Atual vazão de afluente do Sistema Cantareira é de 4,43 m3/s ante 3,97 m3/s de outubro de 2014.(Foto: Amanda Vieira/JP)

O alerta do Consórcio PCJ, empresa que atua na recuperação de mananciais de Piracicaba e outros municípios da região, é quanto a possibilidade real de uma nova crise hídrica, como a de 2014, a pior da história do estado de São Paulo. José Cézar Saad, coordenador de projetos do Consórcio PCJ, apresenta números preocupantes.

A atual vazão de afluente (vazão de água que está chegando ao reservatório) do Sistema Cantareira é de 4,43 m³/s (metros cúbicos por segundo), ante 3,97 m³/s de outubro de 2014, isto é, apenas 0,46 m³/s em relação à forte estiagem de seis anos atrás.

A medida imediata para evitar um novo desastre hídrico em tão pouco tempo, além da falta de chuvas consistentes, segundo Saad, depende da conscientização da população quanto ao uso da água. “É a população que cria a demanda da água, então, é preciso usá-la de forma inteligente e evitando ao máximo o desperdício”, alerta o especialista.

A chuva rasa de ontem em Piracicaba e região, aponta Saad, foi pífia para melhorar os níveis dos aquíferos e rios que abastecem as cidades. “Foi muito pouca e curta. Para surtir efeito, precisava durar de quatro a seis horas, e repetidamente, por dias, para que de fato o solo conseguisse absorver a água”.

De acordo com o Consórcio, o alerta para redução de consumo de água (a associação afirma que aumentou em 20%) é uma situação fora da “normalidade”, em um mês de outubro que chega ao fim com a ocorrência de apenas de 34% do volume de chuvas esperado para o período. Saad inclui neste alerta emergencial as altas temperaturas e vai além. “Tem também a ver com a pandemia. Hoje, diferente de outros anos neste período, tem mais gente em casa, como as crianças que não voltaram às aulas presenciais”.

Além disso, embora outubro de 2019 a chuva no Sistema Cantareira tenha ficado menor que em 2020, o volume reservado no sistema era maior. “A expectativa é que tenhamos mais chuvas a partir de dezembro, já que a previsão para novembro é pouco suficiente para o momento”, pondera.

Erick Tedesco
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