Piracicaba supera índice da OMS em enfermeiros por população

Foto: Divulgação

O Dia da Enfermagem traz debates sobre a carreira e depoimentos emocionantes de quem segue na profissão durante a pandemia

Piracicaba tem um índice acima do preconizado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) na relação do número de enfermeiros por habitantes: 2,58 – 407.252 habitantes (estimativa IBGE/2020) e 1.052 enfermeiros (Conselho Federal de Enfermagem – Cofen). A organização coloca como proporcionalidade ideal haver dois enfermeiros para atender um grupo de 1.000 habitantes. O mesmo índice para Brasil chega a 2,89 – 211.755.692 habitantes (estimativa IBGE/2020) para 613.532 enfermeiros (Cofen). Entretanto, os números escondem a dura realidade desses profissionais, principalmente num momento de pandemia da covid-19. Assim, o Dia Internacional da Enfermagem, comemorado hoje (dia 12) é de suma importância tanto para a categoria quanto para nós que dependemos deles.

Na análise de Luciano Robson Santos, conselheiro do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP), a categoria ganhou reconhecimento técnico, científico e acadêmico. Mas as conquistas pararam por aí. “A enfermagem cada vez mais se consolidado como arte e ciência. Porém, o básico da categoria ainda continua distante do ideal: piso salarial nacional ainda não definido, jornada de 30 horas semanais sem redução salarial em discussão há 20 anos no Congresso Nacional e aposentadoria especial são lutas antigas da categoria”, destaca Santos.

O senador Fabiano Contarato (Rede) tem buscado mudar a situação da enfermagem no Brasil. O projeto de lei (PL) 2.564/2020 de sua autoria altera uma lei de 1986 afim de que se estabeleça um piso salarial nacional do enfermeiro, técnico e auxiliar de enfermagem, incluindo as parteiras. No site do Senado, uma pesquisa de opinião popular mostra quase 1 milhão de votos a favor do projeto de lei contra os raros votos negativos, 4.305.

O movimento favorável à criação de um piso salarial nacional tem ganhado fôlego. O parlamentar comemorou, no fim de semana passado, a relatoria favorável da senadora Zenaide Maia (Pros) ao PL. Contarato está em campanha agora para que a Casa inclua o texto do relatório na pauta de votação.

Há um ano, o colunista da editoria internacional, Jamil Chade, demonstrou que o número de equipe de enfermagem no Brasil é equivalente a países ricos, conforme dados divulgados pela primeira vez pela ONU. “De acordo com o levantamento, porém, o país teve um desempenho sofrível no que se refere às regulações e condições de trabalho, abaixo de alguns países africanos. Num índice de um a seis, o Brasil somou apenas dois pontos, equivalente ao desempenho da Índia. O indicador avalia questões como horas de trabalho, proteção social, contratos temporários, plano de carreira e medidas de proteção”, escreveu Chade ao portal UOL.

EM ALTA E DOMINADO POR MULHERES

A grande massa da categoria, incluindo enfermeiros, técnicos de enfermagem e auxiliares, cresceu, no Brasil, 37,8% entre 2013 e 2021, segundo o Cofen – 1,8 milhão (veja quadro) passou para os atuais 2,4 milhões de profissionais. Hoje, em Piracicaba, temos 4.591 deste grupo de serviços. Praticamente 90% ou 4.109 profissionais são mulheres – cinco pontos percentuais acima no cenário nacional.

Robson Santos, do Coren-SP, destrincha mais um pouco a categoria: “o perfil do profissional de enfermagem já é consolidado na categoria como sendo de pessoas mais maduras, com alguma experiência profissional anterior à enfermagem e, majoritariamente, feminina.

O principal perfil do futuro profissional de enfermagem seguramente deve ser o humanístico e saber se relacionar em equipe. Sem estes dois quesitos, fica quase que possível atuar na profissão”, prevê o conselheiro. Então, vamos ouvir essas pessoas batalhadoras que estão salvando vidas diante da maior catástrofe de saúde mundial!

Unimed: Fabiana Garbin Medina, enfermeira UTI (Unidade de Terapia Intensiva) covid.

Os desafios:

“Atualmente, nosso maior desafio é o combate à covid. Nossos pacientes dependem totalmente de nós. Aqui, eles ficam sem contato com a família, amigos e nós, na maioria das vezes, nos tornamos a família deles. A gente torce pela recuperação deles mesmo com todo o cansaço e desgaste que esse momento vem exigindo dos profissionais da saúde, a dedicação e a vontade de fazer o nosso trabalho da melhor forma possível falam mais alto do que todas as dificuldades encontradas pelo caminho. E o apoio da nossa coordenação, junto com a instituição, faz toda diferença para nós, profissionais.”

A escolha:

“Decidi ser enfermeira pelo ato de doação, de poder fazer mais pelo próximo. Sou casada mãe de duas filhas. Nossa família é grande e desde sempre vivencio isso do cuidar do outro. Dessa forma, decidi me aproximar no ato de cuidar.”

Hospital Regional: Silvia Helena Valente, gerente da área assistencial e responsável técnica de enfermagem

Os desafios:

“Falar de desafios da enfermagem no Brasil é falar do fortalecimento da política pública de saúde, é falar em investimento na formação profissional de forma emancipatória e de qualidade, é tratar da valorização da categoria profissional através da aprovação de um piso salarial digno no nível nacional. No dia a dia da instituição de saúde, com o avanço da pandemia, o grande desafio é estabelecer uma equipe de trabalho coesa e capacitada. Também reestruturar a engrenagem do cuidado diante de um cenário assistencial em transformação contínua e criar mecanismos de proteção da vida de quem cuida e daquele que é cuidado.”

A escolha:

“A promoção de uma assistência humana, segura e de qualidade, este é um resultado que nos traz grande alegria no dia a dia. Seguir a carreira tem a ver com a possibilidade de vivenciar o cuidado nos momentos mais delicados da vida humana: o nascer e o morrer.”

Hospital Santa Casa: Denise Correa de Oliveira Lautenschlaeger, gestora do cuidado

Os desafios:

“Como gestora devo colocar para a equipe de trabalho o conhecimento técnico agregado a uma boa gestão de recursos humanos e financeiros. E o grande desafio da enfermagem é ter qualidade quanto ao cuidado de ponta, o que é extremamente gratificante. Ao oferecer o melhor serviço, também pensamos num custo viável para instituição e, ao mesmo tempo, disponibilizando profissionais altamente qualificados. Acredito que essa equalização é o grande desafio na enfermagem hoje: aliar o conhecimento técnico-científico aos desafios de uma gestão, organizando recursos financeiros e humanos. Este é o meu grande desafio atualmente.”

A escolha:

“Desde que conheço por gente, sempre fui apaixonada pela área da saúde. Já pequena gostava de cuidar de gente. Aliás, gente me encanta! O ser humano em sua essência me encanta. E eu sempre gostei das áreas que me deixassem próxima às pessoas. Eu tive um pai muito voltado para esse cuidado. Ele não era da área, mas se tornou enfermeiro e foi meu aluno. Tudo isso foi criando esses valores em mim. Tanto é que quando saí do segundo grau, fui direto para enfermagem e fixei meu conhecimento na área da saúde. Sempre gostei muito de estudar também. A enfermagem me proporciona ter o cuidado pessoal, real e íntimo com o paciente aliado com muita ciência, conhecimento e estudo. Assim, juntei as duas coisas que mais gosto na vida: estudar e gente. Foi por isso que eu segui a carreira e amo tanto o que eu faço hoje.”

Hospital dos Fornecedores de Cana: Milena Carolina Dadalto Migatta, coordenadora de enfermagem

Os desafios:

“Entender que problemas são oportunidades. Compreender que são as pessoas que geram resultados, então, eu, enquanto líder, preciso estar perto, vivendo as dificuldades para que juntos possamos chegar aos resultados esperados. Inspirar e ser justa nas decisões também faz parte dos desafios.”

A escolha:

“Aprendi a celebrar com minha equipe nossas pequenas conquistas, nossas pequenas vitórias. Isso hoje me traz alegria: a cada elogio de um cliente, cada foto que a equipe me manda de uma lesão que está evoluindo bem, um paciente que depois muitos dias conseguiu tomar banho no chuveiro, uma alta de longa permanência, uma meta atingida, enfim, pequenas conquistas que celebramos! Isso me traz alegria! Eu sempre tive o desejo de cuidar em quando chegou o momento de decidir por uma carreira profissional, fiz a escolha pela enfermagem. No início da carreira me dediquei à assistência e em nenhum momento julguei ter feito a escolha errada. Era de fato meu propósito de vida. Após alguns anos tive convite para iniciar um novo desafio: atuar na gestão. Confesso que por um momento pensei sobre meu propósito. Até que entendi que este apenas estava se reinventando. Hoje, cuido de quem cuida e, com isso, consigo alcançar ainda mais pessoas, um desafio de cada dia!”

Cristiane Bonin

[email protected]

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