Piracicaba registrou 35 novos casos de tuberculose neste ano

Abandonar o tratamento resulta em riscos para as pessoas de seu convívio. (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Dados da Vigilância Epidemiológica de Piracicaba mostram que a cidade registrou, de janeiro a 16 de abril, 35 novos casos de tuberculose. O número representa um aumento de 6% se comparado aos quatro primeiros meses do ano passado, que registrou 33 novos casos da doença. Durante todo o ano de 2019, foram 123 novos casos.


De acordo com o médico Eduardo Rebeis, coordenador das ações de combate a tuberculose no município de Piracicaba, um dos principais fatores de risco para aumentar os casos da doença é o abandono do tratamento.

Rebeis lembra que o tratamento para a tuberculose dura em média seis meses, é “bem estabelecido”, “muito eficiente” e que os pacientes já veem melhora nos primeiros momentos, causando a “falsa impressão de que o tratamento pode ser interrompido”. Os medicamentos utilizados são fornecidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) mediante prescrição médica e notificação compulsória da doença.

Ao interromper o tratamento, o paciente pode colocar em risco as pessoas ao seu redor, inclusive com uma forma mais resistente da doença. “Se houver interrupção da medição do fora do prazo estabelecido pelo médico os bacilos [a bactéria Micobacterium tuberculosis] desenvolvem resistência aos medicamentos convencionais. Desta forma, dificulta o plano terapêutico para o paciente em questão e promove risco para os seus contatos de adoecerem com a tuberculose resistente. Isto tem sido uma preocupação para a comunidade médica em todo mundo”, explica o médico.

A bactéria causadora da tuberculose pode se instalar em diferentes órgãos. Porém, de acordo com Rebeis, a maioria das pessoas que adoece desenvolve tuberculose pulmonar e apenas indivíduos com a doença no pulmão ou na laringe podem transmitir a tuberculose. Isso porque, ainda segundo o médico, ao tossir, o paciente que é portador da bactéria nas vias aéreas irá transmiti-la para outros indivíduos.

“De modo geral, a doença acontece com mais frequência em indivíduos que vivem em locais superlotados, com pouca ventilação e que tem a sua imunidade comprometida por alguma razão”, afirma Rebeis.

Para prevenir a tuberculose, Rebeis afirma que é importante a vacinação logo ao nascer “para prevenir as formas graves da doença na criança”, diagnóstico das pessoas com tosse há mais de duas semanas, monitoramento das pessoas que tiveram contato com alguém infectado, evitar aglomeração e manter o ambiente ventilado, ter boa alimentação, controlar as doenças que causam baixa na imunidade e não fumar, “pois o fumo aumenta a probabilidade de se adoecer de tuberculose”, comenta o médico.

Andressa Mota

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