Piracicabanos estão em dossiê atribuído a deputado

Deputado estadual Douglas Garcia (PL) teriam compilado mais de mil nomes (Foto: Agência Alesp)

Ao menos quatro piracicabanos tiveram seus dados divulgados ontem em uma lista que reúne supostos antifascistas. O documento é atribuído ao deputado estadual Douglas Garcia (PSL). O dossiê tem quase mil nomes e teria sido compilado pelo parlamentar, que é aliado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O gabinete do deputado descartou ontem a autoria da lista e atribuiu a denúncia a um grupo terrorista que age na Capital. Em nota, a assessoria de Garcia enviou frases que ele publicou em suas redes sociais sobre o assunto.

“Descobri que terroristas antifas (antifascistas) estão divulgando uma lista com nomes de pessoas, afirmando que seria a mesma que eu recebi e entreguei às autoridades competentes. Isso é mais uma tramoia destes criminosos para me atacar, visto que nunca divulguei nada, bem ao contrário destes canalhas que expuseram toda minha família nas redes sociais”, afirmou o deputado, que é membro da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo.

Além de nome, fotos e endereços de perfis nas redes sociais, o documento traz informações como endereços de casa, de trabalho, telefones e números de documentos das pessoas listadas.

Uma das pessoas incluídas no dossiê e que teve suas informações divulgadas disse que a lista já tinha sido feita há alguns anos.

Ao ser questionado se fazia parte de algum movimento antifascista, o rapaz – que pediu para não ter o nome divulgado – disse que o antifascismo não é uma organização e nem um grupo específico e sim, uma ação.

“Se você tem qualquer atitude que vá contra o nosso cenário atual, de trazer conforto a quem a sociedade abandona, é uma atitude antifascista. Trabalho solidário, ação social, uma coberta que você entrega a alguém com frio na rua é uma ação antifascista”, comentou.

Em relação a divulgação de informações pessoais e da imagem sem autorização, ele falou que o documento foi feito apenas por ‘achismo’ e que não tem nenhuma metodologia séria.

Ele acrescentou que as pessoas citadas no dossiê irão procurar seus direitos perante o deputado. “Estamos organizando uma ação coletiva, afinal foi um crime, e pelo que constatamos o deputado é investigado por mais crimes (fake news), mentiras que podem gerar ódio entre os cidadãos menos esclarecidos”, completou.

Beto Silva

Mauro Adamoli