Prefeitura divulga lista que integra o ‘kit covid’ em Piracicaba

Foto: Claudinho Coradini/JP

Hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina são os medicamentos que vão compor o “tratamento precoce” para covid-19, anunciado pelo prefeito Luciano Almeida (DEM) na última sexta-feira (15), que a rede pública vai fornecer na cidade. De acordo com a SMS (Secretaria Municipal de Saúde), os medicamentos serão disponibilizados e “podem ou não ser recomendados pelos médicos” dependendo também do consentimento do paciente.


Médicos lembram que não existem medicamentos com eficácia científica comprovada contra a covid-19. A SMS informou que está em fase final sobre a quantidade necessária para a aquisição dos medicamentos.


Tufi Chalita, infectologista da Unimed Piracicaba, lembra que o médico francês Didier Raoult, maior defensor do uso da cloroquina em casos de covid-19, admitiu que o medicamento não reduz mortes.

O infectologista cita ainda autoridades na saúde, como o ex-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Gonzalo Vecina Neto, a bióloga popularizadora da ciência Natália Pasternak e a infectologista Raquel Silveira Bello, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, que reafirmam que esses medicamentos não se mostraram eficazes conta a covid-19.

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“Colocar para o paciente decidir, assumindo a responsabilidade, estamos invertendo totalmente as posições. O médico deveria dizer ‘esses remédios não têm comprovação científica’, a senhora quer tomar?”, comenta.


O cardiologista e intensivista da Santa Casa Sérgio Pacheco lembra que os medicamentos divulgados pela SMS não têm aval das sociedades médicas como medida preventiva ou tratamento precoce, por não haver estudos em humanos que comprovem a eficiência, “embora na prática haja vários médicos prescritores e pacientes que desejam fazer o uso”.


Ele explica que os estudos em laboratório que reduziram a carga viral utilizaram doses superiores às toleradas por seres humanos. “Em humanos, até esta data, ainda não temos números que sustentem o uso rotineiro”, diz.


Pacheco lembra que nada substitui o distanciamento social, uso de máscara a medidas de higiene. “A vacina será a melhor forma de evitar infecções graves pelo coronavírus pelo que se sabe até este momento”.

Andressa Mota

6 COMENTÁRIOS

  1. O prefeito tem q priorizar a vacinação. Montar plano completo e correto pra que todos possam ser vacinados, não gastar dinheiro público com medicamentos que não tem comprovação científica nenhuma e tem riscos a saúde! Isso é um descaso!

  2. Um completo absurdo. Vai jogar a pressão para cima dos médicos que já estão no limite. Mal começou o mandato e já está pisando na bola. Será que é negacionista também? Terraplanista? Olavista? Bolsonarista? Não duvido, dada a ignorância com que está tratando o tema. Ainda está em tempo de se retratar e NÃO distribuir estes kits. Usa o dinheiro para melhorar a estrutura das UPAs, que não têm sangue para transfusão. Só por Deus!

  3. É importante acionar o Ministério Público para responsabilizar o prefeito pelo uso de dinheiro público nesta campanha de Marketing desprovida de serventia no combate à pandemia, além de responsabilização criminal no caso de agravamento da doença com sequelas ou morte decorrentes do uso de medicação inútil.

  4. Parabéns ao prefeito de Piracicaba que adotou o tratamento precoce! A medicina clínica já tem vistos resultados positivos suficientes que comprovam a eficácia desse tratamento! Esse tratamento salva vidas, pois diminui a carga viral, diminuindo a chance da doença evoluir para um quadro grave. Estudem, busquem informações fora da mídia. Piracicaba vai ser beneficiada com essa ação e coragem do prefeito.

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