Piracicabanos são exemplo de solidariedade em Belém-PA

“Ponto de Apoio” tem um ano, realizou mais de 600 passeios gratuitos e conta com 50 voluntários. (foto: Divulgação)

Da noite para o dia, a vida do meteorologista piracicabano João Paulo Nardin Tavares mudou radicalmente. Vítima de uma parada cardíaca em março de 2015, João Paulo ficou com uma sequela neurológica que afetou todo o sistema cognitivo e físico. Com rotina pesada de terapias em saúde, recuperou os movimentos e permanece em reabilitação, apresentando melhoras pouco a pouco, todos os dias.

O acompanhamento médico, a fé e o amor da família são os pilares que têm contribuído para a recuperação, assim como o convívio social. E foi justamente durante os passeios em uma bicicleta adaptada, encomendada pelo irmão Daniel, que surgiu um projeto social idealizado pela família e abraçado por amigos. O projeto Ponto de Apoio foi idealizado pelos irmãos de João Paulo, Daniel e Mariana, com o incentivo da mãe, Silvia Ometto Nardin. Nascidos em Piracicaba, mas radicados no Pará há mais de 20 anos, eles criaram uma atividade que já completou um ano, realizou mais de 600 passeios gratuitos em 24 edições e conta com uma rede de 50 voluntários.

A ideia é simples e consiste em passeios ciclísticos em bicicletas adaptadas de forma gratuita para pessoas com deficiência e idosos. Os passeios são realizados em um parque na cidade de Belém, chamado Utinga, a cada 15 dias. A iniciativa, que começou com apenas uma bicicleta, hoje conta com oito.

O grupo lançou uma campanha de financiamento coletivo pela internet para que 2019 termine com dez bicicletas. Cada passeio leva em média 40 minutos e é aguardado com ansiedade pelos participantes e familiares. A pintura das bikes, nas cores vermelha e branca, é uma homenagem à Esquadrilha da Fumaça, que ostentava essas cores na década de 1990 e é uma das paixões de João Paulo, fã de aviação.

O meteorologista piracicabano, inclusive, realizou um curso de aviação civil no aeroclube, na época em que morava em Piracicaba. As bicicletas utilizadas no projeto são fabricadas em Belém por um holandês que se mudou ao Pará, assim como a família Nardin Tavares. O custo varia entre R$ 2.500 e R$ 3.000.

Para 2020, o projeto Ponto de Apoio planeja expandir os atendimentos, “sempre de forma gratuita”, destacou Mariana. “O projeto é muito simples e fácil de ser replicado. Não tem segredo. Tem que ter vontade. E nossa ligação com Piracicaba nos faz ter uma vontade enorme de um dia ver nossas ‘vermelhinhas’ circulando na Esalq ou na Rua do Porto”, comentou Daniel Nardin, um dos idealizadores do Ponto de Apoio. “Já recebemos contato do Brasil inteiro e estamos elaborando um projeto básico, para quem desejar montar na sua cidade uma unidade.

A maior dificuldade é encontrar quem faça a bike, já que o custo de transporte é muito alto.

Feito isso, é só reforçar a dose de vontade e o projeto sai”, afirmou. “A sensação de liberdade, a fuga da rotina e o sorriso que o projeto produz melhora a autoestima, promove bem-estar e deixa a vida mais leve para toda a família”, completou a terapeuta ocupacional Márcia Nunes, que é uma das coordenadoras do projeto.

SERVIÇO

Para conhecer o projeto e saber como contribuir com a campanha de financiamento coletivo para manutenção da ideia, basta acessar as redes sociais do Ponto de Apoio no Facebook ou Instagram (@pontodeapoiopa) ou o site www.pontodeapoiopa.com.br.

Da Redação