Piracicabano é chefe de naipe em orquestra suíça

Por aqui, iniciou os estudos na Empem (Escola de Música de Piracicaba Maestro Mahle), e logo em seguida com Elisa Fukata, em São Paulo. / Foto: Divulgação.

O piracicabano Rosnei Tuon é concertino dos dois violinos na Orquestra de la Suísse Romande em Genebra, na Suíça. Está há 30 anos longe da cidade natal. Por aqui, iniciou os estudos na Empem (Escola de Música de Piracicaba Maestro Mahle), e logo em seguida com Elisa Fukata, em São Paulo. Elisa Fukuda apresentou-se nas mais importantes salas de concerto do Brasil e da Europa como solista e recitalista, destacando-se os solos com a Orchestre Philharmonique George Enesco de Bucareste, Orquestra de Câmara de Moscou e as principais orquestras do Brasil. Foi membro do Trio Dell’Arte (com o pianista Giuliano Montini e o violoncelista Peter Dauelsberg) com o qual fez turnê na Argentina, França, Espanha, Alemanha, Portugal e Açores.

Além da atividade didática que vem desenvolvendo na Escola Fukuda, é também da Diretoria Artística da Camerata Fukuda.

Rosnei venceu em 1991 o Concurso Jovens Concertistas, no Rio de Janeiro, e foi assim que partiu – com ajuda da bolsa Capes – para o Conservatório de Música de Genebra, na Suíça. Lá estudou com o conceituado violinista italiano Corrado Romano, já falecido. Nesta instituição ele obteve o primeiro prêmio de virtuosidade e os prêmios especiais Lullin e Vidoudez, destinado aos alunos que mais se destacaram.

Em seguida, aperfeiçoou-se com Pavel Vernikov, no Conservatório de Lyon, na França, onde obtev um diploma de terceiro ciclo, equivalente a um doutorado do instrumento.

Rosnei também foi vencedor do segundo prêmio no Festival de Portogruaro, na Itália.

Participa, ainda, como solista ade diversas orquestras, como Orquestra Nacional Brasileira, Osesp, Osup, Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Orquestra de la Suísse Romande, Le Solistes de Genebra, Ensemble Romand, Orquestra do Conservatório de Lyon e San Luiz, na Argentina.

Rosnei possui uma longa trajetória no mundo sinfônico. Foi spalla dos segundos violinos da Orquestra de Câmara de Genebra, por dois anos, e regularmente colabora com várias orquestras da Europa, entre elas, a Orquestra de Câmara de Lausanne, Sinfônica de Berna e Orquestra Nacional de Lyon, na França.

É também constantemente solicitado como professor nos festivais de Campos de Jordão, na Feimep (Festival Internacional de Mqúsica Erudita de Piracicaba) e Orchestre du Collège, em Genebra.

Apaixonado por música de câmara, já trouxe ao Brasil o Ensemble Astor, quinteto de cordas que mixa clássicos e tangos argentinos.

E foi de sua residência, na Suíça, que Rosnei concedeu mais uma entrevista ao Persona, do Jornal de Piracicaba. Nesta conversa, o músico fala de música erudita em meio à pandemia da covid-19, sobre viver de música na Europa, entre outros assuntos.

Rosnei, como a Orquestra La Suisse Romande de Genebra encarou os primeiros meses da pandemia da covid-19?

Como qualquer outra instituição, pegou todos de surpresa, e não tivemos outra escolha , senão cancelar todas as atividades programadas. Foi muito estranho no início, pois pensamos que era só por um mês, mas depois fomos vendo que a situação era mais complicada e que isso iria se prolongar.

E atualmente, a orquestra já retomou algumas atividades? Qual a projeção de trabalho para 2021?

A orquestra retomou alguns concertos em setembro , com o naipe de cordas usando máscaras e distanciamento. Os sopros (fl autas oboés etc), só distanciamento e plexiglas como proteção.

Agora final de outubro Infelizmente os Concertos tiveram que ser novamente cancelados devido à pandemia. E em relação ao número de pessoas nas salas de concerto agora em novembro, novas regras em vigor do governo aqui de Genebra.

Esse mês de novembro, a orquestra está aproveitando essa nova quarentena para fazer gravações de discos e programas TV.

Para 2021 Temos vários concertos e uma Turnê pela Europa em abril, mas ninguém sabe com certeza se a situação vai melhorar e voltar como era antes.

Como é o dia a dia de um músico de orquestra Sinfônica Profissional?

Minha orquestra trabalha com duas vertentes , uma só com Concertos Sinfônicos (que é o nosso principal), mas também como Orquestra de acompanhamento de Ópera.

Em geral na Europa, as grandes cidades que possuem uma casa de Ópera (Paris Berlin Londres ) tem uma orquestra especialmente destinada para acompanhamento dos cantores líricos. Em Genebra, minha orquestra que é encarregada disso.

Então, nossa programação é dividida entre concertos, geralmente dois por semana no Victoria Hall, com maestros convidados ou com o nosso maestro titular, e óperas, oito produções por ano no Grand Théâtre de Genève.

São duas coisas distintas?

Sim, são duas coisas bem distintas. Quando entrei na orquestra há 20 anos, não conhecia bem esse repertório de ópera! Devo dizer que hoje em dia aprecio bastante.

Já os Concertos Sinfônicos são sempre mais interessantes se o programa trouxer um bom solista ou um bom maestro, pois torna a leitura de uma sinfonia ou de um concerto que conhecia, em algo novo, com um novo olhar.

Porque sua Orquestra se chama Suisse Romande?

Suisse Romande significa a Suíça Romandia, ou seja, a região Suíça que fala francês. A Suíça é dividida em Cantões (equivalente de estados no Brasil) alguns tem como idioma o alemão, outros o francês ou italiano. Mas também existe uma quarta língua que é o romanche.

Um pequeno país com 4 idiomas é meio estranho, não é?

Minha orquestra foi criada em 1918 por músicos da região, e assim se tornou uma das mais conhecidas e famosas da Suíça, graças também ao maestro que a fundou, Ernst Ansermet, que foi um dos primeiros a gravar discos (principalmente de repertório francês) nos anos 60.

Como é fazer parte de uma orquestra suíça?

Nosso contrato é sempre tocar em Genebra, mas também uma vez por mês em Lausanne. Também temos que tocar em outras pequenas cidades pela região. Nossos salários são pagos em parte pela cidade, pelo cantão (Genebra e Lausanne) e por mecenato. Mas a orquestra ficou mais conhecida, principalmente nos Estados Unidos pelas interpretações de música francesa.

Uma coisa interessante é que sempre que viajamos para outros países fora da Europa em turnês , colocamos alguma peça de algum compositor suíço. Por exemplo, quando tocamos na ONU de Nova York , tocamos uma peça muito contemporânea de um compositor suíço. Mas não sei se teve muito sucesso.

Como a indústria cultural da suíça lidou com a pandemia? O governo ajudou de alguma forma?

A indústria musical e cultural suíça de uma forma geral foram extremamente punidos com as novas regras. Em agosto e setembro o governo permitiu que o público nas salas de concerto e Ópera fosse de no máximo 300 pessoas, depois passou para 1.000. Mas agora com essa nova onda de contaminações, voltou tudo para a estaca zero, ou seja, até dezembro tudo foi cancelado.

O governo continua honrando uma parte dos salários dos músicos da minha orquestra, como sempre fez. Mas sei que para quem não trabalha em uma instituição municipal ou estadual as coisas estão extremamente complicadas!

Erick Tedesco
[email protected]

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1 COMENTÁRIO

  1. Parabéns a Rosnei Tuon pela bela carreira musical. Seja sempre grato a Deus pelo dom recebido, já que poucos são contemplados. Parabéns à sua família que, certamente, contribuiu nessa longa jornada.

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