Piracicabanos vão jogar na Federação Desportiva de Surdos do Estado

Alan e Mateus sonhavam em ser jogadores profissionais desde pequenos | Foto: Claudinho Coradini/JP

Alan de Oliveira Santos, 31, e Mateus Fraga Santana, 24, começam 2021 com sonhos realizados. Os dois jogadores de futebol foram aprovados para jogar no time da Federação Desportiva de Surdos do Estado de São Paulo. Entre as metas para o ano novo, os atletas querem participar da Copa do Mundo para Surdos e alcançar novas conquistas.


Santos e Santana, atacante e volante, respectivamente, desde pequenos sonhavam em ser jogadores profissionais. Ambos já são parceiros de equipe no ASRC (Associação de Surdos de Rio Claro). “Hoje, com essa conquista, me sinto orgulhoso de todo o caminho que percorri até aqui e muito ansioso para as próximas etapas”, conta Santos que coleciona vitórias no currículo.

“Já ganhei quatro títulos pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba, três títulos pelo Clube da Caterpillar, 11 títulos de artilheiro do campeonato. Pelo time ASRC, disputamos e ganhamos a Copa Paulista e a Recopa sediada na cidade de Ibaté”, conta na expectativa pelas novas conquistas.

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Santana estava ao lado de Santos quando levantaram as taças com o ASRC. “Todos os surdos que jogam nas associações de surdos querem fazer parte da Federação Desportiva de Surdos do Estado de São Paulo”, lembra. “Quando eu estava assistindo a convocação oficial da seleção paulista de futebol 2021, eu só pensava em Deus. Acreditava que Ele ia me ajudar. Quando vi meu nome entre os convocados, fiquei muito feliz. Agradeci a Deus por me permitir alcançar mais esse objetivo”, afirma.


Tanto Santos quanto Santana já jogaram em times com ouvintes. Santos, aos 12 e 16 anos, chegou a passar em seletivas, mas por alguns obstáculos, como a dificuldade de comunicação pelo time não ter intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais), não foi. “Após tantas tentativas para entrar no futebol profissional, percebi que a falta de inclusão é um fator muito importante e acabei desistindo de entrar em times profissionais de ouvintes. Foi nesse momento que conheci a ASRC, que me acolheu, me abriram os caminhos e me apoiaram para me inscrever nas seletivas”, conta.


Santana lembra das crianças surdas e quer que seu exemplo e o do amigo sirvam de inspiração. “Eu quero que as crianças surdas olhem para nós e acreditem que são capazes. […] Às vezes as crianças podem pensar que, porque são surdas, não podem jogar futebol, mas isso não é verdade. Nós, surdos, somos muito visuais, percebemos o jogo visualmente e podemos jogar futebol como os ouvintes”, diz.

Andressa Mota | [email protected]

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