Prefeito descarta lockdown, mas apertará cerco a festas clandestinas

Crédito: Guilherme Leite - MTB 21.401

A Prefeitura planeja anunciar o aumento no rigor contra festas clandestinas em Piracicaba para conter a pressão sobre os hospitais, que chegaram nesta quinta-feira (10) a 98% de ocupação de leitos de UTI na rede pública e 92% na particular. A intenção foi comunicada aos vereadores em reunião de trabalho com o prefeito Luciano Almeida (DEM), que esteve no salão nobre da Câmara, à tarde, para ouvir os parlamentares sobre demandas da cidade e apresentar as próximas ações do governo.

O chefe do Executivo estimou que os próximos quatro meses ainda serão “de sacrifício”, com a mudança do cenário acontecendo em outubro, conforme a vacinação contra a Covid-19 for ampliada —o prefeito anunciou para este sábado (12) o início da imunização de adultos de 55 a 57 anos e todas as pessoas com deficiência (sem mais o requisito de que recebam o Benefício de Prestação Continuada).

“Se começarmos a colocar um gás nisso, pelo menos a primeira dose, talvez até agosto tenhamos um grande número de vacinações e até outubro ela se encerre. Nos Estados Unidos e na Europa, com 50% começou a ter uma redução de casos e, aparentemente, é um mundo normal que vamos viver de novo a partir de outubro. Estamos falando de quatro meses de algum sacrifício na nossa vida”, comentou.

Luciano Almeida apontou como “grande desafio” a garantia de estrutura aos atendimentos. “Estamos sempre no limite: tivemos um pico muito sério meses atrás e agora estamos chegando a esse mesmo pico, porque piorou demais a falta de mão de obra, de insumos e de equipamentos. De certa forma, conseguimos dar uma resposta a isso, mas o volume de contaminação é matemática pura: com o ‘travão emergencial’, caímos para uma média de 160 contaminações por dia e, automaticamente, 50% a menos de internações e óbitos”, comparou o chefe do Executivo, que esteve acompanhado do vice-prefeito, Gabriel Ferrato (DEM), e do diretor-presidente do Ipplap (Instituto de Pesquisas e Planejamento de Piracicaba), Daniel Rosenthal.

Luciano Almeida disse que, passados cinco meses desde que ele e seu secretariado tomaram posse, vê hoje “um alinhamento” e “a hora, agora, de começar a entregar [resultados]”. “A Casa estava bem desorganizada e tem muito a organizar ainda, com problemas, vícios de cultura e formas de procedimento, situações que foram acontecendo —às vezes nem é por mal, mas falta de orientação.”

Ele comentou que —embora serviços continuados, como o transporte coletivo e a iminente licitação para que a UPA (unidade de pronto-atendimento) do Piracicamirim seja gerida por uma organização social, estejam neste momento exigindo contratos emergenciais— a partir do segundo semestre predominarão os processos licitatórios, tendo já sido criada, inclusive, “uma comissão para trabalhar de forma integrada”.

“Buscamos fazer o diagnóstico em nível administrativo, internamente: a questão das horas extras, contratos e licitações. Tudo era ‘contrato emergencial’ e ‘aditamento de contrato’. Estamos fazendo novas licitações. A ordem é o fim dos aditamentos e 100% de novos processos licitatórios, porque sempre se disse que a mesma empresa faz o mesmo negócio há 20 anos, então estamos acabando com isso.”

“Como é possível ter, dentro da Prefeitura, processo em que compro o mesmo objeto por valores diferentes? Haverá uma central única de estoques. Temos em média 1.200 processos licitatórios por ano, sendo que Jundiaí [SP], que é do mesmo porte, tem 400. Imagine a burocracia, o tempo e o dinheiro que se gastam numa questão-meio como essa”, disse Luciano Almeida.

Ao longo de duas horas, todos os vereadores puderam expor preocupações e encaminhar demandas de seus mandatos. O diálogo aberto foi elogiado pelos parlamentares, que reforçaram a importância de haver “sinergia” entre os poderes Legislativo e Executivo, como enalteceu o presidente da Casa, Gilmar Rotta (Cidadania), ao término da reunião de trabalho. “Temos uma Câmara hoje com vários partidos; cada vereador tem sua bandeira, mas todos querem que a cidade progrida e seja melhor, de fato”, afirmou.

A possibilidade da adoção de restrições ao funcionamento de estabelecimentos foi a dúvida levantada por André Bandeira (PSDB). “Nosso comércio não aguenta mais nenhum tipo de ‘trancamento’, muitos nos têm procurado nesse sentido. As festas não são culpa da Prefeitura ou da Câmara, mas de quem está fazendo e, nesse sentido, tem que punir quem está fazendo e divulgando.”

Luciano Almeida descartou decretar lockdown. “Não vamos fazer lockdown. Ligamos para todas as instituições, conversando com todas elas para tentarmos um desenho ideal para controlar as contaminações sem que afetemos a economia: pegar 10, 12 dias para dar uma segurada. Acho que vamos achar um caminho de consenso para todos, dando a liberdade para que as pessoas trabalhem.”

O prefeito disse ser necessário “bater naquilo que de fato tem sido o problema: as aglomerações noturnas”. “Vamos punir com mais eficiência”, declarou, observando que a saúde chegou a um “sistema caótico”. “Faremos 42 leitos [na ampliação da UPA do Piracicamirim]. Vai dar um desafogo, mas não é esse mais o caminho.”

André e Cássio Luiz Barbosa (PL) reivindicaram o aumento da oferta de ônibus diante da constatação de superlotação em linhas do transporte público. “Continuam lotados, isso tem que ser resolvido imediatamente”, pediu Cássio.

Josef Borges (Solidariedade) propôs que, em vez de restrições ao funcionamento, seja permitido o escalonamento dos horários das atividades para “diluir” a circulação de pessoas ao longo do dia. “O ‘travão emergencial’ foi importante, porém precisamos melhorar, pois não podemos colocar a atividade econômica em risco. Os ônibus ficam lotados no horário de pico do trabalho. É preciso fazer um escalonamento no comércio para que diminuamos essa circulação.”

Rai de Almeida (PT) sugeriu a mobilização conjunta de Legislativo, Executivo, Judiciário, entidades de classe e outras instituições para fazer “um apelo para o uso da máscara em todos os lugares”.

Thiago Ribeiro (PSC) pediu que a Prefeitura aumente a frequência de atualizações sobre o estado de saúde de pessoas internadas a seus familiares. “Somos procurados solicitando mais informações sobre o quadro das pessoas internadas, principalmente no COT e na UPA do Piracicamirim, pois às vezes ficam até dois dias sem informação do familiar.” O prefeito comunicou que já está certo de que, a partir dos próximos dias, serão divulgados boletins três vezes ao dia, de manhã, à tarde e à noite.

Gustavo Pompeo (Avante) observou que o governo municipal “vem fazendo seu papel” em estruturar a rede de saúde no combate à Covid-19. “A quantidade de leitos, comparada quando começou a pandemia, mais que duplicou. Está tendo um esforço da Prefeitura visando ampliar o número, mas os casos aumentaram muito.”

Paulo Camolesi (PDT) mostrou preocupação com a recuperação econômica no pós-pandemia. “A Prefeitura deve chamar uma representação das empresas e começar a conversar sobre o que podem sugerir para uma retomada e o que o Executivo pode fazer para ajudar essas pessoas.”

Pedro Kawai (PSDB) defendeu a vacinação de profissionais da linha auxiliar da saúde, como educadores físicos e instrutores de pilates, além de trabalhadores dos Correios, e elogiou a atuação das secretarias municipais de Obras e Trânsito e Transportes na recuperação viária de avenidas. “Era uma briga minha. Estão fazendo um trabalho de tirar o chapéu.”

Rerlison Rezende (PSDB) fez o pedido para que “todos os secretários se portem” como Luciano Almeida e Gabriel Ferrato e “atendam a Câmara por igual para resolver os problemas, que são da cidade”.

Acácio Godoy (PP) quis saber o andamento da proposta, contida no plano de governo, de instalar zeladorias nos bairros. “Temos níveis diferentes de necessidades, cada região com uma especificidade. Tenho muita expectativa de como será administrar o município a partir da realidade de cada uma.”

Alessandra Bellucci (Republicanos) e Wagner Oliveira (Cidadania) agradeceram a atenção que tem sido dada pelo Executivo. “Anteontem me reuni com o prefeito, levei as demandas. Somos todos iguais, acredito que o senhor não vai fazer diferença para nenhum vereador”, disse o parlamentar.

Silvia Morales (PV) colocou o mandato coletivo A Cidade É Sua “à disposição para colaborar com políticas públicas e projetos importantes para a cidade, em especial nas áreas de meio ambiente, educação e cultura”.

Da Redação

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