Há seis meses, a doula Mariana deu à luz ao Caê em casa (Crédito: Janaína Cunha)

Quando se ouve falar em parto humanizado, a imagem que geralmente vem à mente é da parturiente dando à luz em uma piscina em casa, ao som de uma música tranquila e em um cômodo aromatizado. Mas nem sempre precisa ser assim. O conceito de parto humanizado vai muito além e pode também ser levado para dentro dos hospitais. É um processo que visa principalmente a autonomia da mulher ao parir, por meio de informações e conhecimentos científicos que vão embasar suas decisões e deixá-la mais segura neste momento tão especial, além de preservar os seus direitos.

Neste contexto, uma profissional que ganha espaço durante e depois da gestação é a doula, que tem a função de dar suporte físico, emocional e informacional à mulher, como a ajuda na elaboração do Plano de Parto. “A base da humanização do atendimento é o protagonismo da mulher e a assistência baseada em evidência científica”, explica Mariana Colombo, doula, fisioterapeuta e estudante de obstetrícia na USP.

Outra dedicação da doula é preparar a mamãe para o que vem depois do parto, como a amamentação, orientando sobre o papel da rede de apoio e elucidando sobre os mitos (como passar bucha vegetal nos seios) e verdades (tomar sol para proteger a pele). “A maioria das mulheres se prepara para o parto, mas esquece que é um evento com início, meio e fim, então a gente busca focar a amamentação […] ensina a mulher posturas. Dicas que vão ajudar na pega correta. Muitas falam ‘eu tive muita dor, meu peito sangrou’, isso dá uma dor no coração, porque não é para ser assim”, diz Adriana Somavilla, doula, estudante de obstetrícia da USP e consultora de amamentação.

Mariana e Adriana se conheceram na faculdade e criaram a “Tu Vens: Parto Humanizado”. Com a pandemia, o atendimento passou a ser online. Segundo Mariana, isso proporcionou até mais amparo às gestantes por parte do companheiro ou companheira, uma vez que, como estão em casa, são requisitados para aprender massagens e demais técnicas, por exemplo.
Esse vínculo é essencial também na hora do parto. Seja no hospital ou em casa, todo o apoio para a parturiente é importante. E, em meio à quarentena, a escolha de fazer o parto em casa pode passar pela mente de muitas mamães. Porém, é necessário que seja uma opção bem estudada. “A mulher tem que entender tudo o que vai acontecer, tem que ter uma equipe [especializada]. Ela tem que se sentir segura”, orienta Mariana, reforçando que esse estilo de parto só pode ser feito em mulheres que não apresentaram alterações durante o pré-natal.

Amparo à parturiente é essencial (Foto: Janaina Cunha)

Com a diminuição do fluxo de pessoas nos hospitais, algumas instituições pedem que o acompanhante não passe a noite com a mamãe e o bebê. Em alguns casos, ocorre do pedido ser de não acompanhar o parto. Porém, Mariana lembra da Lei Federal do Acompanhante (11.108/2005). “Ela está sendo preservada na maioria dos hospitais. Aqui em Piracicaba ela está sendo preservada”, diz.

Para Mariana e Adriana, tanto para tomar a decisão de ter um parto natural ou uma cesária quanto do local onde ele ocorrerá, a mulher deve tomar para si o seu parto: entender pelo que passa seu corpo, recorrer a informações sobre esse novo universo, ter uma rede de apoio e, sem dúvidas, respeitar o seu tempo e o do bebê, as suas inseguranças e entender que cada nascimento é, além de especial, único. “[Deve ser] onde ela se sente segura mesmo, tem que ter paz, privacidade. Então o ambiente que ela sente que isso vai acontecer”, enfatiza Mariana.

Andressa Mota

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

cinco × três =