Piracicabanos fizeram manifestação na Câmara. Foto : Claudinho Coradini / JP

O Movimento Juntos Por Piracicaba protocolou ontem na Câmara de Vereadores um abaixo-assinado com quatro mil assinaturas. O documento pede a instauração de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar irregularidades na gestão do Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto), como as constantes faltas de água em vários bairros da cidade e aumento no preço da tarifa.

Ontem à tarde, um grupo de moradores de diferentes bairros se reuniu em frente ao prédio do Legislativo para se manifestar pela instauração da comissão. Alguns manifestantes se revezaram no microfone e fizeram duras críticas aos parlamentares e ao prefeito Barjas Negri (PSDB). Edvaldo Brito, que coordena o movimento e coletou as assinaturas para o pedido da CPI, anunciou que, caso a Câmara não acate o pedido, os próximos passos serão a ocupação dos prédios do Semae da prefeitura. “Vamos ocupar os prédios, pessoas se acorrentarão se for preciso”, afirmou acrescentando que as ocupações serão pacíficas. “Não adianta culpar o presidente do Semae, ele está lá só há dois anos, o verdadeiro culpado é o Barjas Negri”, disparou. Para Brito, a proposta do prefeito é privatizar o Semae, o que segundo ele, justificaria a atual situação do serviço.

O membro do grupo Piranossa, Mário Aberto Carlin, disse cobrou o empenho dos vereadores para que o pedido de CPI passe na Casa. Ele lembrou que em 2016 houve um movimento na sociedade que também pedia a instauração de uma CPI do Semae e mesmo com cinco mil assinaturas, o pedido não foi aprovado. “Vereador que está do lado do povo não fica de ‘mi mi mi’, assina a CPI”, disse. Carlin disse que na ocasião, pela falta de uma assinatura, o pedido de CPI proposto há dois anos não passou.

ROTINA

Um grupo de moradores do bairro Perdizes, na região do Santa Rita, participou da manifestação de ontem. Ironicamente, as ruas do bairro têm a água na maioria das denominações, porém, a população tem enfrentado a falta do produto quase que diariamente.

Morador na rua Águas da Prata, o casal Ezenilde Bispo e Antonio Silva Matos contou que convive com a escassez de água desde a véspera do Natal. “Estávamos com visitas em casa, minha mãe com 84 anos e de repente ficamos sem água, ligamos no Semae e, por causa do feriado, ninguém nos atendeu”, contou a dona de casa.

Para contornar o problema a família contou com a ajuda a vizinha Marisa Rodrigues Araújo, que disponibilizou vários baldes de água para a família. “A situação está insustentável”, afirmou Ezenilde. Segundo ela, já foram registradas três queixas pela falta d’ água, duas no Semae e outra diretamente na prefeitura pelo 156.

(Beto Silva)

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