Piracicaba está em risco de ter racionamento de água

Foto: Claudinho Coradini/JP

Semae avisa que corte no fornecimento pode começar em setembro e se prolongar até o fim do ano

Piracicaba está em risco de entrar em racionamento a partir de setembro, informa o Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto). A crise hídrica na cidade para ser prolongada, chegando até o fim do ano. Apesar da vazão dos rios Corumbataí e Piracicaba estar dentro da média histórica para o período, a capitação já está abaixo do necessário.

O Semae está captando 350 litros por segundo do Rio Piracicaba e de Corumbataí, 1.900 litros por segundo. O volume, segundo a autarquia, está aquém do consumo da cidade. Para as perguntas da reportagem do Jornal de Piracicaba se há risco de a cidade entrar em racionamento no curto prazo (até setembro) e no longo prazo (até o fim do ano), a resposta foi sim.

Para reduzir o impacto da crise hídrica em Piracicaba, o “Semae está intensificando o combate às fraudes, logo, diminui as perdas no sistema” de abastecimento. Entretanto, o atual volume de perdas na distribuição ainda está em 45% – a cada 100 litros de água tratada, 45 litros são perdidos nas redes.

RIO DAS PEDRAS
A situação de racionamento na vizinha Rio das Pedras já está acontecendo desde abril de 2021 e vem se agravando. Problema recorrente em épocas de estiagem, a prefeitura vem reduzindo o intervalo de fornecimento. Até julho, o corte foi feito do meio-dia às 18h. O racionamento foi ampliado em julho ainda, das 8h às 18h e, atualmente, está entre 5h e 18h.

Para garantir o abastecimento, a prefeitura está fazendo uma série de ações, como transposição de água de diferentes represas, troca de equipamentos e perfuração de novos poços – são três concluídos e outros três em andamento.

“A represa do Bom Jesus passa pela maior obra da cidade neste momento. O serviço é de limpeza e afundamento das margens da represa. Estão sendo retirados 200 caminhões de terra por dia. É calculado uma oferta maior em 36 milhões de litros dobrando a capacidade até o próximo ano”, informa a assessoria da prefeitura.

CANTAREIRA
Nos últimos dias, o sistema Cantareira também está sofrendo com a falta d’água. O estado de alerta já foi emitido por conta do volume útil em 39% com tendência de queda. Segundo o Consórcio PCJ – responsável por gerenciar as Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí –o sistema deve chegar a dezembro com apenas 20,2% do volume útil, situação parecida com a crise hídrica entre os anos de 2014 e 2015.

As vazões baixas e a escassez de chuvas levaram a equipe técnica do Consórcio PCJ a entender que tanto o Cantareira como as demais bacias da região estão sob a ação de um evento climático extremo, com potencial para causar impactos ainda em 2021 e com reflexos no próximo ano.

“O Sistema Cantareira adentrou o mês de agosto com apenas 41,4% de volume armazenado. No mesmo período do ano passado, operava com 52,2%”, disse o secretário executivo Francisco Lahóz. “Este ano, a previsão é de que o ápice da estiagem continue até o início de outubro.” A situação deve persistir em 2022.

Cristiane Bonin
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