Polaridades E Integração

Desde conceituações antigas provindas do Oriente, o Universo e a vida são apresentados em polaridades opostas e complementares, as quais interagem incessantemente. Tais polaridades se sucedem em ciclos que fazem parte dos fenômenos naturais e podem ser reconhecidas como dia e noite, luz e sombra, calor e frio, atração e repulsão, dar e receber; no corpo físico:
macho e fêmea, inspiração e expiração, sístole e diástole, sono e vigília, nascimento e morte.

No ser humano as polaridades masculina e feminina são óbvias do ponto de vista físico; no entanto, características psicológicas, tanto positivas como negativas, também podem ser concebidas sob tal visão.

Exemplos de características “masculinas” positivas: coragem, firmeza, decisão, lógica, objetividade; negativas: grosseria, impaciência, impetuosidade. Algumas características “femininas” positivas: suavidade, prudência, paciência, sensibilidade, intuição; negativas: falta de confiança em si, retraimento, timidez.

Todos, homens e mulheres, temos em maior ou menor grau aspectos de ambas as polaridades; o que varia é a predominância de cada uma e seu modo de expressão.

Na busca de equilíbrio e de uma vida mais integrada, importa considerar quais aspectos polares predominam, a fim de utilizá-los de modo construtivo e criativo, como oportunidades de aprendizado, crescimento e serviço. Ao mesmo tempo, aqueles que se apresentem excessivos, disfuncionais ou negativos podem ser harmonizados. Por exemplo, quem é impaciente pode se propor práticas e exercícios para amenizar tal característica e compensá-la pelo desenvolvimento da calma e da serenidade. Quem se mostra excessivamente tímido e inseguro se beneficiaria com vivências e práticas que desenvolvessem a confiança e a coragem. Existem muitos recursos terapêuticos, sejam medicamentosos, como a homeopatia, ou psicológicos, através de múltiplas técnicas e abordagens, capazes de auxiliar no equilíbrio das polaridades e na sua expressão saudável.

Importa considerar a importância da aceitação do temperamento e das características individuais, de si mesmo e dos outros, as quais expressam em maior ou menor grau alguma polaridade predominante, favorecendo assim uma visão mais inclusiva e uma postura respeitosa diante de quaisquer diferenças pessoais. Ao mesmo tempo, somente se pode transformar aquilo de que se tem consciência. Portanto, reconhecer a própria realidade é etapa importante para a cura e o desabrochar das potencialidades humanas.

Tendências predominantes em cada um, masculinas ou femininas, não têm necessariamente relação com orientação ou preferências sexuais, pois há inúmeras formas de essas polaridades interagirem e se expressarem. A excessiva identificação com a polaridade do corpo físico pode exacerbá-la, dificultando o reconhecimento e a expressão em si de traços da polaridade oposta. Isso pode limitar o desenvolvimento anímico e restringir o fl orescimento da essência do ser, a qual transcende dualidades e polaridades.

Independentemente do sexo biológico, importante é o trabalho interior de superação dos aspectos negativos, retrógrados ou disfuncionais, tanto “masculinos” como “femininos”, ao lado do desenvolvimento e da manifestação daqueles positivos de ambas as polaridades, cada vez mais integrados e coesos. Tal é o caminho possível a todos os que se disponham a conhecer-se em profundidade, ao mesmo tempo reconhecendo e respeitando em todos os seres as mais diversas manifestações da vida.


Imagem: freepik

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