Pandemia tira do papel negócios que já são sucesso

Crise sanitária consolidou o home office e acentuou a criatividade em muitas pessoas que projetavam empreender e decidiram começar sem medo

O que faz com que as empresas não contratem estagiários? Porque o mercado de marcenarias ainda é pouco desenvolvido no campo orçamentário? Porque não ser o momento da pandemia o tempo certo de ousar. As duas primeiras perguntas foram feitas por novos empreendedores que tinham me mente encontrar no mercado um espaço para desenvolver ideias e o seu jeito de fazer as coisas. A terceira, foi uma questão comum a ambos os cases de sucesso que a pandemia produziu. Negócios surgidos em Piracicaba e que, pelo avanço digital, já não se limitam ao território.

Fabio José Ricci é o empreendedor e CEO da Estágio Total, que ele define como um agente de integração e intermediação da contratação de estagiários, por meio de parcerias com empresas, escolas e estudantes. A ideia surgiu da experiência de 20 anos no mercado em que percebeu a necessidade de desenvolver um processo mais ágil, personalizado e humanizado. “A proposta é ser um elo entre estudantes, empresas e instituições de ensino, criando oportunidade para que os estudantes, que chamo de talentos, desenvolvam na prática o que aprendem na teoria, experimentando a vivência em ambientes profissionais que privilegiam suas aptidões”, explica.

A motivação de fazer do seu jeito, mas tendo a plena consciência e percepção da real necessidade dos meus clientes levaram ao novo negócio que surgiu com força durante a pandemia e que vinha sendo projetado há dois anos. “Com a chegada da pandemia e com o trabalho home office, percebi que ainda assim, dentro dos processos que imaginava, era possível iniciar esse projeto. A pandemia e a quarentena permitiram refletir outros aspectos da vida e fortalecer aquilo que é importante. Colocar em prática um sonho abre novas possibilidades”.

A queda na geração de empregos no período da pandemia, ao contrário do que aconteceu e outros negócios, foi fundamental para estimular a empresa. Se antes da pandemia, Ricci já se questionava como não contratavam estagiários, abrindo mão dos benefícios legais de isenção de impostos e encargos trabalhistas, com a crise este questionamento ganhou força. “Nenhuma crise dura para sempre, é geralmente cíclica. As empresas vão se reestruturar, as pessoas continuarão buscando recolocação no mercado, novas empresas surgirão e esse ciclo abre oportunidades para todos”, aponta, destacando ainda a missão social do negócio ao facilitar ao estudante a entrada no mercado de trabalho.

TEM MULHER NA MARCENARIA
Paula Dutra e Luciana Góes são mulheres inquietas e com espíritos empreendedores tão latentes que já a fizeram circular por projetos inusitados. Depois de passarem pela ideia de um site que tinha a proposta de, entre outras coisas, encerrar um relacionamento para quem não tivesse esta coragem, se aproximaram do setor da construção civil, mais especificamente da marcenaria.

Paulinha, como é conhecida, uma bem-sucedida corretora de imóveis, colocou literalmente a mão na massa para conhecer o mercado. Hoje, monta móveis planejados, estabelecendo parcerias com arquitetos, projetistas e marceneiros. E Luciana, servidora pública municipal e especialista no programa de planilhas Excell, além de dar aulas particulares na sua emrpesa Excell Corporativo nas suas horas fora da prefeitura, debruçou-se para buscar uma solução para um problema que Paulinha identificou: o pouco preparo dos marceneiros, principalmente os pequenos, em elaborar orçamentos e retirar do negócio a melhor lucratividade. Da união das experiências de ambas nasce a Lupa Moveleira, resultado do desejo valorizar o incentivo ao desenvolvimento individual e buscar a evolução e excelência profissional.

A empresa comercializa pela internet planilhas de orçamento e gestão para marcenarias, executa cálculos de custos de forma direcionada e configura o software Promob, específico para o setor, para plano de corte e uso de serviços terceirizados, o que envolve o planejamento para corte, colagem de fita de borda e usinagem. Paula Dutra contra que a ideia surgiu nos encontros com os colegas de profissão. “Nesses encontros, eu sempre comentava sobre a planilha para orçamentos de sua marcenaria elaborada junto com Luciana e percebia o interesse dos parceiros em adquiri-la”.

Em 2018 a venda da planilha se tornou uma oportunidade de negócio foi aperfeiçoada e, absorvendo as necessidades dos clientes que também precisavam compreender os custos de todo o processo de fabricação. “Com isso ampliamos as atividades para gestão de pequenas e médias marcenarias”, conta Luciana.

Para estas mulheres que ousaram empreender num campo predominantemente masculino, a pandemia afetou positivamente a ascensão do negócio, já que a construção civil foi um dos poucos negócios que não foram paralisados. “O volume de trabalho de marcenarias aumentou e, devido à pandemia, a crise estimulou as pessoas a repensarem sobre o negócio e quererem organizar a parte financeira para não ‘quebrar’. Com isso, a Lupa Moveleira se expandiu para outros estados do país”, conta Luciana.

Para o ano de 2021 e 2022, os projetos são tão audaciosos quanto estas duas empreendedoras. A ideia é transformar todas as planilhas de gestão, fluxo de caixa e orçamento e um sistema único onde as marcenarias conseguirão, de forma objetiva, administrar seus negócios e acompanhar a gestão para tomadas assertivas das decisões. Alguém duvida que elas alcançarão seus objetivos?

Especial Piracicaba 254 anos

LEIA MAIS

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite o seu comentário!
Por favor, entre com seu nome

cinco × 4 =