Às vezes me pego a refletir por que o ser humano, em algum momento de sua vida, toma decisões desacertadas em vez de seguir modelos que a razão ajuíza.
Muitas são as razões que levam pessoas boas, honestas, inteligentes, a fazer escolhas sem sentido, sem noção.
É certo que muitas decisões não são de nossa vontade, a maioria ocorre por falta de opções. Outras são naturais, não acontecem por nossa vontade ou pedido, como os pais, filhos, irmãos, sogra, nora, genro, e assim vai.
Completam a relação as escolhas impossíveis, ilusórias, do mundo da imaginação, dos sonhos, que a maioria não se realiza e se dissipa com o tempo.
Só escolhemos, de verdade mesmo, o que brota no coração: esposa, marido, amigos, um cão, um gato, time de futebol…
Os caminhos da vida deveriam ser indicados pela razão, mas seriam deleitosos? Os escolhidos pelo coração, embora maravilhosos, também não garantem felicidade.
Mas algumas preferências e comportamentos são difíceis em se aceitar, como andar na contramão da vida, por exemplo.
Quem os pais escolheriam para um filho ou filha casar? Uma pessoa criminosa? Um viciado? Um vagabundo? Um corrupto? É claro que não. Escolheriam pessoas honestas, boas, capazes de prover a família e que houvesse amor entre ambos. Ou seja, seriam rejeitados pretendentes que revelassem comportamentos ilícitos, simpatia pelos que profanassem a sociedade, acalentassem a desonestidade e desdenhassem o bem e a verdade.
Pois não é isso que ocorre na relação entre muitas pessoas, mesmo sendo boas, e os governantes. O tamanho do enriquecimento ilícito e provado dos políticos corruptos não é sufi ciente para que essas pessoas se despojem do encanto com a maldade e a mentira.
Ninguém é perfeito, todos pecam, mas idolatrar e reverenciar criminosos pressupõe parceria com o crime. Essa constatação se revela quando um candidato político vencedor, considerado como única opção para lutar contra aqueles que levam o país à
falência, é duramente criticado pelos adeptos do lado derrotado.
Isto pode significar que os que criticam sejam partidários do lado derrotado. Justificar essa anteposição só tem um pretexto aceitável: suas mentes estão obscurecidas pela devoção e fidelidade a alguma crença ou seita, ou são inocentes, ou insipientes.
Esse cenário está montado há anos em nosso país. E assim continuará enquanto a população, vítima das falácias da retórica favorecida pela pilhagem do dinheiro público, persista ao vender nas urnas eleitorais os seus votos.
Voltaire (1694-1778), filósofo francês, um dos grandes representantes do Movimento Iluminista do período do Renascimento, disse que há dois tipos de ladrões: um é o ladrão que escolhe você para roubar. O outro é o ladrão político, que você escolhe pelo seu voto. O primeiro rouba nosso carro, nosso relógio, nosso celular; o segundo rouba nosso futuro, nossa esperança,
nosso bem-estar. O primeiro vai para a cadeia, e fica lá; o outro, aquele que você escolheu, é preso e a Justiça solta.
Ser esperto não é enganar, roubar, mentir, viver à custa dos outros; isto é malandragem, assalto, comportamento devasso.

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