Pesquisa mostra que desemprego ou queda na renda faz trabalhador ter três ou mais contas em atraso

Foto: Claudinho Coradini/JP

Poder aquisitivo da população encolheu com a crise econômica decorrente da pandemia do novo coronavírus

Neste 1º de Maio, um dos maiores desafios do trabalhador é conseguir pagar as contas da família e ter o mínimo de qualidade de vida por meio de momentos de descanso e lazer. A questão é que o poder aquisitivo da população encolheu com a crise econômica decorrente da pandemia. Portanto, quem ganha o salário mínimo dificilmente consegue arcar com todas as despesas do mês. “A inflação foi muito maior em 2021, batendo os 10%. Para este ano, o mercado tende a melhorar”, diz Flavio Calife, economista da Boa Vista/SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), empresa de inteligência analítica.

Em entrevista ao Jornal de Piracicaba, o economista informou que o brasileiro está endividado, porém, o maior problema é a inadimplência. “Durante a pandemia, os bancos e a redes varejistas jogaram para a frente as dívidas para aliviar a vida do consumidor. Agora, com a situação sanitária mais normalizada, voltaram as parcelas, os auxílios do governo diminuíram e o emprego não está reagindo da forma ideal. A consequência é a inadimplência”, diz.

Uma pesquisa feita pela empresa mostra o desemprego e a diminuição da renda como principais fatores para o cidadão não conseguir pagar as contas. No entanto, o levantamento mostrou um dado positivo: o número de consumidores que se tornou inadimplente por conta de desemprego diminuiu no 2º semestre de 2021 em relação ao semestre anterior. 27% dos consumidores entrevistados apontaram a falta de emprego como a principal causa da inadimplência, contra 31% no período anterior. “O desemprego é historicamente a principal causa da negativação”, ressalta Calife.

CONTAS ATRASADAS
A Boa Vista questionou quantas contas o consumidor com restrições está sem pagar. A maioria, 62%, possui três ou mais contas em atraso – mesmo resultado do 1º semestre de 2021 –, e 83% desses consumidores estão há mais de 90 dias inadimplentes. Em relação ao valor das dívidas, 51% desses consumidores relataram que possuem dívidas a partir dos R$ 3 mil. Em primeiro lugar, para a maioria dos consumidores inadimplentes (21%), as contas cujo não pagamento resultou em restrição ao CPF foram as chamadas diversas; que englobam gastos com educação, saúde, impostos e taxas e lazer.

Em segundo lugar, vêm os empréstimos pessoais e os gastos com alimentação, ambos com 17%. As contas atrasadas foram contraídas pelos seguintes meios de pagamento: boletos (28%), cartão de crédito (25%) e carnê de financiamento/crediário (14%).

COMO REGULARIZAR?
O economista ressalta que há vários caminhos para que o consumidor consiga se regularizar e quitar suas dívidas. “É importante que o cidadão procure canais idôneos para não cair em golpes. E que tenha uma proposta a oferecer para quitar sua dívida. A Boa Vista, por exemplo, tem a plataforma que faz análise da situação de inadimplência, por meio do CPF. É bem prático”, diz. O site chama-se www.consumidorpositivo.com.br e é possível fazer a consulta gratuitamente.

Outros dados: 25% dos consumidores disseram que pagariam a dívida nos 30 dias seguintes, enquanto a maioria (34%), esperava conseguir pagar em um prazo de 30 a 90 dias. Outro dado fornecido pela pesquisa: 33% dos consumidores com restrição procuraram ajuda financeira nos bancos. Já os que buscaram ajuda em financeiras foram 29%, e com parentes e familiares foram 22%, seguidos por 16% dos que buscaram dinheiro para pagar as contas com amigos ou colegas. Em média, no geral, apenas 23% dos consumidores que buscaram apoio conseguiram o fôlego financeiro pretendido.

Cerca de 1.700 pessoas, em todo o Brasil, responderam à pesquisa Perfil do Consumidor, da Boa Vista, por meio de questionário eletrônico, ao longo do 2º semestre de 2021. Os resultados consideram 2% de margem de erro e 95% de grau de confiança.

Da Redação

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