Pandemia muda costumes e afasta pais e filhos dos abraços

Médico Sérgio Pacheco com os filhos (Amanda Vieira/JP)

A pandemia de covid-19 tem mudado o comportamento das pessoas. O medo de levar o vírus para casa reforçou os cuidados pessoais e atenção extra na hora de voltar para a família e economizou muitos beijos e abraços. Os profissionais que atuam na linha de frente do combate ao novo coronavírus sentem na pele a dificuldado de evitar o abraço carinhoso do filho após um cansativo dia de trabalho.

Médico Sérgio Pacheco ficou 150 dias sem abraçar os filhos (Amanda Vieira/JP)

Quem viveu e vive de perto essa situação é o cardiologista Sérgio Pacheco que é coordenador do Setor de Covid da Santa Casa e rotina na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Santa Isabel. Ele ficou 150 dias sem dormir no seu quarto, sem beijar sua esposa e evitar os abraços dos quatro filhos de 10, 5 e os gêmeos de 4 anos. No período usou 400 máscaras mesmo dentro de casa. Mas todos os cuidados não impediram do diagnóstico positivo da doença. “Durante a carreira que escolhi sempre trabalhei no olho do furação exposto à uma série de microorganismos e superbactérias. Mas quando foi confirmado com a covid pensei se os quase quatro meses que fiquei longe das crianças e minha esposa valeram a pena, diante da incerteza do que estava por vir. Meu medo era passar a doença para minha família, colegas ou qualquer pessoa”, afirmou o médico.

Pacheco ficou em isolamento e depois de confirmar que já não transmitia mais a doença, ode finalmente receber o abraço de seus filhos. Para ele foi um renascimento durante a dura batalha contra a covid-19, mas ele venceu!

FILHOS

Para ele, ser pai de quatro garotos é uma alegria. Os gêmeos são os mais arteiros, além de ser idênticos, se comunicam pelo olhar e se protegem sempre. A diferença de idade entre eles o irmão do meio é de apenas um ano e três meses.

Por enquanto, seu domingo do Dia dos Pais ainda é uma incerteza, pois como é coordenador no hospital, ele pode ser chamado a qualquer momento para substituir um colega. Para garantir um tempo a mais com a família prefere garantir um churrasco íntimo no sábado.

Já para o enfermeiro Devandro Santos, que trabalha na Santa Casa, o domingo vai ser de muita comemoração. Será o primeiro Dia dos Pais que passará com a sua filha de 1 ano. No começo da pandemia, ele ficou separado da família por 60 dias, principalmente para preservar sua filha, que nasceu prematura aos sete meses e precisou ficar internada 48 dias na UTI. “Entendíamos da fragilidade de sua saúde caso contraísse a covid. Durante o tempo que ficamos afastados nos víamos por videochamada e algumas vezes ficava somente no portão. Era impossível controlar a emoção. Nosso domingo será muito especial”, comentou Santos.

Enfermeiro Devandro Santos vai passar o primeiro Dia dos Pais com a filha (Arquivo Pessoal)

O diretor do CDP Nelson Furlan de Piracicaba Maurício Arantes Romero Gonçalves é pai de gêmeos de seis anos. Ele administra um presídio com a população carcerária de 1,1 mil pessoas. Por enquanto, não registram casos da doença na unidade e tomam todas as medidas de prevenção e higiene para ficarem longe da doença. “Em casa, reforço os cuidados, não compartilhamos determinados objetos e uso um banheiro individual em casa. Ficar ao lado da familía e cuidar dela é nosso principal objetivo”, afirmou Gonçalves.

O cabo da Polícia Militar Vítor Souza Lopes, que atua na Rocam (Ronda Ostensiva Com o Apoio de Motos) é pai da Maria Eloísa, de 5 anos. Apesar de todos os cuidados necessários como a higienização das mãos e veículo, uso de máscaras, sua rotina de trabalho necessitam que tenham uma exposição maior, como abordagens, prisões, entre outros.
Sua filha ficou 40 dias na casa da mãe durante o início da pandemia e, aos poucos, foram retornando à rotina, mas os abraços e beijos com a filha diminuíram.

Cabo Lopes, da PM, acompanhado da filha (Arquivo Pessoal)


Devido à carreira que escolheu já está acostumado a passar as datas comemorativas longe da família. “Assim, como a do Dia dos Pais, não deixamos de comemorar, porém no dia subsequente ao trabalho”, afirmou.
O subcomandante da Guarda Civil Ronaldo Milani é pai de duas filhas de 24 e 32 anos e tem três netos de 4 anos, 1 ano e seis meses e 1 ano.

Milani, subcomandante da Guarda Civil, com os netos (Arquivo Pessoal)


“A rotina não tem sido fácil, tomo todos os cuidados necessários, pois meus netos ficam em casa com a minha esposa, já que minhas filhas precisam trabalhar e não têm creches nesse período”, disse Milani. “Vamos comemorar o Dia dos Pais com restrições e economia nos beijos e abraços.”
O diretor do CDP (Centro de Detenção Provisória) de Piracicaba, Maurício Gonçalves é pai de gêmeos de 6 anos. “Em casa estamos tomando todos os cuidados, pois a família é nosso bem mais importante”, afirmou.

Cristiani Azanha

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