Piracicaba chega a 9 mortes por coronavírus; infectados são 90

perdendo apenas para o sábado (24), quando foram acresNo Lar Betel já foi realizado testagem em 44 pessoas, entre funcionários e residentes (Foto: Claudinho Coradini/JP)

A cidade de Piracicaba iniciou a semana com quatro mortes por coronavírus. A Secretaria de Saúde do município confirmou ontem mais quatro óbitos por Covid-19, sendo três vítimas residentes do Lar Betel; dois homens de 73 e 83 anos e uma mulher de 83 anos. O quarto paciente é também um idoso de 76 anos, sem histórico de viagens.  A entidade tem agora seis mortos pela doença.

De acordo com a Secretaria de Saúde, o município cidade registra 90 casos confirmados da doença, sendo 44 curados, 177 suspeitos e 257 descartados.

No total, Piracicaba contabiliza nove mortes por Covid-19. A cidade passou a liderar o ranking de mortes por coronavírus na Região, passando Rio Claro que, até ontem, registrava seis vitimas fatais.

De acordo com o oletim divulgado no início da tarde de ontem pela Secretaria Municipal de Saúde de Rio Claro, a cidade registrava 29 casos, sendo que 12 foram diagnosticados em testes rápidos e irão passar por novos exames.

O boletim desta segunda-feira também registra dois óbitos em investigação. De um homem idoso que faleceu na noite de sábado e de uma mulher idosa que faleceu no domingo.

O número de casos suspeitos em Rio Claro subiu de 11 para 13. Também houve um aumento no número de pacientes internados, de 11 para 15, sendo sete em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) – antes eram três em terapia intensiva.

Rio Claro registrou seis óbitos nesta pandemia, sendo apenas um de paciente não idoso.

COLETIVO
Um grupo de pessoas deu início à criação do Coletivo Oswaldo Cruz de Combate ao Coronavírus. Um manifesto para criação do coletivo circula nas redes sociais para a adesão dos interessados.

De acordo com Rafael Gonzaga, a ideia do coletivo surgiu a partir da necessidade de se criar uma rede de solidariedade. “O coletivo está se desenvolvendo em três diferentes direções, mas conectadas por uma mesma questão: a pandemia e a cidade de Piracicaba”, explicou.

O grupo, segundo ele, quer unir as pessoas que estão promovendo campanhas solidárias. “A ideia é amplificar as campanhas, facilitar o contato entre diferentes grupos e estabelecer a comunicação com as lideranças comunitárias”, apontou.

No manifesto publicado ontem, o coletivo cobra medidas da prefeitura quanto as ações junto ao Lar Betel. No texto, o manifesto cita a preocupação de vizinhos da instituição com o número de casos e dos funcionários que estariam sem receber EPI (Equipamentos de Proteção Individual).

Gonzaga disse que essas informações foram recebidas por meio de denúncias em um dos canais do coletivo. “Respeitamos o Lar Betel e nos solidarizamos com as famílias”, afirmou.

OUTRO LADO
A Secretaria de Saúde de Piracicaba informou ontem que, desde o início da pandemia, a Vigilância Sanitária mantém um canal permanente de diálogo com todas as instituições que cuidam de idosos no município, com orientações, recomendações, envio constante de notas técnicas e doações de EPIs e afirmou que todas as medidas de contenção foram e estão sendo realizadas.

Em relação ao Lar Betel, a Secretaria de Saúde informou que realizou, até o momento, a testagem em 44 pessoas, entre funcionários e residentes, que apresentaram sintomas – como gripe e febre – há sete dias, no mínimo, conforme orientação técnica.

Após o diagnóstico realizado pelos hospitais, algumas pessoas foram internadas, outras se encontram em isolamento na própria instituição, porém, já sem os sintomas da doença; e outras já retornaram ao trabalho.

A Secretaria de Saúde informou ainda que todos os residentes ou funcionários que apresentem os sintomas seguirão sendo testados.

A pasta acrescentou que, nesta semana, será instalada uma equipe composta por médico, enfermeiro e técnico de enfermagem dentro da instituição com o objetivo de prestar assistência aos pacientes, em conjunto com a equipe de saúde do local.

Já o presidente do Lar Betel, Luiz Adalberto dos Santos, rechaçou as informações de falta de equipamentos. Ele disse que a instituição tem recebido doações da sociedade, que vão desde material de limpeza até luvas e máscaras.

Santos também destacou a atuação da prefeitura que, ‘desde a semana passada tem acompanhado a rotina da instituição, designando equipes de profissionais para acompanhamento dos residentes e funcionários’.

Quanto o risco aos vizinhos, o presidente descartou a possibilidade de contágio. Segundo ele, os residentes estão em isolamento, não há visitas e somente pessoas autorizadas têm acesso às dependências da entidade.

SITUAÇÃO DO ESTADO
O Estado de São Paulo registrava ontem 1.825 mortes pelo novo coronavírus, 125 a mais desde domingo. Há também 21.696 casos confirmados da doença.

Segundo informações da Secretaria de Estado da Saúde, a doença se dispersa para o interior, litoral e Grande São Paulo, que já respondem por um a cada três óbitos e casos da Covid-19. Esses locais somam 653 óbitos (35,7% do total) e 7.707 casos (35,5%).

Das 645 cidades de São Paulo, 131 já têm registro de uma ou mais vítimas fatais da doença, que já infectou pessoas em 288 cidades.

Desde anteontem, houve queda de um ponto percentual da concentração na cidade de São Paulo, que agora responde por 64% dos casos e mortes do Estado, à medida que a doença se dispersa para outras localidades.

Nesta segunda-feira, havia cerca de 8 mil pessoas internadas por suspeita ou confirmação de Covid-19, um aumento de mais de 500 pessoas nas últimas 24 horas.

Segundo o Estado, são 3.106 pacientes em UTIs e 4.810 em enfermarias.

Também houve crescimento de um ponto percentual na taxa de ocupação dos leitos de UTI para atendimentos a Covid-19. Nesta segunda, estava em 59,8% no Estado de São Paulo e 78,4% na Grande São Paulo.

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, por exemplo, atingiu 95% de ocupação na UTI, e o governo anunciou a ativação de mais cem leitos do tipo na unidade

NACIONAL
O Brasil chegou a 66.501 casos confirmados de coronavírus, de acordo com atualização do Ministério da Saúde, divulgada ontem. Nas últimas 24 horas foram adicionadas às estatísticas mais 4.613 pessoas infectadas, aumento de 7,5% em relação a ontem (26), quando foram registrados 61.888 mil casos confirmados.

Segundo a pasta, foi o segundo maior número de casos de contaminação em um dia, perdendo apenas para o sábado (24), quando foram acrescidos 5.514 casos ao balanço.

Já o número de mortes subiu para 4.543, com 338 novos óbitos de ontem (26) para hoje (27), um incremento de 8%. O número de novos óbitos em 24 horas ficou abaixo da quinta-feira (22), quando foram contabilizados 407. A taxa de letalidade ficou em 6,8%.

DOAÇÕES ACIPI
A Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba) tem encabeçado iniciativas de apoio às empresas e, também, à população em situação de vulnerabilidade, que enfrenta dificuldades neste período.
Entre as ações, a entidade doou, até o momento, mais de 400 unidades, que totalizam mais de 200 litros de álcool em gel, 100 cestas básicas e, a mais recente, R$ 30 mil para a confecção de 30 mil máscaras de tecido ao projeto “Máscaras Amigas”, do Rotary Club Piracicaba Luiz de Queiroz.

Além do clube de serviços, as doações beneficiarão os pacientes e assistidos das instituições Santa Casa Saúde de Piracicaba, Lar Betel, Lar dos Velhinhos de Piracicaba, Hospital Regional de Piracicaba “Dra. Zilda Arns”, Hospital dos Fornecedores de Cana de Piracicaba e Banco de Alimentos da Smads (Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social).

O presidente da Acipi, Luiz Carlos Furtuoso, salienta que a entidade procura sempre estar junto da cidade em pautas importantes. “Nesta pandemia de coronavírus, estamos contribuindo com os setores que têm mais necessidades e urgências. É o momento de preservar vidas, por isso, estamos mobilizando a entidade nesse sentido considerando o papel social que a Acipi desempenha na cidade”, ressaltou.

De acordo com a administradora hospitalar da Santa Casa Saúde de Piracicaba, Vanda Petean, a iniciativa da Associação foi muito importante neste momento de pandemia, principalmente devido ao aumento considerável da demanda do produto. “A Santa Casa, como as demais instituições de saúde do Brasil e do mundo, precisa de uma quantidade muito grande de insumos para manutenção da assistência à população”, observou Vanda. No hospital, ainda segundo ela, antes da pandemia, a Santa Casa utilizava cerca de 150 litros de álcool em gel por mês e, agora, esta necessidade passou para 480 litros por mês.

Beto Silva

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