Sindicato informa que o acordo era de que a prefeitura arcasse com o passivo trabalhista (Foto: Amanda Vieira/JP)

Os ex-funcionários da Via Ágil esperam desde maio o início do pagamento da rescisão contratual com a empresa, que deixou o transporte coletivo da cidade. Segundo o sindicato da categoria, o acordo foi de que a prefeitura arcasse com os direitos trabalhistas da demissão coletiva. Para isso, processo levantou quanto o poder público devia à empresa para, com esse dinheiro, pagar os direitos trabalhistas. De acordo com a assessoria de imprensa do município, a área jurídica trabalha no PL (Projeto de Lei) que será enviado ao legislativo antes do recesso com início em 1 de julho.

A reportagem do Jornal de Piracicaba ouviu dois ex-funcionários da Via Ágil, motoristas, que preferiram não se identificar sobre a situação da espera do pagamento dos direitos trabalhistas. Um deles, que faz parte do grupo de risco da covid-19, estava afastado desde março e recebeu os 30% do salário em abril, mas em maio houve a rescisão contratual da empresa com a prefeitura.

“Eu simplesmente, como funcionário de 6 anos da Via Ágil, me senti descartado, usou e a hora que não precisou mais ‘tchau, pardal’. Só fizemos a homologação […] tem um dinheiro bloqueado na prefeitura que vai pagar a homologação e os 40% da multa sobre o FGTS, aí você faz aquela pergunta: quando vai pagar, quando? Não tem uma coisa específica, não tem data”, enfatiza e diz que quer receber o valor integral. “Nós, motoristas, fomos os últimos a saber dos fatos. Aliás, tem pai de família que está passando por necessidades”, comenta, lembrando que a primeira parcela do seguro desemprego será paga no dia 25 de junho e o valor, referente ao salário, caiu quase R$500,00.

Outro motorista, que também preferiu não se identificar temendo represálias e está desempregado, lembra da incerteza de já ter se passado um mês e nada ainda concreto ter sido dado como retorno aos ex-funcionários sobre o valor da rescisão. “Não sabe o que vai fazer, falaram que iam pegar a gente de volta, não pegaram, pegaram alguns só, ficamos sem o serviço e sem a rescisão, está difícil a coisa para nós”, lamenta. “A gente vai lá e não dão a data pra gente, de quando vai sair, de como vai ser”, complementa.

João José Soares, presidente do sindicato do Transporte Urbano de Piracicaba e Região, lembra que, desde que houve a rescisão contratual da Via Ágil, o acordo era de que a prefeitura arcasse com o passivo trabalhista e que a nova empresa, Tupi, recontratasse os funcionários. “Fizemos a verba rescisória do pessoal para liberar o fundo de garantia e o seguro desemprego àqueles que tinham”, recorda.

A empresa Tupi informou à reportagem em maio que vai recontratar os funcionários segundo critérios administrativos.

Soares afirma que, em sua análise, as negociações com a prefeitura estão “bem adiantadas” e que espera que os vereadores aprovem o PL. “Nós estamos aguardando agora a prefeitura mandar esse projeto para a Câmara dos Vereadores e depois a justiça notificar cada um de nós […] aguardamos pela Câmara de Vereadores para os vereadores terem um bom senso, quem votar essa emenda, pra gente conseguir ver como que vai ser o pagamento do trabalhador”, finaliza.

Andressa Mota

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