Pesquisa na Esalq mostra bactéria que cresce a produtividade em lavouras

Trabalho foi tese de doutorado de Daniel Longatto (Crédito: Claudinho Coradini/JP)

Pioneira em inovação no agronegócio, Piracicaba conta com pesquisas que contribuem para o futuro da economia do país e a Esalq/USP é o berço de diversas delas. Um exemplo é a pesquisa do agora doutor em genética e melhoramento de plantas, Daniel Prezotto Longatto, que estudou em seu doutorado como a bactéria RZ2MS9 (bacillus thuringiensis) contribui no aumento da produtividade do milho e da soja e observou que ela também prejudica as asas de mariposas do cartucho-do-milho, o que pode atrapalhar sua reprodução.


Isso significa que a pesquisa abre novos caminhos para verificar na prática a eficácia de uma bactéria, presente no meio natural, em servir como controle biológico de pragas nas lavouras.


Em seu doutorado, Longatto teve a orientação da professora doutora Maria Carolina Quecine Verdi e sua pesquisa contou com apoio da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

Estudo faz parte da linha de pesquisa de genética e melhoramento de plantas da Esalq. (Crédito: Claudinho Coradini/JP)


Longatto conta que a pesquisa deu continuidade aos estudos do laboratório de genética da Esalq, pois outro trabalho já havia observado a atividade da bactéria em melhorar a produtividade do milho e da soja. Na primeira parte do trabalho, ele buscou entender, então, quais mudanças genéticas estavam acontecendo na planta com a atuação da RZ2MS9. “A gente observou que, na presença dessa bactéria […], a planta fica mais verde, um verde mais escuro, porque aumentou a produção da clorofila, um pigmento verde que faz as plantas produzirem o que elas produzem a partir da fotossíntese”, explica Longatto.


Todo o estudo levou em consideração métodos como a comparação, por meio de experimentos com e sem a presença da bactéria. “Alguns genes estavam sendo ativados quando a bactéria estava lá e outros genes estavam sendo desativados ou reprimidos quando a bactéria estava lá, comparando com aquela planta que não tinha bactéria nenhuma”, conta.


Ele lembra ainda que para verificar a viabilidade do estudo foram realizados diversos testes para saber se a bactéria faz mal ao ser humano e para ver se ela não prejudica a planta.


“Além de melhorar o crescimento, ela [a bactéria] também conseguiu matar essas pragas no laboratório, dentro do tubo que a gente cresceu a lagarta. Mas ainda falta a gente pegar, levar para a estufa essas plantas, ampliar. Mas é o início. A gente tem as etapas”, pontua o doutor, ao recordar da importância dos métodos científicos. “É um processo que demora alguns anos porque precisa ter critério, precisam ser feitos vários experimentos. Não foi uma lagarta que morreu, a gente estudou dezenas de lagartas e, na média, matou mais. Tem toda uma estatística. Isso demanda tempo e recurso”, pontua.


O estudo foi realizado ‘in-vitro’, ou seja, ainda não foi levado ao campo. “É um primeiro passo que a gente faz para ver se uma bactéria vai poder matar ou não essas pragas […] que estão diminuindo a produção”. E o resultado foi positivo: “O trabalho da gente teve resultados legais, importantes, porém ele vai contribuir com o trabalho de outras pessoas que vão dar a continuidade”.

Andressa Mota

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