Pandemia intensifica trabalho social voluntário em Piracicaba

Grupo de voluntários se une e se dedica em prol de pessoas em situações de vulnerabilidade social (Foto: Divulgação)

A pandemia causada pelo novo coronavírus evidenciou casos de pobreza extrema em todo país. Com o isolamento social e, consequente, com a necessidade de ficar em casa, houve um aumento no número de pessoas em situações de vulnerabilidade socioeconômica.

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a taxa de desempregados em 2021 poderá alcançar seu maior nível, com previsão de média de 14,6%.

Há pelo menos 20 anos, a assistente administrativa, Jacqueline Mendes Barbosa, 37, mantém trabalhos voluntários nas comunidades de Piracicaba. Ela conta que foi acompanhada do pai, quando ainda era criança, que teve seus primeiros contatos com a ajuda humanitária. “Eu me recordo quando começamos lá na comunidade Cantagalo, em uma época onde não existia nem asfalto, era tudo barro e as casas eram feitas de madeira e papelão”, conta.

A atuação de Jacqueline Mendes beneficia atualmente cerca de 40 famílias necessitadas, não apenas com alimentos, mas com diversos tipos de doações. “Muitas vezes as famílias recebem o alimento, mas não tem sequer onde preparar, pois faltam utensílios básicos, como talheres, pratos e até mesmo panelas, é por isso que eu falo para as pessoas que recebo qualquer tipo de doação”, ressalta.

Trabalho voluntário de Jacqueline Mendes Barbosa (foto: arquivo pessoal)

Uma das moradoras do Cantagalo, contou a Jacqueline sobre um fogão comunitário, produzido de forma artesanal pela própria comunidade para uso coletivo, mas que hoje já foi desmontado. De acordo com ela, muitas famílias não tem condição de pagar por um bojão de gás, necessário para o preparo das comidas.

“É importante ressaltar também que no período de início da pandemia, apareceram muitas pessoas querendo contribuir com doações, mas essa euforia passou após os primeiros quatro meses e, atualmente, está cada vez mais difícil encontrar quem nos ajude”, relata.

Para dar continuidade nos trabalhos, Jacqueline Mendes hoje conta com uma ajuda muito especial, a quem ela atribuiu o cargo de sua “secretária”, a pequena Maria Clara, sua filha de apenas 5 aninhos que a acompanha nas doações. “Começou na minha vida assim, acompanhando meu pai e hoje eu passo isso para ela que adora me acompanhar nas comunidades”, enfatiza, Jacqueline.

A voluntária diz que no futuro, almeja que seja possível mobilizar mais pessoas com o voluntariado e, com isso, alcançar mais famílias que esperam por esse auxílio.

Jacqueline Mendes Barbosa com sua filha Maria Clara, saindo juntas para fazer entrega de doações (foto: arquivo pessoal)

Exército de Formiguinhas

O trabalho comunitário também esteve sempre presente na vida de Débora Ferraz. A organizadora de eventos conta que já era envolvida com trabalhos sociais de maneira voluntária, mas, foi no início de março de 2020, quando todos os seus trabalhos como organizadora foram cancelados pela pandemia, que ela intensificou as ações sociais.

Atualmente Débora coordena o grupo Exército de Formiguinhas, uma organização voluntária que promove trabalhos sociais para famílias carentes de Piracicaba. O projeto conta com a ajuda de 25 voluntários, que desenvolvem trabalhos em 24 comunidades locais.

Grupo Exército de Formiguinhas (foto: arquivo pessoal)

“No começo eu só atendia a comunidade Frederico, Bosque dos Lenheiros e o Gilda, porém muitas lideranças começaram a entrar em contato comigo, pedindo ajuda, aí fomos expandidos para outras comunidades”, explica.

Até o momento, o grupo já arrecadou e distribui 9.509 cestas básicas, 3.807 kits de higiene, além de diversas máscaras, cobertores e outros itens de primeira necessidade.

Para Débora, ações filantrópicas são primordiais no momento atual. “A fome não está só nas comunidades, muitas pessoas perderam seus empregos e suas rendas nesse período de pandemia. Nosso trabalho também atende cerca de 18 famílias aleatórias”, ressalta.

Equipe do Exército de Formiguinhas entregando doação. (foto: arquivo pessoal)

Além das doações, outras atividades estavam programadas pelo Exército de Formiguinhas para acontecer nas comunidades, como oficina de costura na comunidade Pantanal, uma horta comunitária na comunidade Renascer e um projeto voltado ao esporte na comunidade Vera Cruz, mas, por conta da pandemia, só serão retomadas quando as normas de restrições para contensão da covid-19 permitir.

“A frase que me move é a seguinte: uma formiguinha sozinha é apenas um inseto indefeso, mas com seu formigueiro é a força da natureza!”, conclui Débora.

Pedro Martins

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