Participativo, preventivo e ostensivo

Foto: Claudinho Coradini/JP

Determinado e focado nas ações voltadas em prol da segurança, Alexandre Luiz Bergamasco Pedro, conhecido entre seu efetivo como tenente-coronel Bergamasco é vocacionado para a sua instituição. Há mais de 20 anos na corporação gosta da atuação na rua. Para ele, os policiais militares devem ficar próximos da comunidade. Seja para uma orientação, socorro ou atuação em uma situação mais complexa. Traz em sua trajetória, seu primeiro trabalho já realizado na Rota (Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar), considerada de elite devido aos treinamentos intensos e atuação em ocorrências mais críticas. Por duas décadas, ficou perto de sua família, em São João da Boa Vista, mas no último dia 29, recebeu sua mais nova missão, que chegou com sua promoção que é a segunda maior patente na instituição. Assumiu o comando do 10º BPM/I (Batalhão da Polícia Militar do Interior), que centraliza o patrulhamento em 11 cidades da região de Piracicaba.

Adiantou que pretende realizar ações preventivas e ostensivas, mas também pretende realizar um comando participativo, pois acredita que é uma forma de gestão que academicamente gera bons frutos por inserir a força de trabalho nas tomadas de decisões, alçando-os como protagonistas dos resultados.

Assim como todo gestor, o atual cenário da pandemia da covid-19 é outro inimigo invisível, que lutam a cada dia, visto que assim como os profissionais da saúde estão na linha de frente e não pararam nenhum dia. Vários policiais foram positivados e venceram a doença, pois até o momento houve registro de morte de policial. Para todo efetivo as cautelas são reforçadas como uso de máscara, álcool em gel e materiais para a limpeza das viaturas são disponibilizados.

Casado e pai de três filhos, ele serviu de inspiração para seu filho do meio que hoje é aluno da Academia do Barro Branco, que forma oficiais da PM.

Conheça um pouco mais sobre a carreira do novo comandante do Batalhão da PM de Piracicaba na edição do Persona deste domingo.

Nos conte um pouco sobre seus pais?

Minha mãe se chama Neuza e é uma pessoa muito especial “alto-astral” e, como ela diz, “tem um espírito muito jovem”. Trabalha até hoje na prefeitura de Espirito Santo do Pinhal e ama seus netos. Meu pai, Divino, mora em Piracicaba há 20 anos, hoje está aposentado, mas trabalhou muito tempo com restaurante, além de pai, é um grande amigo.

Como é sua relação com os filhos?

Tenho três filhos: a mais velha é a Bruna, já está formada em Administração pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) e trabalha no RH (Recursos Humanos) de uma usina de cana na cidade de Pradópolis-SP. O Vitor, que é o do meio, é aluno oficial da Academia de Polícia Militar do Barro Branco e muito em breve estará nas ruas, como oficial e a Camila, que é a caçula, esta fazendo cursinho pré-vestibular; quer ser dentista. Quanto a minha esposa, Kátia, estamos juntos  há mais de 30 anos; é o esteio da casa, está presente em tudo, imprescindível para nós.

Quais colégios estudou?

Estudei somente em escolas públicas, Escola Almeida Vergueiro e Cardeal Leme, ambas em Espírito Santo do Pinhal – SP. Tenho formação acadêmica em Direito pela Fundação Pinhalense de Ensino e pós-graduação em Direito Público e Direito Constitucional pela Fundação Octávio Bastos – Unifeob ( Centro Universitário da Fundação de Ensino Octávio Bastos) de São João da Boa Vista.

Quais trabalhos realizou antes de ingressar à PM?

Trabalho desde os 13 anos, ainda na “guardinha mirim” trabalhei em metalúrgica, confecção e também como garçom.

Como decidiu ingressar na PM?

Conheci a “hierarquia” e a “disciplina” por assim dizer, quando cumpri o serviço militar obrigatório, (Tiro de Guerra) no ano de 1989. Adaptei-me aos preceitos militares e vi a oportunidade de ingressar na PM no ano de 1993.

O que a Polícia Militar representa em sua vida?

Tenho muito respeito pela instituição. Estamos à disposição da comunidade 24 horas por dia durante todos os dias do ano, prestando os mais variados tipos de serviço. Orgulho-me em pertencer a família policial militar.

Como foi sua experiência na Rota?

Iniciei minha carreira no Batalhão de Choque Tobias de Aguiar, mais popularmente conhecido por Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, a Rota. Foi uma experiência marcante e muito intensa. Ali permaneci por dois anos. Depois solicitei minha movimentação para o 24º BPM/I (Batalhão de Polícia Militar do Interior), região de São João da Boa Vista, onde residia e permaneci por 22 anos. Depois disso fui designado para comandar o 10º BPM/I, em 24 de maio passado.

Quais ocorrências que participou foram as mais complexas?

Todas as ocorrências têm o seu grau de complexidade e não se pode descuidar dos procedimentos operacionais e da segurança em nenhuma delas. Já tive oportunidade de atuar em muitas, desde o socorro a criança acidentada que com a batida do veículo em que estava foi projetada longe, no meio de uma vegetação e amãe veio a óbito; como existiam várias coisas de bebê no interior do veículo (cadeirinha, chupeta, mamadeira), presumimos mais pessoas naquele veículo e iniciamos uma varredura no mato, próximo ao acostamento e a criança foi localizada, socorrida e sobreviveu. Uma outra foi a prisão, na região de Guarulhos, de um suspeito de ter participado da morte de um PM, ocorrência essa que perdurou por quase dois dias ininterruptos.

Que tipo de trabalho pretende desenvolver no 10º BPM/I?

O Comando participativo é uma forma de gestão que academicamente gera bons frutos por inserir a força de trabalho nas tomadas de decisões, alçando-os como protagonistas dos resultados. O propósito é manter os indicadores criminais e operacionais em patamares aceitáveis, como estão no momento, com baixa incidência de crimes violentos. O pronto e bom atendimento ao cidadão também será uma meta. Na parte de repressão, combater o tráfico, apreender armas e prender pessoas evadidas e condenadas pela justiça também será uma estratégia para o combate ao crime.

O que acha de Piracicaba?

Piracicaba é uma cidade exponencial na região, é uma honra servir a esta comunidade.

Quais os cuidados com seu efetivo nesta pandemia?

A saúde do nosso policial é uma prioridade, ainda mais neste momento de pandemia. Máscaras de proteção facial, luvas descartáveis e álcool em gel permanecem à disposição dos profissionais desde o início da pandemia. Campanhas preventivas de conhecimento e orientação também são constantes. Aliado a isto, e por estarem o tempo todo nas ruas, interagindo com diversas pessoas, todos os PM do serviço ativo receberam a 1ª dose da vacina contra a covid-19 já como planejamento para imunização com a 2ª dose.

Que tipo de trabalho é realizado para ajudar a diminuir os indicadores?

Muitos fatores influenciam para o surgimento do crime: A predisposição do delinquente em agir, a oportunidade que ele encontra para agir e a vulnerabilidade da vítima. Como se vê, nem tudo depende somente de ações da Polícia Militar. A integração de esforços dos diversos órgãos públicos de segurança, do sistema judiciário e dos demais poderes constituídos em todas as suas esferas, aliado a participação da comunidade é que faz toda a diferença. Funcionamento e eficiência dos organismos do sistema de segurança, cuidados com a segurança pessoal, equipamentos públicos adequados colocados a disposição de uma comunidade, adequada persecução criminal, tudo isso intercalado e funcionando harmonicamente, propicia a criação de um ambiente favorável à paz social.

Como pretende atuar com pessoas em vulnerabilidade social? Como foi feito o trabalho do Sr sobre o tema?

A tese apresentada no meu doutorado foi relacionada as formas de se evitar ou minimizar os efeitos dos delitos intramuros, ou seja, aqueles crimes que ocorrem no ambiente doméstico e de relacionamentos familiares ou afetivos mais próximos que envolvessem pessoas em situação de vulnerabilidade em razão de sua dependência afetiva, emocional, material e/ou fragilidade física. Inseridos nesta definição estão as crianças e adolescentes, as mulheres e as pessoas idosas, as quais, pelas suas próprias forças, não conseguem se proteger das violências. A conclusão foi de que existência e o funcionamento de uma Rede de Proteção integral a estas pessoas poderia melhorar o quadro atual. Dentre os órgãos que compõem esta Rede de Proteção está inserida a Polícia Militar, a qual em muitas das vezes é o primeiro a ter contato com o problema. É neste contexto que tentaremos evoluir.

Qual mensagem deixa para os jovens que querem ingressar na PM?

A Polícia Militar não é para aventureiros. É necessária vocação, muita predisposição e resiliência. Por outro lado é muito gratificante. Proteger as pessoas, fazer cumprir as leis, combater o crime e preservar a ordem pública são nossas missões.

Cristiani Azanha
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