Presencial, híbrido ou home office: o que levar em conta na hora de escolher o modelo da empresa?

Foto: Claudinho Coradini/JP

Sair de um modelo engessado para um mais flexível já ganhou até aprovação do Governo Federal

O trabalho home office existe há décadas, mas, no Brasil, esse modelo sempre foi visto como algo raro, apenas para funcionários tidos como “sortudos” e que entendiam, no mínimo, de plataformas digitais. A chegada da pandemia da covid-19 mudou essa realidade: os colaboradores foram obrigados a trabalhar em casa para manter o distanciamento social. E foi aí que os empresários passaram a ter um olhar diferenciado ao teletrabalho. Questões como redução de custos fizeram empreendedores repensarem sobre qual é a estrutura mais eficaz. Do lado do empregado, um novo universo, cheio de dúvidas, também surgiu. Afinal, é ou não mais fácil trabalhar dentro de casa? E quem tem filhos perambulando pelo ambiente doméstico, cachorro, barulho na cozinha, entre outras situações cotidianas? E se a internet não for veloz? Esse funcionário vai conseguir se adaptar?

Sair de um modelo engessado para um mais flexível já ganhou até a aprovação do governo federal, que publicou a Medida Provisória 1.108/2022. “A MP foi vantajosa ao ampliar as previsões na CLT sobre teletrabalho, com o intuito de trazer mais segurança jurídica aos empregados e aos empregadores”, diz advogada Roberta Maciel, especialista em Direito do Trabalho. “O trabalhador em home office tem os mesmos direitos garantidos em relação aos trabalhadores que exercem a modalidade presencial, como FGTS, férias, 13º salário, horas extras”, explica.

O teletrabalho veio para ficar, sim! É o que garantem especialistas na área de gestão. “O nosso pessoal ganhou mais produtividade trabalhando em casa; houve uma concentração maior ao trabalho. Na nossa empresa, que tem 100 colaboradores, 13 optaram por fazer o trabalho presencial, 27 escolherem o trabalho 100% home office e o restante, está no modelo híbrido”, explica Marcelo Bianchi, chairman da Atlas, empresa de inteligência voltada à gestão empresarial que atua em várias cidades da região.

PERFIL
As empresas têm de saber analisar o perfil do funcionário antes de colocá-lo em home office. “A Fenacon (federação que representa escritórios de contabilidade) fez uma pesquisa que apontou que mais de 70% dos escritórios estavam com dificuldade de implantar o trabalho remoto. Isso porque parte dos funcionários não tinha conhecimento tecnológico, não sabia fazer vídeo conferência. Outro motivo envolvia o próprio ambiente dentro de casa, que não era propício, em termos de estrutura, para que o trabalhador exercesse a função. Tivemos um funcionário que não conseguia trabalhar na casa dele, porque ele tem três irmãos que são vendedores e que estavam em home office. Ele não tinha como se concentrar”, diz Bianchi.

As empresas também devem estar atentas ao perfil do cliente. Alguns gostam de um relacionamento mais pessoal; já outros, querem resoluções rápidas pelos meios digitais. “Acredito que a flexibilidade é a grande sacada do negócio, ter os dois modelos, com funcionários presenciais e remotos, cada um atendendo um público específico. Na nossa empresa, estamos fazendo um teste: contratar o home office puro de qualquer lugar do Brasil. A gente sempre teve uma base regional e isso mudou. Qual a diferença de contratar gente de Piracicaba, Limeira, ou de Belém? Tem muito profissional empreendedor pelo Brasil”, diz
o consultor.

Questionado se o mercado estará aberto para esse profissional, que vai trabalhar para várias empresas e em diversos lugares do Brasil, Bianchi responde “com certeza”. “É uma visão míope a de muitas empresas em achar que o funcionário tem que bater o cartão às 7 da manhã e sair às 6 da tarde, ter o horário do almoço certinho. O que importa é o que o profissional está entregando. O que a empresa quer: resultado ou disciplina?”

A única ressalva ao teletrabalho é justamente o perfil do funcionário. Se ele não rende sem hora marcada, se distrai por conta da televisão ou de qualquer situação do cotidiano, é importante que o empregador o mantenha presencial. “Há lugar para todo mundo, não tem melhor ou pior modelo de trabalho”, declara Bianchi.

“O home office pode ser uma ótima estratégia para oferecer alternativas de trabalho para o empregado, sendo visto como uma vantagem para a retenção de profissionais. Bem gerida essa modalidade, pode aumentar a produtividade dos funcionários com a liberdade desses profissionais, além de diminuir os custos da empresa, como por exemplo, podendo o empresário apostar numa estrutura mais enxuta, refletindo essa economia nas despesas básicas como água, energia, limpeza e infraestrutura, diz a advogada Roberta Maciel.

Da Redação

LEIA MAIS

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, entre com seu comentário!
Por favor, entre com seu nome

17 + dezenove =