Perfil da vítima de violência doméstica é dona de casa entre 30 e 40 anos na cidade

Foto: Amanda Vieira/JP

O perfil da vítima de violência doméstica em Piracicaba é mulher branca (70%) entre 30 e 40 anos, com até o 1º grau de escolaridade, e que – a maioria das vezes – trabalha em casa, cuida dos filhos e exerce atividades informais, como vendas de cosméticos, salgados, doces e bolos. É o que diz a pesquisa “A Violência Contra a Mulher em Piracicaba”, realizada pelo Ipplap (Instituto de Pesquisas e Planejamento de Piracicaba) e coordenada pela especialista em marketing digital Renata Mansur. O estudo mostra ainda que, de 2015 a 2019, houve aumento de 34,4% nos atendimentos relacionados à violência contra mulher na cidade.


Os dados analisados foram coletados no período entre 2015 e 2019 e são da SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo), Secretaria Municipal de Saúde, Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, Poder Judiciário, Guarda Civil e Smads (Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social).


“O escopo da pesquisa é o mapeamento da violência contra mulher, com o apontamento do aumento de índice, precisamos discutir onde estamos falhando”, avalia a advogada e presidente do Conselho Municipal da Mulher, Lia Mara Oliveira.

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A pesquisa, segundo a prefeitura, vai auxiliar o município a direcionar políticas públicas em defesa da mulher vítima de violência e seus familiares. “Analisando os dados e identificando o perfil das vítimas, as medidas reativas podem ser mais assertivas, obtendo assim resultados mais ágeis e eficientes nesse combate”, avalia o diretor-presidente do Ipplap, Daniel Rosenthal.


Com objetivo de dialogar com todas as personalidades que compõem a Rede de Atendimento e proteção da Mulher e com as mulheres piracicabanas, o vereador Paulo Camolesi (PDT) solicitou em requerimento, que será votado em fevereiro, uma audiência pública “a fim de entender melhor esse grande volume de dados apurados pela pesquisa e, a partir deles, em conjunto, planejar e estabelecer políticas públicas para o município”, explica o parlamentar.


Camolesi afirma que seu mandato está à disposição para assuntos relacionados à violência contra a mulher com objetivo de atuar no legislativo propondo leis e indicar ao Executivo ações possam coibir o aumento da violência “e promover condições de bem-estar e saúde às mulheres vítimas desses crimes”, comenta.


Apesar de a pesquisa apontar para a maioria das mulheres vítimas de violência na cidade ser branca, Lia afirma que – como o censo utilizado pelo estudo é de 2010 não consegue opinar sobre o percentual. Por isso lembra que uma pesquisa complementar “em que detecte as violências, apontando as questões socioeconômica, raciais, gênero e as regiões de incidências” seja necessária.

Andressa Mota

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