Pesquisa aponta queda no atendimento durante pandemia

Foto: Divulgação

Segundo estudo, demanda de atendimentos a pacientes com câncer diminuiu até 30% por causa da covid-19

Médicos do Cecan – Centro do Câncer da Santa Casa de Piracicaba e do Coc – Centro de Oncologia Campinas realizaram pesquisa junto a 3.000 médicos de cidades da região para verificar a percepção desses profissionais com relação ao impacto à pandemia do novo coronavírus no diagnóstico e tratamento do câncer.

O oncologista Fernando Medina, diretor do Cecan e um dos coordenadores da pesquisa ao lado do rádio-oncologista Caio Marcelo Jorge, lembrou que, apesar do sistemático aumento anual de incidência de câncer no Brasil, fica evidente a sensível queda no atendimento de pacientes oncológicos durante a pandemia.

“A pesquisa mostra claramente que a pandemia piorou muito esse quadro”, alertou. Segundo ele 76,5% dos médicos entrevistados alegaram diminuição de 10% a 30% na demanda de atendimento a pacientes de câncer, enquanto outros 26,5% relataram diminuição da demanda em mais de 30%”.

Pela pesquisa, foi possível observar também um absenteísmo significativo entre o período antes da pandemia e durante a pandemia. “66,4% dos médicos disseram que os pacientes compareciam em todas as consultas antes da pandemia; após a pandemia, apenas 25,5% dos médicos tiveram essa impressão”, relatou Medina.

Os coordenadores da pesquisa revelam que a mesma tendência se deu com relação ao tratamento oncológico em que 75% dos especialistas assinalaram que os pacientes cumpriam completamente a agenda de tratamento proposto antes da covid-19, contra 48% depois do advento do novo coronavírus.

Segundo os profissionais, mais de 85% dos médicos entrevistados acreditam que a falta de adesão ao tratamento deva-se ao medo de se contaminar com a covid-19 em ambiente hospitalar. Os dados revelam também que, antes da pandemia, 8,8% dos médicos tinham a percepção de que a maioria dos casos tratados estavam em estágio avançado, quando são baixas as chances de cura. Após a pandemia, essa mesma percepção aumentou e foi compartilhada por 29,4% dos entrevistados, revelando o expressivo aumento de casos graves da doença.

Para os oncologistas, os dados são preocupantes porque se distanciam dos esforços empregados na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer, que quando tratado em estágio inicial tem maior chance de cura. “O acesso limitado para procedimentos oncológicos dificultou o manejo do paciente desde o inicio da investigação até o tratamento”, disseram os médicos.

Da Redação

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