Pinacoteca: uma sentença de morte?

(foto: Amanda Vieira/JP)

Eugênio Luiz Losso, Fortunato Losso Netto, David Antunes, Jairo Ribeiro de Mattos, Hugo José Benedetti, Manoel Martho e tantos outros grandes artistas geniais tornaram Piracicaba reconhecida nacionalmente. Com seus ideais elevados e o entusiasmo de Archimedes Dutra, recém-chegado da Europa, uniram-se para colocar Piracicaba como um dos grandes roteiros nacionais das artes plásticas, criando o 1º Salão de Belas artes, em 1º de agosto de 1953, realizado na Câmara de Vereadores.

Desde então, para Archimedes, ficou claro que, naquela que era considerada como “Ateneu Paulista”, haveria de se ter abrigado o futuro acervo de obras de arte com a construção de uma Pinacoteca, a qual foi denominada no início (1969) como Casa das Artes Plásticas Miguel Archanjo Benício D’ Assumpção Dutra, justa homenagem ao seu bisavô Miguelzinho Dutra, precursor das Artes em nossa região, e que chegou aqui em 1845. No decorrer desses 52 anos de existência o SBA tornou-se referência nacional e a Pinacoteca, monumento artístico, constituindo-se nela, um vasto e valioso acervo do município de Piracicaba.

A Pinacoteca, ressalte-se, foi criada com a finalidade EXCLUSIVA de abrigar obras de arte, portanto, conta com a reserva técnica totalmente hermética e com controle de umidade e de temperatura como importantes recursos para a preservação do patrimônio artístico, que ali está sob guarda.

Em 13 de fevereiro de 2007, sob a gestão de Barjas Negri e tendo Rosângela Rizzolo Camolese como secretária de Ação Cultural, procedeu- se a assinatura do decreto nº 11.974, determinando o tombamento, como Patrimônio Cultural e Histórico do Município de Piracicaba, o prédio da “Casa das Artes Plásticas Miguel Archanjo Benício d´Assumpção Dutra. Este ato fundamentou-se na documentação apresentada pelo CODEPAC – Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Piracicaba, comprovando seu valor histórico e cultural a sua importância de sua preservação para a comunidade.
História! História sim, em memória às artes e à cultura dessa grande cidade, ricamente constituída por personalidades da música, teatro, dança, literatura, artes, folclore e demais segmentos culturais.

Nos arquivos ali guardados a história está toda registrada para as próximas gerações. A Pinacoteca não esteve ABANDONADA como alardeiam alguns, a não ser para aqueles que não se fizeram presentes nos últimos anos. Alguns que gritam, sequer a conhecem!
Se, com todas as dificuldades das gestões anteriores conseguiu-se mantê-la soberana, agora, com menos da metade do orçamento para 2022, não há como se compreender uma mudança de local, causando prejuízo financeiro à cidade e à nossa memória cultural, que poderá se danificar e, quem sabe, até se perder em um eventual processo de mudança.
Não podemos, daqui alguns anos, lamentar sobre o desaparecimento da Pinacoteca, como ocorreu com o Teatro Santo Estevão, o Hotel Central, os casarões da Rua Boa Morte, da Governador, o antigo campo do XV e outros tantos.

É irônico que os que desejam destruir a nossa história e o nosso patrimônio histórico, tenham que ir ao Velho Mundo admirar monumentos respeitados e preservados, mesmo com dificuldades financeiras e até guerras. Que nos sirva de lição e de exemplo!
Portanto, senhores, repudiamos a mudança da Pinacoteca para quaisquer outros lugares e sob quais sejam os argumentos. Não entrem para história traindo a confiança de quem os colocaram em seus cargos. Lembrem-se: os gênios são lembrados pelas suas obras e não pelo que destroem.

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