Por que a inflação é alta no Brasil? Professor da Unicamp explica situação que brasileiro sente no bolso

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Brasil possui 65,69 milhões de inadimplentes, segundo Serasa. Isso corresponde a 40,74% da população adulta

O Jornal de Piracicaba tirou dúvidas sobre os efeitos negativos da inflação na vida dos brasileiros com o doutor em administração pela USP e professor de finanças e economia da Unicamp, Eduardo Gaio. Confira:

Por que a inflação está alta?

A inflação tem subido nos últimos meses em decorrência dos fatores externos que elevam os custos de produção e transporte no Brasil. Em 2020 e 2021 tivemos uma inflação resultante da crise causada pela Covid-19, que comprometeu as cadeias globais de valor. Depois, tivemos as secas que atingiram o Brasil e elevou o custo da energia elétrica, pelos baixos níveis dos reservatórios. Os alimentos também tiveram alta, devido à quebra de safra e baixa produtividade pela falta de chuvas. Em 2022 a causa é outra. A alta dos preços é reflexo da guerra entre Rússia e Ucrânia, que elevam os preços do petróleo, commodities e insumos agrícolas.

Por que o preço dos alimentos subiu tanto esse ano?

Há diversos fatores. O primeiro relacionado aos insumos de produção. A Rússia é um dos maiores fornecedores de fertilizantes. O preço do potássio, por exemplo, disparou no mercado internacional. Com isso, há uma alta no custo do plantio e manejo dos produtos agrícolas nacionais. Outro fator está relacionado aos preços dos grãos (commodities) no mercado internacional. Rússia e Ucrânia também são grandes fornecedores de grãos. Com seu fornecimento comprometido e demanda aquecida do mundo, pela pós-covid, os preços do trigo, da soja e do milho se elevaram. Produtos que são utilizados como insumos básicos para fabricação de ração animal. Há também o fator transporte. Com a guerra, os preços do barril de petróleo vêm oscilando em patamares elevados. Como a política atual de preço de combustível indexa o mercado interno aos preços internacionais, a alta do petróleo causa elevação nos preços do diesel e nos custos de transporte. Por fim temos os aspectos climáticos. Os baixos níveis de chuvas e mudanças de temperatura comprometem a produtividade das lavouras. Isso ocasiona baixa produção e até quebra de safras. O que eleva os preços finais no supermercado.

Como explicar a alta impressionante dos combustíveis?

Os preços dos combustíveis praticados no Brasil seguem os preços internacionais, conforme à política de preço praticada pela Petrobras. Se os preços do petróleo sobem no mundo ou se a cotação do dólar aumenta no Brasil, os preços do diesel, gasolina e gás terão aumento. A Petrobras, por meio da política preços de paridade de importação (PPI), corrige os preços sempre que se altera no mercado internacional. Como a Rússia á um dos grandes fornecedores de Petróleo e gás no mundo, a guerra com a Ucrânia e restrições impostas pelos países têm causado uma elevação das oscilações dos preços do barril de petróleo, diesel e gasolina, que já estão em patamares elevados.

Como o governo federal pode controlar alta de preços?

A responsabilidade pelo controle das mudanças dos preços dos produtos é do Banco Central, por meio de uma política de metas de inflação. Atualmente esta meta está em 3,5% ao ano, com valor máximo de 5% e valor mínimo de 2%. O valor da inflação em 12,13%, acima do teto de 5%, já coloca o Banco Central na função de atuar rigorosamente. O principal instrumento utilizado é a elevação da taxa básica de juros (Selic), que atualmente está em 12,75% com perspectiva de alta até fim do ano. A alta da taxa eleva o custo do crédito, um dos principais motores do consumo. Sem aumento de consumo os produtores são obrigados a reduzirem os preços. Com isso há uma redução da inflação.

Como está a inadimplência no Brasil?

De acordo com o Mapa da Inadimplência do Serasa, com valores de março de 2022, o Brasil possui 65,69 milhões de inadimplentes. Isso corresponde a 40,74% da população adulta. Em São Paulo esse percentual é ainda maior, 43,02% da população adulta. Por pessoa, os valores atingem a média de R$ 4.046,31 de dívida. Dívidas com cartões de bancos correspondem a 28,17% do total, com contas básicas (água, luz e gás) 23,21% e varejo 12,62%.

Nani Camargo
Especial para o JP

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