“É muito importante mostrar para a sociedade que a pessoa com qualquer tipo de deficiência pode ser quem ela quiser”. Essa frase é de Mary de Oliveira, candidata no concurso Miss Cadeirante 2020. “Acredito que por meio de todas nós alguém pode, sim, estar olhando e se inspirando cada vez mais”. E essa é a fala da Adrielle Castilho, outra participante do concurso. É com essa consciência que ambas representam Piracicaba no evento promovido pela advogada carioca Lú Rufino, que reúne só neste ano mais de 150 mulheres cadeirantes de todos os estados do Brasil que mostram que beleza não tem barreiras.

O concurso começou em 2017 com 15 participantes. No ano passado já eram 50. Mas as inscrições triplicaram neste ano, com 154 mulheres e ainda outras na lista de espera. “O objetivo é empoderar mulheres cadeirantes e mostrar à sociedade a beleza que cada uma tem e que deficiente é o olhar preconceituoso”, explica Lú Rufino. “Temos advogadas, professoras, políticas, donas de casa, estudantes”, lembra.

A advogada conta que para participar do concurso basta olhar-se no espero e sentir-se linda. Não há taxa para participar. A premiação está marcada para setembro, no Rio de Janeiro. Para ir ao evento, aí sim a participante precisa arcar com o valor das passagens.

Enquanto o grande dia não chega, as participantes devem promover suas fotos publicadas nos perfis oficiais do concurso no Facebook e no Instagram: @misscadeiranteoficial. São os perfis com a imagem de uma mulher cadeirante com borboletas no cabelo.

As curtidas, comentários e depois as avaliações do juri – artistas, atletas paralímpicos, coreógrafos, entre outros – somarão pontos para eleger a Miss Cadeirante 2020.

As piracicabanas participam do evento pela primeira vez. Mary tem 26 anos. Adrielle, 18. Ambas conheceram a iniciativa pela internet.

Adrielle relata que “está sendo uma experiência incrível participar e ser reconhecida nos lugares e ter o apoio das pessoas”. Para Mary, é uma forma de “mostrar que podemos ter igualdade social, podemos ir à luta dos nossos direitos, em busca de acessibilidade”.

Adrielle sempre quis ser modelo, inclusive já participou de concursos municipais promovidos pelo vereador André Bandeira (PSDB). Ela lembra da importância da representatividade para a inclusão. “Merecemos nosso espaço também, assim como qualquer outra pessoa, porque vejo que não somos muito vistos na mídia, seja para ser modelo de marcas de roupa, sapatos, acessórios e acho que já está na hora”, avalia.

No mesmo caminho, Mary enfatiza que é preciso tornar natural que todas as pessoas podem se maquiar, se arrumar, ter vida social. “As pessoas acham que a pessoa que usa cadeira de rodas é incapaz, não tem sentimentos, que a gente deve andar de qualquer jeito. Hoje em dia não tem mais isso, todo mundo pode ser e viver como quiser”, comenta.

Para Lú Rufino, as mulheres participantes do concurso estão “mudando a história da deficiência no Brasil por meio da beleza”. Não há preconceito que pare essas mulheres.

Andressa Mota

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