Pagamento por reconhecimento facial nos supermercados

Por Antonio Carlos Giuliani

O dinheiro em espécie já foi a principal forma de pagamento, depois surgiram os cartões de débito e de crédito e, mais recentemente, as carteiras digitais com QR Code. As formas de pagar produtos e serviços evoluíram muito e agora já vivenciamos o pagamento por reconhecimento facial sendo utilizado também em supermercados. Com essa modalidade de pagamento, em breve, não precisaremos sair de casa com cartão, dinheiro físico e nem com o celular. Tal modalidade emprega a tecnologia de reconhecer rostos para validar a transação. Assim, em vez de utilizar senha, QR Code ou digital, o usuário aponta o rosto para a câmera do caixa para finalizar a transação. Em outras situações, como ocorre com pagamento mobile, o usuário direciona a câmera do celular para o seu rosto e, desse modo, finaliza o processo de sua compra. Na China, já é utilizada em estabelecimentos e vem sendo estudada para pagamento no metrô. O objetivo é transformar a ocasião de pagar as compras em um ato prático e rápido. No Brasil, o reconhecimento facial é usado pelo iPhone para desbloqueio do aparelho e para acessar os aplicativos. Alguns bancos digitais, como o Nubank e o Banco Inter, valem-se desse recurso para criar as contas bancárias dos usuários. A dúvida frequente é se ele é seguro. Em diversos estudos, tem demonstrado que sim, pois aplica a comparação para identificar os rostos, os quais precisam ser cadastrados para os usuários poderem utilizar essa tecnologia. Isso possibilita que, ao utilizar a câmera para efetuar o pagamento, ela escaneie o rosto do cliente e o compare com outras fotos de faces armazenadas no banco de dados. Após a imagem escaneada ser conferida 100%, o pagamento é realizado. Para que o reconhecimento facial seja seguro, deve-se certificar se está sendo empregada tecnologia sofisticada. Em parceria com a empresa Mastercard e a startup de tecnologia Payface por meio do programa Biometric, a rede de supermercados St Marche da cidade de São Paulo inicia a estratégia de pagamento por identificação facial. O projeto atingirá 40 pontos de venda e será implementado nas unidades dos bairros Rebouças, Itaim, Brooklin, Moema Pavão e Moema Jauaperi. A fim de começar a se identificar e a pagar mediante reconhecimento facial, o usuário precisa baixar o aplicativo da Payface em seu celular e cadastrar seu rosto e formas de pagamento. No momento em que for fazer suas compras, ele deve se posicionar em frente de um dispositivo instalado no caixa e fazer sua identificação com o rosto no início do processo de checkout. Com a identificação validada pelo sistema, o atendente confirma o valor e finaliza a compra com a autorização do cliente. Todo o processamento é feito sem necessidade de cartão ou de qualquer outro acessório. Usando apenas o rosto, o consumidor poderá se identificar no programa de fidelidade do St Marche e ter acesso a ofertas e a benefícios exclusivos. O projeto com essa rede de supermercados faz parte do programa global da Mastercard, o qual permite que bancos, varejistas e provedores de tecnologia garantam a privacidade de dados pessoais ao oferecerem meios de identificação por biometria sem toque, como o reconhecimento facial. Com todo esse avanço, a questão da privacidade permanece no ar. Como garantir que dados e imagens armazenados pelos estabelecimentos não sejam compartilhados com terceiros? Essa é uma pergunta para a qual ainda não há resposta, pois o princípio da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) somente garante que os dados dos usuários não sejam compartilhados para fins além dos que foram estabelecidos. Além disso, o tratamento de dados não pode ser realizado para fins discriminatórios ilícitos ou abusivos.

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