana [de alta] ainda a gente fica bem fraco, perdi muito peso. Qualquer exercício já sente o cansaço. Não estou com a capacidade total de respiração”, relata Barriquelo, que está em isolamento em casa e enfatiza a importância de buscar cuidado médico o mais rápido possível ao apresentar os sintomas.

Já com alta desde 9 e 16 de junho, Andrea (que tem problema pulmonar) e Benedita, respectivamente, estão em uma chácara em São Pedro, onde encontram ar puro e também estão isoladas.


Foto: Amanda Vieira/JP

“Quando fui extubada […] eu estava sem movimento, não conversava, não movia nada, aí começaram os procedimentos de fonoaudiologia e fisioterapia. […] Quando voltei, bateu um desespero, porque você sabe que fazia tudo isso antes. […] Pensava demais que eu não ia conseguir voltar a fazer coisas simples do dia a dia”, relata Andrea, que no segundo dia após a extubação recebeu a notícia de que a mãe estava intubada no quarto em frente ao seu. “A parte psicológica fica arrasada, tudo dá medo. […] Realmente a parte psicológica da gente tem que ser tratada”, comenta.

A força de Andrea para falar e se mexer retornou de forma gradual ainda no hospital com o trabalho da fisioterapia e da fonoaudiologia. Foram 16 dias de intubação. Eram exercícios simples, como fazer o som de abelha, segurar uma garrafa ou se sentar, mas que requeriam uma força descomunal. “A gente perde muita massa branca, que nos dá força”, explica.

Pelo tubo, as pregas vocais de Andrea tiveram algumas danificações. Por isso, faz acompanhamento com pneumonologista e otorrino, também voltou a usar ‘bombinha’ para asma e falta de ar e tratamento para reniti e sinusite, que atacaram depois da intubação.

Além da filha Andrea, dona Benedita também precisou enfrentar a internação de outros dois filhos, Sara e Alfredo, pela covid-19. A mãe foi internada no final do período dos sintomas da doença, que não sentia, por queda na saturação e ficou 11 dias intubada. “Eles acham que o meu foi emocional, que eu caí mesmo por causa do emocional”, lembra Benedita, que ainda sente fraqueza e dificuldades para respirar. “Mesmo que você queira fazer as coisas, a gente não consegue, porque a perna ainda é fraca, os membros todos são fracos. ‘Tendo canseira, deita’, a médica falou, deita”, conta, lembrando que faz os exercícios de fisioterapia em casa e que fará ainda acompanhamento com fisioterapeuta e fonoaudiologia após a quarentena.

Sara, outra filha da dona Benedita, continua internada e precisou passar por uma traqueostomia para conseguir respirar. Na última quinta-feira (25), deixou a UTI. Mais uma vitória para a família.

Andressa Mota