Por alteração na linha, moradora do Godinhos precisa andar 500m no escuro para pegar ônibus todo dia

Teresinha precisa percorrer todo o caminho na escuridão (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Desde maio a doméstica Teresinha Marcine Berto precisa diariamente sair da sua casa às 4h30 da manhã, no bairro Godinhos, e caminhar por cerca de 500 metros no escuro para pegar o ônibus para o trabalho. Ao voltar para casa, às 19h, o trajeto e o receio de que algo aconteça, em meio ao canavial, se repetem. As mudanças no itinerário e nos horários de ônibus também implicam em mais tempo fora de casa.

O ônibus que passava no bairro às 6h da manhã foi antecipado em uma hora. No fim do dia, o que pega para voltar para casa passou a sair mais tarde do TCI (Terminal Central de Integração): só às 18h. Além disso, o itinerário parou de atender o ponto mais próximo de sua casa.

“Toda vida ele veio aqui no meu ponto. Faz 19 anos que eu moro aqui. Só que agora ele não está querendo vir e aqui, como é sítio, é escuro, não tem como a gente ficar andando até lá, é perigoso”, relata Teresinha.

Teresinha conta que essa situação começou quando houve a mudança de empresa no transporte coletivo e também pelas alterações das linhas devido à pandemia. Ela não trabalhou durante abril por conta da quarentena e, ao voltar à rotina, em maio, teve essa surpresa. “Ele fazia esse itinerário mesmo que não tinha mais a fazenda [Ribeiro], vinha buscar a gente porque a gente trabalha de manhã. E agora, começou essa empresa nova, eles alegam que estão rodando por quilometragem e não querem subir pegar eu no meu ponto e tenho que descer até a Agrofapi, na entrada”, explica.

Questionada, a Semuttran (Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte) informou que “os horários da linha em questão também foram ajustados [com o isolamento social] com a implantação de horários que atendem a um maior número de pessoas do bairro em referência”. Porém, também respondeu que o departamento de transportes públicos avaliará a possibilidade de ajustar “os horários em questão”.

A respeito do motorista não subir mais até o ponto de Teresinha, a fazendo andar por 500 metros no escuro de manhã e à noite, sendo perigoso, a pasta respondeu que a empresa Tupi opera “a linha em seu trajeto estabelecido”. “Ocorre que esta linha seguia a frente onde cita a usuário, e hoje não mais”, diz em nota.

Andressa Mota

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