Prevenção do suicídio: entenda os sinais para agir

Apoio social da família e amigos são fatores que salvam (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Hoje, 10 de setembro, é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio e, por isso, o mês – com a cor amarela – é dedicado para levar mais informações sobre o tema à sociedade. Porém, a prevenção do suicídio deve ser diária, em especial durante a pandemia, quando as incertezas como o desemprego, o medo do vírus e de perder entes queridos e a crise econômica colocam desafios nunca antes vividos pela humanidade, causando, em muitos casos, agravamento da saúde mental das pessoas.

Para o psicólogo especialista em prevenção e posvenção de suicídio, Sérgio de Oliveira Santos, a prevenção passa por cultivar sentidos na vida, construir uma perspectiva que “valha a pena”. Para ele, as formas de ajudar estão na presença acolhedora, apoio social e familiar, além de profissionais e instituições de saúde mental. “É auxiliar a pessoa a criar uma gravidade existencial (uma perspectiva, um jeito de olhar e viver a vida) na qual nem mesmo a dor ou o sofrimento sejam um empecilho para tanto”, explica.

Dividir as frustrações e emoções por meio da fala também é outro fator essencial na prevenção. Nesse sentido, o CVV (Centro de Valorização da Vida) é uma ferramenta primordial. Por meio do telefone 188, os voluntários oferecem apoio sem julgamento gratuitamente 24 horas.

SINAIS
Segundo Santos, nem todos os casos de suicídio ou tentativa apresentam sinais. “Nós temos 3% dos suicídios que eles são cometidos por pessoas em desespero. Acontece alguma coisa muito grave e ela não pensa, então não tem como prever”, comenta.

Mas existem outros dois grupos de risco que apresentam alguns sinais de alerta: risco agudo, quando “alguma coisa aconteceu, está com uma angústia existencial muito forte”, e o crônico, que está associado a um distúrbio mental.

A psiquiatra Ana Elisa Paisani, da Unimed, lembra de outros sinais, como quando a pessoa passa a se isolar, engorda ou emagrece muito, dorme muito ou não consegue dormir. “A pessoa que começa a não ver mais prazer em nada. Coisas que gostava e agora não vê mais prazer. Começa a arrumar as coisas, se despedir das pessoas, a ter pressa para resolver burocracias que antes já estavam atrasadas – são sinais importantes”, comenta.

Esses sinais, segundo Ana, podem aparecer em qualquer idade, desde idoso até adolescente. A psiquiatra lembra ainda que o suicídio é a segunda causa externa de morte entre jovens de 15 e 29 anos, perdendo apenas para acidente automobilístico. E que pesquisa de 14 de agosto deste ano, do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doença) dos Estados Unidos, mostrou que 25% dos jovens entre 18 e 24 anos considerou seriamente suicídio nos últimos 30 dias.

FATORES DE PROTEÇÃO
Para Diminuir os riscos, Ana lembra dos “fatores de proteção”. “A gente precisa aumentar o contato com família e amigos, buscar seguir tratamento adequado para doença mental, [ter] envolvimento com atividades religiosas ou com amigos, iniciar atividades prazerosas que tenha algum significado, e evitar o uso de álcool e drogas”, orienta.

O setor de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde disponibiliza canais para acolhimento e urgências em saúde mental em decorrência da pandemia. Informações gerais estão disponíveis no facebook.

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