Prefeitura desiste de gastar R$ 500 mil em reforma de escola tombada

Foto: Amanda Vieira/JP

Imóvel de 1904 é tombado pelo município; segundo arquiteto, é uma referência em escolas rurais

Após um ano do contrato, a prefeitura desistiu da reforma da antiga escola de Ártemis, localizada na avenida Fioravante Cenedese. O Diário Oficial do Município publicou ontem (segunda-feira) a rescisão de quase meio milhão de reais com a empresas Villabunker Construção e Montagens Industriais, com sede em Jundiaí (SP). A reportagem do Jornal de Piracicaba esteve no local e, aparentemente, não havia nenhum sinal de obra. O antigo Grupo Escolar de Porto João Alfredo é uma lembrança representativa das escolas rurais que funcionaram em Piracicaba na primeira metade do século 20, aponta o arquiteto e urbanista Marcelo Cachioni no livro organizado por ele “Desenhando o Patrimônio Cultural de Piracicaba”. O prédio foi tombado em 2004 pelo Codepac (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural).

O edital para a reforma foi lançado no começo de julho do ano passado. E a rodada de negociação logo após um mês, em 7 de agosto. A previsão era investir quase R$ 698 mil na reforma do antigo Grupo Escolar, o que foi fechado por pouco mais de R$ 465 mil em 23 de setembro de 2020. Conforme contrato, o prazo para conclusão foi de 120 dias – o prédio deveria estar pronto no dia 22 de janeiro deste ano.

Questionada sobre o porquê da desistência, a prefeitura destacou que a obra foi contratada na administração anterior, de Barjas Negri (PSDB). “Como não foi iniciada e há processos administrativos contra a empresa vencedora, a administração atual, por precaução, decidiu rescindir o contrato e promover nova contratação”, informa a assessoria, confirmando a inexistência das obras no local. Sobre se algo foi pago à empresa e se quando haverá uma nova licitação, a prefeitura nada informou.

“O local é o antigo Grupo Escolar e está desativado há anos, não servindo à rede municipal [de ensino]. Uma emenda parlamentar do deputado Alex de Madureira (PSD) destinou verba de R$ 500 mil com o objetivo de transformar o local em centro cultural”, finaliza a nota da prefeitura.

HISTÓRICO
“O imóvel segue o padrão colonial paulista com ornamentação eclética nas aberturas, isolado no meio do terreno como as sedes rurais. O telhado, constituído por telhas do tipo capa e canal, com beiral, se compõe com as janelas de guilhotina. A fachada principal apresenta uma janela de cada lado da porta principal, cujo acesso se dá por uma escadaria”, conta o arquiteto Cachioni em sua descrição sobre o imóvel construído em 1904.

A referência é de que a residência era de propriedade de Deolinda Elias Cenedese – homenageada com seu nome na escola municipal do distrito. Ainda conforme Cachioni, o terreno da propriedade mede pouco mais de 2.000 mil metros quadrado e possuía uma área construída de 235,37 metros quadrado. Neste espaço funcionava quatro salas de aula mais a diretoria, portaria e três sanitários. O croqui do novo uso do espaço em projeto da prefeitura previa a disponibilidade de seis salas, cozinha, banheiros – incluindo um com acessibilidade – e uma área externa coberta de pouco mais de 90 metros quadrados.

Cristiane Bonin
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