Piracicaba pode reabrir comércio e shopping, com restrições

O Governo do Estado de São Paulo anunciou ontem o Plano São Paulo para reabertura de setores da economia durante a quarentena de enfrentamento ao coronavírus. A partir de 1º de junho, índices de ocupação hospitalar e de evolução de casos em 17 regiões do Estado vão definir cinco níveis restritivos de retomada produtiva segundo critérios médicos e epidemiológicos para que o sistema de saúde continue em pleno funcionamento.

Piracicaba e cidades vizinhas poderão, segundo a classificação do Estado, reabrir comércio de rua e shopping, entre outras atividades, com restrições.

As normas autorizam prefeitos a conduzir e fiscalizar a flexibilização de setores segundo as características dos cenários locais. Os pré-requisitos para a retomada são adesão aos protocolos estaduais de testagem e apresentação de fundamentação científica para liberação das atividades autorizadas no Plano São Paulo.

As cinco fases do programa vão do nível máximo de restrição de atividades não essenciais (vermelho) a etapas identificadas como controle (laranja), flexibilização (amarelo), abertura parcial (verde) e normal controlado (azul).

Os municípios da Região de Piracicaba foram classificados como laranja e poderão retomar atividades do comércio de rua, shopping, escritórios, concessionárias e atividade imobiliária, porém, com horário e capacidade de pessoas reduzidos.

EXPECTATIVA
A Prefeitura de Piracicaba foi questionada ontem sobre quais medidas serão adotadas a partir da liberação pelo Governo do Estado, mas até o fechamento desta matéria não houve retorno.

O presidente da Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba), Luiz Carlos Furtuoso, disse que a entidade está empenhada para a reabertura há dois meses e que, agora, a expectativa é grande para a retomada do setor.

Ele disse que aguarda as decisões da prefeitura, a quem caberá decretar as normas para a retomada. “A prefeitura tem de analisar as informações, avaliar os detalhes, por isso vamos aguardar”, ponderou.

A assessoria de imprensa do Shopping Piracicaba informou também que o centro comercial aguarda o posicionamento da prefeitura para definir a reabertura.

O governo estadual informou que os eixos principais das cinco fases foram discutidos com prefeitos e representantes de diversas associações comerciais e empresariais.

A escala será aplicada a 17 regiões distintas do território paulista, de acordo com a abrangência dos DRSs (Departamentos Regionais de Saúde), que são subordinados à Secretaria de Estado da Saúde. São os DRSs que determinam a capacidade de atendimento, transferências de pacientes e remanejamento de vagas de enfermaria e UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) nos municípios.

As fases são determinadas pelo acompanhamento semanal da média da taxa de ocupação de leitos de UTI exclusivas para pacientes contaminados pelo coronavírus e o número de novas internações no mesmo período.

Em Piracicaba, dados da Secretaria de Saúde do município apontam que dos 154 leitos de UTI disponíveis na cidade pelas redes pública e privada, 30 estão ocupadas por pacientes com coronavírus, ou seja, 19,5%.

Segundo a pasta, outros 38 pacientes infectados são acompanhados em enfermarias.

MUDANÇA DE FASE
De acordo com o estado, uma região só poderá passar a uma reclassificação de etapa – com restrição menor ou maior – após 14 dias da fase inicial, mantendo os indicadores de saúde estáveis.

Em todos os 645 municípios, a indústria e a construção civil seguem funcionando normalmente. A interdição total de espaços públicos, teatros, cinemas e eventos que geram aglomerações – festas, shows, campeonatos – permanece por tempo indeterminado. A retomada de aulas presenciais no setor de educação e o retorno da capacidade total das frotas de transportes seguem sem previsão.

O objetivo da classificação, segundo o Estado, é assegurar atendimento de saúde à população e garantir que a disseminação do coronavírus em níveis seguros para modular as ações de isolamento.

O plano foi elaborado por autoridades estaduais em sintonia com especialistas do Centro de Contingência do coronavírus e do Comitê Econômico Extraordinário que atuam voluntariamente em apoio ao Estado.

Nenhuma das 17 regiões está na zona azul, que prevê a liberação de todas as atividades econômicas segundo protocolos sanitários definidos no Plano São Paulo.

A zona verde, segunda mais ampla na escala, também não foi alcançada até o momento e permanece como meta de curto prazo para cada região.

Com exceção da Capital, todos os municípios da Grande São Paulo e também da Baixada Santista e de Registro permanecem na fase vermelha e não terão nenhum tipo de mudança na quarentena em vigor desde o dia 24 de março.

Nas três regiões, o sistema de saúde está pressionado por altas taxas de ocupação de UTI e avanço de casos confirmados de pacientes com coronavírus.

Nas demais fases, haverá flexibilização parcial em diferentes escalas de capacidade e horário de atendimento.

A etapa laranja, que abrange a Capital e outras dez regiões no interior, entre elas Piracicaba, e litoral norte, prevê retomada com restrições a comércio de rua, shoppings, escritórios, concessionárias e atividades imobiliárias. Os demais serviços não essenciais continuam fechados.

Na fase amarela, haverá reabertura total de serviços imobiliários, escritórios e concessionárias, segundo protocolos sanitários. Comércio de rua, shoppings e salões de beleza, além de bares, restaurantes e similares poderão funcionar com restrições de horário e fluxo de clientes.

As regiões que chegarem à fase verde poderão atenuar as restrições ao funcionamento de todos os setores da fase amarela.

Academias de ginástica e centros de prática esportiva também voltarão a receber frequentadores, desde que respeitados limites de redução de atendimento e as regras sanitárias definidas para o setor.

ISOLAMENTO SOCIAL
O distanciamento social ainda é a principal recomendação para conter a disseminação do coronavírus. Mesmo com a reabertura em São Paulo, há exigência do isolamento social das pessoas de grupos de risco, como maiores de 55 anos, portadores de doenças cardíacas e/ou crônicas e pacientes imunodeprimidos ou em tratamento oncológico.

De acordo com Dimas Covas, que coordena o Centro de Contingência do coronavírus e dirige o Instituto Butantan, a população ainda precisa encarar o isolamento como meta para permitir que os serviços de saúde continuem com capacidade para atender os pacientes com covid-19 em enfermarias e UTIs.

MAIS CASOS
Piracicaba registrou ontem mais uma morte e sete novos infectados por covid-19. A vítima fatal é uma mulher de 73 anos. Entre os infectados, as idades variam de 23 a 85 anos. A cidade conta com 498 infectados, 100 casos suspeitos e 24 mortos.

Nesta quarta-feira, o Estado de São Paulo registrou 6.712 mortes pelo novo coronavírus.  Também foram totalizadas 89.483 pessoas com diagnóstico de covid-19, com, pelo menos, um caso em 515 cidades. Destas, 251 tiveram no mínimo um óbito.

Beto Silva

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