Pico do Covid-19 deve acontecer na segunda quinzena de abril no Brasil

Pico de contaminação acontece sempre após 15 dias do início do isolamento social (Foto: Amanda Vieira/JP)

O mês de abril começou como terminou março: com o novo coronavírus sendo o principal assunto tanto no Brasil, quanto no mundo. Com os aumentos no número de caso em Piracicaba, a grande expectativa e dúvida na cabeça da população piracicabana é sobre quando será o pico da pandemia no país. Para o diretor da DRS-10 e coordenador do SCIH (Serviço de Controle de Infecção Hospitalar) da Santa Casa de Piracicaba, Hamilton Bonilha, o pico deve ser na segunda quinzena de abril (entre os dias 15 a 30).

“Normalmente é feita a quarentena de 15 dias prevendo que o pico de casos ocorra 15 dias depois. Portanto, acho que essa segunda quinzena será o momento mais crucial”, disse Bonilha, comentando o fato de os hospitais particulares receberam mais pacientes e temendo quando o vírus chegar a bairros mais carentes da cidade. “Atualmente, na cidade, o Hospital Unimed está recebendo o maior número de pacientes diagnosticados, e é praticamente o que está acontecendo em São Paulo. A principal questão é quando esse vírus atingir a periferia da cidade, no qual tem pessoas menos favorecidas, aumentando assim o número de casos confirmados”, explicou.

Em relação ao número de pessoas infectadas, o especilista disse que não há como prever esse número, mas acredita que aproximadamente 1% (cerca de 2.093.000 pessoas) da população brasileira. “O importante é fazermos de tudo para diminuir a possibilidade de transmissão desse vírus. O problema é ter um aumento no número de casos em um período em que você acaba saturando o sistema de saúde. Os pacientes chegarão em maior número em um curto período, onde os profissionais da saúde ficarão mais expostos, correndo o risco de perder mão de obra”, destacou.

Em relação ao isolamento social, Bonilha disse que foi positivo para a população piracicabana e brasileira, ressaltando que a situação no país seria ainda mais crítica se essa medida não tivesse sido tomada, dando ênfase para o saturamento dos profissionais da saúde. “Os números de casos seria bem maior se isso não tivesse acontecido, já que é essa finalidade do isolamento social, achatar essa curva de casos confirmados e não ter um pico dela, que é o que está acontecendo na Itália, França, Espanha, nos estados Unidos, principalmente em Nova Iorque (atual epicentro da pandemia), com um grande número de pacientes em estado grave chegando aos hospitais ao mesmo tempo, fazendo com que não tenha respiradores para todo mundo, nem leitos de UTI para todos os pacientes”, explicou.

Por fim, Bonilha destaca as perdas que a saúde vem tendo mesmo com o isolamento social, dizendo que esse profissional terá que tomar medidas mais urgentes, comprometendo a integridade física. “Em São Paulo por exemplo, mais de 600 profissionais da saúde estão afastados por contaminação e esse é o nosso grande receio, que é perder profissionais capacitados para o pronto-atendimento. O Hospital Osvaldo Cruz em São Paulo já está pedindo a contratação de intensivistas, já que esses profissionais são os que mais se contaminam”, detalhou o infectologista.

XV DE PIRACI “CASA”
Mesmo com o calendário do futebol paulista parado, o XV de Piracicaba segue ativo em suas mídias sociais, com o objetivo de conscientizar seus torcedores para ficarem em casa neste momento de crise. Em seu perfil no twitter, a equipe acrescentou “de casa” no título, para mostrar a torcida que a equipe continua as suas atividades, mas respeitando o isolamento social. O clube também tem feito postagens com algumas charges, com o Nhô Quim lavando as mãos com textos de conscientização pedindo para que as pessoas higienizarem bem as mãos, além de brincar com o nome da equipe, se tornando XV de Piraci“casa” durante a quarentena.

Mauro Adamoli