Pais de “1ª viagem” celebram o primeiro Dia dos Pais na pandemia

Na pandemia, Pedro não vai apresentar a filha ao pai, mas agradece por estar em casa com a bebê (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Cuidar e proteger os novos serzinhos que chegam ao mundo já são tarefas desafiadoras em dias ditos como “normais”. Em meio à pandemia, então, esse desafio se alonga. Mas nada que o amor incondicional desprendido aos bebês não possa transformar esse momento. É com esse sentimento que papais de primeira viagem celebram hoje o Dia dos Pais.


“Ser pai é o privilégio que temos de descobrir o que é amar uma pessoa mais do que a nós mesmos. É ver que desde o primeiro minuto você tem a mais bela missão que é amar, proteger e cuidar sem limites. É assim que tento ser desde o primeiro instante que a Manu veio ao mundo”, relata o administrador Pedro Paulo Guedes, pai da Manuela, de 50 dias.

Pela pandemia, Pedro não poderá apresentá-la ao pai – que mora em outra cidade e ainda não a conhece pela necessidade do distanciamento social. “Esse ano teremos que usar todas as ferramentas eletrônicas para nos aproximar, mas sabemos que assim que tudo isso acabar poderemos celebrar da maneira que gostamos”, comenta.

Assim como pelo distanciamento precisa ficar longe do pai, com ele Guedes ganhou também a possibilidade de ficar mais próximo da primogênita, uma vez que passou a trabalhar em casa. “Olhar para um ser que acabou de chegar em meio ao caos que estamos, sem ter noção do que está acontecendo, renova nossas energias e nos enche de esperança de um futuro melhor e breve!”, torce.

Médico veterinário, o pai do João Pedro, de 60 dias, Pedro Luis Trevizan Justolin, vai celebrar o seu primeiro Dia dos Pais com uma ambivalência de sentimentos. A felicidade de estar com o bebê transborda, mas a saudade do pai, que faleceu em março deste ano, também está presente.

Assim como seu pai foi para ele, Pedro quer ser o melhor amigo do João (Foto: Arquivo Pessoal)

“Temos que saber tirar o lado bom das coisas e levar a vida com leveza. Tenho certeza que ele está olhando e cuidando de mim e do meu filho, com muito orgulho do pai que estou sendo e de passar tudo o que aprendi com ele para meu filho. Meu pai sempre foi meu melhor amigo e é isso que quero com o João Pedro”, comenta Justolin.

A possibilidade de mais presença nos primeiros dias do filho também é uma dádiva que Justolin tem cultivado. “Estou muito feliz em comemorar esta data e, como não podemos nos reunir, vamos passar o dia todos juntos em casa. É o meu maior presente. Vou dar banho, trocar a fralda, conversar com ele, dar banho de sol, como sempre faço e amo”, comemora.

O jornalista Iuri Botão, pai da Elis, de 10 meses, não teve a oportunidade de ficar mais tempo com a filha assim que ela nasceu. Mas celebra – em meio ao paradoxo deste momento – o privilégio de poder trabalhar de casa e agora passar cada minuto ao lado da bebê. “Tem proporcionado a licença paternidade que todos os pais e mães deveriam ter em condições normais. É um paradoxo enorme, de um lado o pesadelo pelas mazelas que vejo no mundo e, principalmente, no Brasil, e de outro o sonho de estar com a minha filha todos os dias”, analisa.

Iuri e Manu vão passar o dia ainda mais conectados. (Foto: Leon Botão/Arquivo Pessoal)

Como cada minuto é valioso no desenvolvimento de uma criança, nesse Dia dos Pais, Botão vai intensificar ainda mais a presença. “Nunca fui tão ligado em datas comemorativas, no sentido de presente. Mas sim de presença. Como já tenho estado com a Elis todos os dias, a expectativa é mais de não pegar no celular ou computador para nenhuma demanda externa, e ter toda a minha atenção só pra ela nesse dia”, explica.

Andressa Mota