Para passar pela quarentena, idosa monta rotina diversificada

Saúde física e mental são essenciais para manter o equilíbrio e a imunidade alta (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Apesar do distanciamento social, Marta Silvestre, 66, não deixou diminuir o ritmo durante a quarentena. Seus dias são compostos pelos cuidados com a gata que adotou no início da pandemia (que para sua surpresa estava prenha de quatro filhotes que já estão com 5 meses de vida), atividades do projeto Estação Idoso, da Prefeitura de Piracicaba e auxiliar a mãe, 89, e a vizinha, 79 – já que é a mais nova das três.

Marta representa bem a conclusão da pesquisa Idosos no Brasil II, do Sesc São Paulo, sobre como os pertencentes à “melhor idade” se veem. De acordo com o levantamento, apenas 40% dos entrevistados, no primeiro trimestre deste ano, com mais de 60 anos afirmaram que “se sentem idosos”.

“Sou frequentadora da Estação Idoso e as atividades pararam, mas continuam por WhatsApp e tenho acompanhado. Faço a ginástica diária, procuro responder os textos e, no artesanato, tenho dedicado ao crochê”, relata Marta. “Sou síndica de um prédio e com a covid-19 tive que implantar mudanças. No mais, tenho minha mãe e uma vizinha que auxílio nas compras e necessidades. Tenho usado máscara, álcool em gel, mantenho minha casa sempre desinfectada”, complementa.

Ao manter a rotina ativa tomando os cuidados, Marta consegue cultivar saúde física e emocional, diminuindo as chances de baixa imunidade.

A gestora da medicina preventiva da Unimed Piracicaba, Luciane Furlan Theodoro, afirma que é preciso garantir aos idosos bem-estar físico e psicológico durante a quarentena, com uma alimentação saudável e atividades físicas adaptadas “para que eles consigam passar por todo esse período de uma maneira plena e saudável”, comenta.

O objetivo do Estação Idosos, inclusive, é promover a convivência e fortalecer os vínculos. Desde março, o WhatsApp é usado para envio de aulas de artesanato, terapia ocupacional, coral, ginástica cerebral e atividades físicas.

Para a coordenadora do projeto, Iriana Libardi, os participantes têm relatado a importância das atividades para atravessar a quarentena.

“Estamos conseguindo, de alguma forma, atender nosso público e ainda garantir a convivência comunitária, porque eles mostram a atividade um para o outro, conversam, mantém a mente ativa”, conta.

PRATO COLORIDO
A qualidade de vida e a manutenção da boa imunidade passam necessariamente pela cozinha e exercícios físicos, além de outras atividades para distração, fortalecimento da memória e manutenção dos vínculos emocionais.

Para isso, Luciane orienta que o prato dos idosos seja colorido, repleto de frutas, legumes e verduras. “Nesses alimentos, temos muitos com poder antioxidante, que ajudam na imunidade. Aí entram todos os leques de vitaminas”, diz.

A médica recomenda ainda o consumo de carboidratos integrais e de proteínas, além de evitar excesso de açúcares, sal, gorduras e industrializados. “O idoso começa a perder massa muscular, então é muito importante o consumo de carne, de clara de ovo, de gelatina, principalmente as incolores, para que ele tenha substrato para produção de músculo no corpo”, afirma.

MOVIMENTAR-SE
Luciane elenca três grupos de exercícios físicos essenciais para os idosos, quando não há contraindicação médica, pois ajudam na saúde física e emocional e previnem quedas. São eles: alongamentos, aeróbicos (caminhada, por exemplo) – que previnem doenças crônicas, e de resistência, como a musculação e o pilates.

“VAI PASSAR”
A médica lembra que, por fazerem parte do grupo de risco e estarem mais isolados, o fator psicológico dos idosos deve ter total atenção. “É muito importante que exista todo suporte familiar no intuito dele se manter assessorado, se senta amado, amparado, mesmo que às vezes através de um telefonema”, explica.


Além disso, é importante – segundo Luciane – evitar informações sensacionalistas e cultivar pensamentos positivos, como o famoso “vai passar”. E, caso a família identifique sinais de depressão, ansiedade, “é necessário buscar ajuda médica e psicológica para que o idoso passe por esse momento de uma forma saudável”, orienta a médica.

Andressa Mota