Pornografia ou Erotismo

Foto: Pexels

O sucesso da série Sex/Life trouxe muitos assuntos à tona em psicoterapia nos últimos tempos. Por isso achei pertinente fazer uma reflexão leve sobre o tema pornografia/erotismo e para isso trago aqui um trecho do comentário da colega psicóloga e sexóloga Lara Perasso que assina o @blogdelara no Instagram. Acompanhem:

“…Pacientes trazendo suas visões quanto ao conteúdo, mesclando opiniões voltadas ao social, e comparações direcionadas ao individual. Mães, mulheres, esposas, namoradas, pais, homens, esposos e namorados trazendo uma sensação particular de um momento Netflix.

A excitação foi geral, e muitos pausaram o episódio para curtir uma transa ou mesmo um prazer solo. Fantasias, questionamentos e desejos, em geral, que trouxeram a seguinte reflexão: existe diferença entre cenas pornográficas e cenas eróticas? Aparentemente sim, e a diferença é grande!

Filmes pornográficos podem ser comparados aos filmes que assistimos no cinema pela seguinte ideia: nada daquilo existe. Fantasia do começo ao fim, que precisa e pode ser estimulada, contanto que não seja confundida com uma realidade trabalhosa em que precisamos conquistar e manter a libido de uma relação.

Corpos e performances inexistentes, que podem ser comparadas a um banho na caixa d’água em dias de calor. Refresca, dá para o gasto, mas jamais substitui uma piscina olímpica de borda infinita. Ou seja, o gozar fica rápido, a estimulação é quase automática, mas não se degusta o momento e muito menos aprofunda-se na sexualidade.

Apesar de o seriado também trazer uma trama fictícia e muito criticada, cenas contextualizadas em muito desejo, “preliminares”, esforço e vontade, mexem com o público.

O erotismo é feito à mão, de modo artesanal, preocupando-se com a exclusividade de cada um. Demanda tempo, energia, e possui toda uma situação do antes, durante e depois do ato sexual. Um combo de cenas e situações que fazem nossas fantasias chegarem mais próximas à realidade.

Pense nisso. Pense em como trazer mais erotismo para a relação e menos pornografia para a sexualidade. Ao invés de reclamar que sua parceira não curte assistir pornô, que tal criar um contexto erótico pedindo para que ela escreva um conto sexual em que vocês possam reproduzir toda uma fantasia?”

A psicóloga, sexóloga e amiga Ana Canosa nos fala que segundo estudos, “o brasileiro é reconhecidamente um povo que consome muito conteúdo sexual e, na pandemia, o país teve crescimento de consumo pornográfico na internet.
 
E como saber se alguém é dependente da pornografia online? É difícil estabelecer critérios para diagnóstico de vício em pornografia, pois a sintomatologia comportamental é bastante diversa e os estudos ainda são escassos. Porém, existem alguns sintomas comuns: perda de controle do consumo da pornografia, prejuízo relacional, financeiro, estreitamento de interesses e negligência de outras áreas da vida como trabalho, família, amigos e lazer, avanço em temáticas sexuais ilegais, falência na tentativa de redução do uso e sentimento de vergonha.

O problema da pornografia online, ao que parece, é a regulação do sistema de recompensa cerebral, pois o ativam em níveis muito altos e de maneira bastante rápida, gerando excitação e descarga de dopamina, quando é acompanhada da masturbação.

O perfil de pessoas que apresentam comportamento sexual problemático e uso de pornografia envolve ser homem e jovem. No entanto, as mulheres estão aumentando o consumo de pornografia online e algumas já demonstram sintomas de dependência.”

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