Paixão por literatura de Thales incentiva doação de relíquias

Livro Saudade, escrito em 1917 e lançado em 1919 já conta com mais de 90 edições (Foto: Amanda Vieira/JP)

Na década de 1960, Thales Castanho de Andrade já era um nome de muito prestígio na literatura nacional, com um currículo ímpar e prêmios acumulados de tantas obras. Em 1967, lançava a 56ª edição do livro ‘Saudade’, pela Cia. Editora Nacional, e foi um ano depois que a piracicabana Theresa Bonsi, então funcionária da extinta Livraria Pilão, conheceu o escritor em uma das tantas sessões de autógrafos no local. Ao todo, conseguiu, na sequência, autografar seis, os mesmos livros que recentemente ela doou à APL (Academia Piracicabana de Letras).

Apesar do enorme apreço às relíquias, Theresa pensou no coletivo para se desapegar deles. “Doei porque tenho paixão por Thales e pelos livros e doei para quem vai cuidar para que eles nunca sejam esquecidos”, conta emocionada. Os livros foram entregues à Ivana França de Negri, integrante da APL. Theresa leu um artigo da escritora sobre Thales de Andrade na imprensa local e, então, percebeu que seus livros autografados já tinham as mãos certas.

Os seis livros doados são Saudade, Cafezal assim, sim!, Ensinando a Constituição, Itaí, na Cidade Maravilhosa , Itaí, o Menina das Selvas e a coleção Encanto e Verdade, adquiridos nos tempos do Pilão, todos eles de capa dura. “Li todos e as crianças precisam mesmo ler Thales de Andrade. A literatura dele tem valores universais. Deveriam ler e querer fazer uma viagem como fez Itai; se emocionar com Saudade”, fala Theresa.

E até hoje ela lembra de como era Thales. “Uma pessoa tranquila, de fala mansa, educado e que demonstrava muita sabedoria”. Naquelas sessões de autógrafo, Theresa também lembra que era frequentada por “gente importante” da cidade, como membros da família Dedini, o jornalista Cecílio Elias Netto e o Dr. Losso Netto.

A receptora da doação, a escritora Ivana, que por tantas vezes jogou luzes sobre a obra de Thales em suas escritas na imprensa, se identifica bastante com o ilustre piracicabano. “Também gosto de escrever para crianças, pois elas representam a construção do futuro. Por isso há que se resgatar seu legado, para que as novas gerações se encantem e aprendam também. E isso a Academia Piracicabana de Letras e o Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba estão fazendo, junto com outras instituições”.

Erick Tedesco