Piracicabana da família Adamoli vence prêmio na Bienal Naïfs

Alexandra de Cássia Adamoli Valério, foi premiada pela obra Cotidiano II | Foto: Amanda Vieira/JP

Tem uma piracicabana, cujo tio-avô é o ilustríssimo Joca Adamoli, entre os quatro artistas agraciados com o Prêmio Destaque Aquisição da 15ª Bienal Naïfs do Brasil, realizada – exclusivamente este ano online – no Sesc Piracicaba. É Alexandra de Cássia Adamoli Valério, com a obra Cotidiano II, que agora passa a integrar o acervo Sesc de Arte Brasileira. Os demais vencedores são Totem Kamadeni, de Pauiní (AM), Paulo Mattos de São Paulo (SP) e Shila Joaquim de São Matheus (ES).

O prêmio é um estímulo à autora para seguir produzindo. “O fato de ser selecionado para participar ja é um incentivo. Receber um prêmio ou menção especial é mais ainda, e um prêmio destaque aquisição diria que é um sonho. Custamos a acreditar e só de falar disso me lembro da sensação de tudo antes. Ficamos paralisados. Quando fazemos um trabalho, colocamos muito de nos nele”.

Cotidiano II, como conta Alexandra, retrata o dia a dia de uma favela. “Retrata seus medos, suas dificuldades, seus problemas. Dialoga com a dificuldade financeira da comunidade nos ‘gatos’ de TV e luz, o receio de um confronto entre policiais e bandidos, traficantes que ali dominam e, ao mesmo tempo, a segurança que a polícia proporciona à comunidade”.

Alexandra é, além de vencedora de uma Bienal Naïf, uma frequentadora assídua da mostra e de outros movimentos artísticos de Piracicaba promovidos pelo Sesc, como o Rio das Artes. Ela gosta, mesmo, da simplicidade e ingenuidade que motivam as obras do estilo. “Cheguei a produzir obras para edições passadas, mas nunca tive coragem de inscrevê-las. Nas Bienais 2016 e 2018, meu marido foi selecionado. Em 2017 foi convidado para uma vivência no Sesc Piracicaba e uma oficina no Sesc Belenzinho, as quais participei como auxiliar. Com essa participação dele nas últimas edições, eu pude ter um contato maior com os artistas, pessoas de grande valor, simples, criativas, sem técnicas apuradas e pude me identificar mais com eles, ficar mais vontade”.

Cotidiano II é a primeira pintura enviada à Bienal – em 2018 enviou uma escultura, não selecionada. Além da citada simplicidade, a obra carrega espectro de um passado bastante conhecido em Piracicaba: o tio-avô de Alexandra é ninguém menos que Joca Adamoli. “Aos seis, sete anos ficava horas sentada no mural da janela vendo meu tio-avô pintando no seu atelier ao som dos cantos dos pássaros. Amava aquela atmosfera: a música, o cheiro da tinta e a tela se formando”.

Erick Tedesco

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